terça-feira, 22 de fevereiro de 2022

Indignação do clero e dos fiéis faz bispo moderno renunciar

Seminário de San Rafael, Argentina, fechado pela cólera modernista do bispo renunciante
Seminário de San Rafael, Argentina, fechado pela cólera modernista do bispo renunciante
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
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O bispo da diocese de San Rafael, Argentina, Mons. Eduardo Maria Taussig, renunciou a seu cargo após enfrentar longamente à maioria de seus fiéis, sacerdotes, seminaristas e leigos. O enfrentamento final deu-se quando o bispo pretendeu obrigar a todos a comungar na mão alegando combate ao Covid, noticiou “Infocatólica”.

Na vida eclesial, as alegações sanitárias do bispo vinham sendo recusadas pelos fiéis como insinceras e abusivas. O prelado fechou o seminário pela oposição dos seminaristas e os dispersou em diversos endereços.

Arcebispos e bispos lhe aconselhavam moderação, mas o bispo renunciante prosseguiu lançando objurgações canônicas contra os sacerdotes que fundados no direito canônico, respeitavam o direito dos fiéis a comungar na boca.

Os comentários deixados pelos fiéis em “Infocatólica” são assustadores:

• “este homem foi autenticamente destrutivo. Aguardo que que seu sucessor possa reparar a devastação causada por esse insensato” (Albert L);
 
• “Estes heterodoxos não estão pelo diálogo que preconizam (...) são autênticos ditadores” (Juan Mariner);
 
• “fechou o seminário porque formava sacerdotes e não assistentes sociais, e isso era muito perigoso [para ele]” (Fernando);
 
• “destroem e depois vão embora. Aguardamos um santo bispo e não como os que vem designando” (Maria);
 
• “o único propiciado pela pandemia foi a multiplicação dos sacrilégios. Não tem temor de Deus” (José Luis);
 
• “colaborou para destruir a tradição e atropelou toda uma Comunidade. Isso é demoníaco” (Manu);
 
• “os seminaristas e sacerdotes não entraram em rebelião e o maligno agiu sem freio Não há desculpa para sua obsessiva pretensão de atropelar as almas que não faziam mal algum” (Pedro);
 
• “Mons Taussig foi péssimo, mas da máfia da CEA [CNBB argentina] pode vir algo melhor? Não nos enganem com as luzes e os venenos de doutrinas perversas de sinodalidade” (El rigido porteño);
 
• “Veremos se [o próximo] é lobo traidor como Taussig ou se reabre o seminário. Temo o primeiro, Dios queira que me equivoque!” (Martin);
 
• “quando virá a reparação pelas injustiças?” (penc).

 
Uma só expressão vinda de um pontífice sintetiza a obra acima descrita e que está sendo praticada por toda parte: “autodemolição da Igreja”.


terça-feira, 15 de fevereiro de 2022

A prática religiosa volta ao paganismo?

Taiwan roleta-russa pode dar na III Guerra Mundial
Montagem na igreja abandonada de São Jorge na República Tcheca da imagem surrealista da crise na igreja
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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No último Natal, uma pesquisa do prestigiado Pew Research Center contou que apenas 21% dos americanos se afirmam católicos romanos e 20% disse não acreditar em “nada em particular”.

A geração dita dos “millenials”, que inclui a maioria dos adultos americanos com menos de 40 anos, é a primeira da história americana em que os cristãos de todas as confissões somadas estão em minoria, segundo comentou o “The New York Times”.

O argumento foi muito discutido num livro publicado em Paris pela teórica política francesa Chantal Delsol.

Para ela estamos vivendo o fim da civilização cristã, que ela posiciona entre a vitória do catolicismo sobre os pagãos no final do século IV e o abraço do Papa João XXIII ao ecumenismo religioso e a legalização do aborto no Ocidente a partir da decisão da Corte Suprema americana no caso ‘Roe vs Wade’.

No livro “O Fim da Cristandade”, a autora não foca a fé cristã, mas apenas a cultura, a arte, a filosofia e as tradições que o cristianismo inspirou.

A autora examina a mudança civilizacional em andamento há 1.600 anos. Imenso período em que nasceu, se desenvolveu e decaiu a maior das civilizações que o mundo conheceu: a Cristã.

Mas hoje, observa ela, a vida cultural cristã, de cunho inegavelmente ocidental, está sendo removida enquanto afloram impulsos pagãos que se diria sepultados nas cavernas da História.

Na Civilização Crista, a sociedade se expande em feliz consórcio sob a bênção de Cristo
Na Civilização Crista, a sociedade se expande em feliz consórcio
sob a bênção de Cristo
Delsol resume: hoje nós nos repaganizamos.

A expressão é muito forte, mas a realidade é apavorante.

Há uma queda rumo à desordem profunda, ao ateísmo ou a superstições degradantes. 

Inclusive à dureza e até à violência cruel praticada já antes de nascer, durante a vida toda de inúmeras formas, e até contra a velhice extrema e indefesa.

Certa feita, um amigo francês, pai de família e católico praticante encontrou-se com um bispo de seu país formado no espírito da era pós-Civilização Cristã mas com tonalidades ditas “conservadoras”.

O prelado foi amável e loquaz até que por fim resumiu seus pontos de diferenciação e disse: “a única coisa que nos separa é que o Sr. acredita na Cristandade”.

Com imenso respeito pela alva batina, um recente pontífice escreveu que a Cristandade é a ideia central da tentação do diabo no deserto ao próprio Jesus Cristo.

E o Papa Francisco estarreceu o mundo participando em cerimoniais pagãos de adoração ou veneração à Pachamama indígena sul-americana.

Como então evitar que o mundo afunde nos negrumes sinistros do paganismo quando os altos prelados assim agem? Eles, os incumbidos por Deus Nosso Senhor de levar o doce Reino de Cristo – a Cristandade – a todos os povos da terra em decorrência da pregação da fé católica?

A autora de “O Fim da Cristandade” faz bem pondo o início da emersão do paganismo no Ocidente cristão, na Renascença, voltando a cair nos vícios e nos erros antigos.

Já tinha observado o Prof. Plinio Corrêa de Oliveira que na decadência da Civilização Cristã medieval que “a admiração exagerada, e não raro delirante, pelo mundo antigo, serviu como meio de expressão a esse desejo: o Humanismo e a Renascença tenderam a relegar a Igreja, o sobrenatural, os valores morais da Religião, a um segundo plano.

“O tipo humano, inspirado nos moralistas pagãos, já era o legítimo precursor do homem ganancioso, sensual, laico e pragmático de nossos dias, da cultura e da civilização materialistas em que cada vez mais vamos imergindo”. (“Revolução e contrarrevolução”, Artpress, SP, 1998)

São Antônio de Padua, fazendo um milagre eucarístico
São Antônio de Padua, fazendo um milagre eucarístico

Como aqueles que viram no incêndio de Roma a realização das profecias do Apocalipse, muitos conservadores do século XXI pensam algo semelhante sobre o futuro de nossa civilização.

Mas, eis o grande engano dos que imaginam possível uma outra “civilização” – se é que podemos chamar de civilização ao caos que vai tomando conta do mundo – se instalar na Terra ou em grande parte dela.

Delsol se preocupa com códigos, idiomas, centros educativos, propaganda de massa, de uma ordem pública como a da Roma pagã, onde a religião e a moral eram separadas com resultados em geral sombrios.

O neopaganismo hodierno com toda sua tecnologia, imoralidade e riquezas ameaça desabar de um momento a outro. A civilização vindoura será cristã ou não será,

“A civilização do mundo é a Civilização Cristã, tanto mais verdadeira, mais duradoura, mais fecunda em frutos preciosos, quanto é mais autenticamente cristã”, ensinou o grande Papa São Pio X na encíclica “Il fermo proposito” (ASS, vol. 37, 1905, p. 745).

Nas tormentas contemporâneas o neopaganismo sopra os piores vagalhões. Porém, podemos ter certeza de que não estamos no Fim do Mundo, mas no prelúdio de uma era em que o Evangelho triunfará e será praticado por todos os povos da Terra.


terça-feira, 1 de fevereiro de 2022

Suíça aprova ‘cápsula da morte’ para eutanásia em casa

Sarco(fago) enganosa eutanasia feliz legalizada na Suíça
Sarco(fago) enganosa eutanásia feliz legalizada na Suíça
Luis Dufaur
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Se suicidar segundo o próprio capricho, sem violência e sem dor, em menos de 10 minutos e de graça, é a enganosa oferta de eutanásia que acaba de ser legalizada na Suíça

Uma cápsula denominada Sarco, abreviatura de sarcófago, foi apresentada pela primeira vez na feira funerária de Amsterdã em 2018.

Seu criador, o ativista australiano Philip Nitschke, apelidado de Doutor Morte, diz que nas redes sociais cresceu muito a apetência por uma máquina para suicídio assistido, disponível para todos, segundo informação do “El Mundo” de Madri.

Nitschke explicou como funciona no site de Exit International, uma organização que se diz de caridade, em verdade uma ‘caridade’ que poderia ser usada num campo de extermínio soviético, chinês ou nazista.

O artefato Sarco recebeu luz verde das autoridades suíças.

Foi projetado pelo holandês Alexander Bannink para morrer com ‘conforto’ sem assistência médica e sem controle legal. O infeliz morre respirando nitrogênio puro.

Para o diretor do Instituto Kennedy de Ética da Universidade de Georgetown, Daniel Sulmasy, o design elegante da cápsula, quase semelhante ao de um carro de luxo futurista, “exalta o suicídio”.

O Sarco é acessível a pessoas que não estão em seu são juízo ou até crianças, podendo ser mal utilizado até para crimes de idosos ou doentes com herdeiros sem escrúpulos.

A máquina pode ser movida de um lugar para outro com facilidade e pode ser feita com uma impressora 3D em casa com um o programa que Doutor Morte envia gratuitamente.

A cápsula rumo a dor eterna
A cápsula rumo a dor eterna
A cápsula é ativada pela pessoa até com um simples piscar de olhos.

O sinistro sarcófago substitui o oxigênio por nitrogênio em cerca de 30 segundos deixando o suicida, ou vítima, desorientada e talvez até um pouco eufórica antes de perder a consciência.

O último suspiro ocorre no máximo em dez minutos e não há informação se o moribundo pode mudar de ideia.

Há um protótipo em andamento na Holanda, onde, como na Suíça, o assassinato assistido é regulamentado, e onde Deus não é levado em conta.

Cerca de 1.300 pessoas morreram por suicídio assistido na Suíça em 2020 usando os serviços das duas maiores organizações de suicídio assistido do país, Exit e Dignitas.

O método usado para esse assassinato é a ingestão de pentobarbital sódico líquido após parecer médico favorável sobre a incapacidade mental da pessoa. O líquido faz dormir o infeliz até entrar coma profundo, seguido logo pela morte.

Sarco(fago) elimina os controles médicos e propõe aumentar a clientela das organizações Exit e Dignitas.

Mas, a Dignitas comentou que “essa cápsula deixa muitas dúvidas sem resposta”.

O desejo de gozar a vida chegou até essa forma extrema de gozar até no momento de se tirar a própria vida. Porém, depois se encontra subitamente o Juízo de Deus e os abismos eternos de sofrimento sem fim.


terça-feira, 25 de janeiro de 2022

'Entre celular e drogas não há muita diferença’, diz psicólogo espanhol

O psicólogo espanhol Marc Masip trabalha com jovens para educá-los sobre o uso adequado da tecnologia e evitar a dependência
O psicólogo espanhol Marc Masip trabalha com jovens
para educá-los sobre o uso adequado da tecnologia e evitar a dependência
Luis Dufaur
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“O celular é a heroína do século 21” explicou o psicólogo espanhol Marc Masip em entrevista à BBC News Mundo, serviço de notícias em espanhol da BBC.

Facebook, Instagram ou WhatsApp pedem prestar atenção ao nosso grau de dependência das novas tecnologias, porque podemos estar feiamente viciados.

No dia 4 de outubro, milhões de pessoas ficaram frustradas quando as três plataformas acima ficaram fora do ar por seis horas.

Para alguns foi como a síndrome de abstinência que sofrem os que abandona as drogas, o álcool ou o cigarro.

Não é uma comparação exagerada diz o psicólogo espanhol Marc Masip: “O celular é a heroína do século 21”, diz ele sem rodeios.

Ele cuida do tratamento de desintoxicação em clínicas para viciados em tecnologia e onde a reabilitação pode se tornar mais difícil do que a dos dependentes dos narcóticos.

“Todo mundo sabe que as drogas fazem mal, enquanto que todos nós usamos as novas tecnologias sem saber o tamanho do dano que podem causar”, explica Masip na entrevista.

“As pessoas enlouqueceram [quando as mencionadas plataformas ficaram fora do ar] quando na realidade nada estava acontecendo. Estamos todos um pouco perdidos. Os vícios são como todos os vícios, e não há muita diferença entre o vício em drogas e o vício em telefone celular.

Adição às telas a ponto de esquecer as amizades é sintoma de vício
Adição às telas a ponto de esquecer as amizades é sintoma de vício
“As drogas não podem ser bem usadas, mas o celular pode. E tem gente que compara o celular a um martelo que pode ser utilizado bem ou mal, mas não conheço ninguém viciado em martelo”.

“Quando a heroína começou a ser consumida, não se sabia o quão ruim era, e no final morreu muita gente. Espero que não seja assim agora, mas tem gente que morre porque usa o celular até quando está dirigindo.

Há consequências para a saúde mental que ainda não entendemos por conta do abuso do telefone celular.

“Estamos vendo consequências no desempenho acadêmico dos jovens, acidentes de trânsito que podem levar ao pior, ansiedade, estresse, frustração, transtornos alimentares desencadeados pelo Instagram.

“Vemos como os jovens se comunicam por meio das telas de forma rápida, fácil e confortável, mas no cara a cara eles são covardes porque não têm ferramentas para sentir empatia, olhar ou abraçar.

“Mas acima de tudo o pior é a dependência, o humor das pessoas muda para pior quando ficam sem Facebook ou WhatsApp.

“Achamos que nossos filhos não terão amigos se não tiverem smartphone e redes sociais, mas isso é mentira.

Temos que proteger as crianças das telas para que não precisem tanto delas. Para uma criança, ter um smartphone antes dos 16 anos traz mais desvantagens do que vantagens.

Dependência do smartphone precede crises depressivas perigosa
Dependência do smartphone precede crises depressivas perigosas
“Se os adolescentes exigem smartphone, é sobretudo por causa das redes sociais. Mas o que as redes sociais oferecem para eles? Curtidas? Essa não é uma contribuição real. A curtidas são apenas uma injeção cavalar de dopamina.

“Na verdade, quanto mais o eu virtual se afasta do eu real, mais gera frustração. E essa frustração é muito próxima da dependência e do vício.

“É importante educar, sobretudo os mais jovens, que não é preciso mostrar sempre o que não somos ou o que gostaríamos ser para sermos aceitos. É preciso trabalhar muito a autoestima dos jovens.

“Por mais tecnologia que criem e mais dinheiro que invistam, nada será capaz de dar um abraço como outra pessoa te dá ou um beijo como a pessoa que você ama.

“Meça sua síndrome de abstinência. Se você precisa consumir algo quando não tem. É algo bastante evidente nas drogas, mas também acontece com as novas tecnologias.

“Observe também se você substitui atividades, se você deixa de fazer algo para ficar mais atento ao celular. Isso pode acontecer quando você passa tempo com a família, trabalha, dirige, pratica esportes ou sai de casa.

“Preste atenção se o celular faz você se evadir. Se você pega (o celular) para ver uma coisa, e passa uma hora sem que você perceba. Com esses exemplos, você pode se avaliar muito bem.

“É preciso regulamentar os próprios aplicativos, as próprias empresas, para que depois as coisas cheguem bem ao resto do mundo, sem elementos nocivos ou viciantes”.



terça-feira, 18 de janeiro de 2022

Imoralidade e satanismo em catedrais sob pretexto de “cultura”

Beijo de Judas, Giotto  (1266-7 – 1337) Capela degli Scrovegni, Padua
Beijo de Judas, Giotto  (1266-7 – 1337) Capela degli Scrovegni, Padua
Luis Dufaur
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Santos dotados de luzes proféticas ensinaram que a fúria do inferno só pode atingir seus objetivos atacando a Igreja por dentro. Cfr. Beato Palau: Misteriosa estirpe espiritual de Judas agindo na Igreja

Nem o Sinédrio, nem Pilatos, nem Herodes, nem Barrabás impediram a pregação do Divino Redentor. Foi necessário um Judas Iscariotes, um do círculo seleto dos apóstolos, para entregar Cristo aos carrascos. E com um beijo! “Jesus perguntou-lhe: ‘Judas, com um beijo trais o Filho do Homem!’”. São Lucas, 22

Desde então, o inferno tenta infiltrar a Igreja para destruí-la por dentro. A autodemolição da Igreja explicitada por Paulo VI adquire hoje plena e terrífica aplicação.

Essa autodemolição vem provocando uma devastadora sucessão de profanações de sagradas catedrais com a anuência dos respectivos bispos, em diversas cidades e países, sob pretexto de “cultura”.

Assim aconteceu recentemente na catedral de Toledo, primada da Espanha, onde foi gravado o vídeo musical “Ateu” focado em danças sensuais e relações carnais, como informou ACIPrensa.

Não reproduzimos imagens do vídeo 'cultural' pela sua obscenidade
Não reproduzimos imagens do vídeo 'cultural' pela sua obscenidade
Ante as críticas indignadas dos fiéis, o bispo esboçou uma retratação.

Outra tentativa – corajosamente impedida in extremis pelos fiéis – deveria ter acontecido na catedral de Nantes, França, com músicas e cenas “satanistas”, exaltando relações sexuais com o diabo ou sugerindo missas negras, segundo noticiou “Corrispondenza Romana”.

Outro recente passo desse método da autodemolição visou a catedral de Bariloche financiado pelo governo da província (estado) de Río Negro em apresentações “culturais” obscenas e sacrílegas rotuladas “Retorno ao ritual” e “Rédeas livres” no âmbito do FIMBA (Festival Internacional de Música de Bariloche), segundo noticiou “Infocatólica”.

Um fiel testemunhou o ato sacrílego em Bariloche com luzes de boate e música extravagante para conformar um espetáculo ímpio.

Uma moça comentou após a sessão: “é profundamente triste ver luzes de boate, telas com uma garota dançando sensualmente e aparentemente nua, diante do tabernáculo onde Jesus estava verdadeiramente presente ... É como matar Cristo pela segunda vez ...”.

Fiéis impedem ato 'cultural' sacrílego na catedral de Nantes
Fiéis impedem ato 'cultural' sacrílego na catedral de Nantes
Uma mulher presente afirmou que “havia uma sensação de domínio do maligno dentro da Catedral”.

“Eles nem mesmo removeram o Santíssimo Sacramento”, deplorou outro fiel. Teria o bispo percebido a gravidade do insulto a Deus que havia aprovado?

Não foi mero acaso que isso acontecesse na véspera da festa satânica do Halloween, observaram muitos.

O reitor da catedral nem por delicadeza retirou o Santíssimo Sacramento e se exibiu de jeans rasgados só interessado pelas medidas pandêmicas.

O bispo de Bariloche, Mons. Juan José Chaparro, há apenas um mês e meio, defendeu que “cada um deve buscar a sua fidelidade naquilo que pensa e acredita (...) as religiões e as igrejas devem estar a serviço da humanidade porque o que Deus quer é um mundo melhor e mais fraterno”.

Festival Internacional de Música de Bariloche
Festival Internacional de Música de Bariloche
No festival que o prelado aprovou em sua catedral, os fiéis só viram um mundo sinistramente pior e o furor do ódio autodemolidor anticristão que nada tem de fraterno e tem tudo de fratricida como o exorcismo de Leão XIII aplica aos espíritos das trevas.

Um sacerdote e alguns fiéis perplexos tentaram evitar aquele fruto envenenado de uma “cultura” erroneamente chamada de moderna porque Satanás é malfeitor desde o início da Criação. Mas o exemplo de autoridade vinha de Roma...

Quem promove e permite este tipo de “espetáculo” já não é católico, opinou “Infocatólica”.


terça-feira, 11 de janeiro de 2022

Natal de 2021: proibido por marxistas e “conservadores”

China policiais desmontam arranjo comercial de Natal
China: policiais desmontam arranjo comercial de Natal
Luis Dufaur
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Mais uma vez a China marxista interditou as comemorações do Natal com velhos pretextos ideológicos: “é uma festa ocidental” e o Partido Comunista Chinês (PCCh) está engajado na “sinização” dos cultos. Em algumas cidades foi acrescentado o Covid-19 como pretexto.

O governo passou uma circular estritamente confidencial com o intuito de que a proibição não fosse conhecida fora da China.

Também montou umas poucas comemorações cristãs “cosméticas” abundantemente fotografadas e filmadas para difundir nas redes sociais e enganar no exterior.

Porém, Bitter Winter obteve de fonte confidencial um documento do Departamento de Educação do condado de Rong’an contendo a proibição do governo de Pequim para as escolas primárias e jardins de infância.

Nele se pode ler: “o dia de Natal ou Santa Noite está profundamente penetrado pela cultura religiosa ocidental. Isto é danoso para nossa cultura chinesa”.

E prossegue: “de acordo com as diretivas do mais alto governo, fica decidido: proibir mestres e alunos de organizar qualquer celebração deste festival ocidental.

“Todos os maestros e alunos, e não só do PCCh, devem obedecer a regra do Comitê Central do Partido. Se alguém vê indivíduos ou organizações festejando Natal ou a Santa Noite deve avisar imediatamente à polícia” (segue o endereço para contato policial).


Mais espantosa resultou a proibição da União Europeia de usar a palavra Natal ou “nomes abertamente cristãos” nas últimas festas.

A UE reverencia como fundadores políticos democrata-cristãos e até se falou, aliás falaciosamente, que seu símbolo – um círculo de estrelas – estaria inspirado na visão de Nossa Senhora no Apocalipse.

Mas toda a política da UE foi desde o início de achincalhar os princípios cristãos. Nisso deu o espírito democrata-cristão!

Não foi apenas mais um ato persecutório anticristão da UE.

Na EU proibido falar 'Natal'. 'Il Giornale' de Milão. Na foto a presidente da Comissão Europeia Ursula von der Leyen
Na EU proibido falar 'Natal'. 'Il Giornale' de Milão.
Na foto a presidente da Comissão Europeia Ursula von der Leyen
No Reino Unido que abandonou a UE, Celia Walden pode escrever no jornal londrino “The Telegraph” que “o Natal já foi apagado há anos”, segundo registrou o site italiano “La Nuova Bussola Quotidiana”

Ela fundamentou a espantosa constatação com documentos emitidos por vários governos, todos conservadores, que banem o uso do termo Natal “para não ofender as minorias religiosas”.

Ela cita um e-mail de um funcionário do Parlamento britânico a todos os membros dizendo atender a “um aviso do Gabinete”, que é chefiado pelo chanceler conservador Boris Johnson.

Esse diz “que não devemos usar a palavra Natal porque o governo pretende ser inclusivo e algumas religiões não o celebram”.

Não se pode condenar a UE apenas por ter agido contra o Natal. É um infantilismo.

A realidade é que se a Revolução Francesa foi um “bloco”, como disse um dos seus fanáticos, o premier francês Georges Clemenceau, na qual não pode se separar uma parte “boa” de uma “ruim”, assim também de Pequim a Bruxelas, passando por Londres e tantas outras capitais, no espírito revolucionário igualitário e anticristão não se pode separar “bons” e “ruins”, “girondinos” e “jacobinos”, “conservadores” e “progressistas” pois todos fazem parte de um mesmo bloco.

É o “mundo moderno” que hoje se insurge contra o Divino Redentor e sua entrada na História acontecida maravilhosamente em Belém.

Nem “conservadores” e nem “progressistas”, nem seudo “bons” e autênticos “ruins” poderão se queixar quando o Rei dos Reis decida proceder à execução dos castigos anunciados em Fátima


terça-feira, 14 de dezembro de 2021

EUA: mais de 100.000 mortos num ano por overdose

Viciado se injeta fentanil na via pública no bairro de Tenderloin, na cidade de San Francisco
Viciado se injeta fentanil na via pública no bairro de Tenderloin, na cidade de San Francisco
Luis Dufaur
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Mais de 100.000 americanos morreram entre abril de 2020 e abril de 2021, durante a pandemia de Covid-19, por overdose de drogas, noticiou “Le Monde” de Paris.

O cômputo exato foi de 100.306 overdoses fatais, um aumento de 28,5% em relação ao mesmo período do ano anterior (78.056 mortes), de acordo com dados provisórios divulgados em novembro [2021] pelos Centros de Prevenção e Controle das doenças (CDC).

“Essas overdoses são em grande parte impulsionadas por opiáceos sintéticos, principalmente fentanil fabricado ilegalmente”, disse Deb Houry, autoridade dos CDC, em entrevista coletiva.

O tóxico é produzido em grandes fábricas da China e exportado sobre tudo para o México onde recebe o sinistro acabamento final

“Meu governo está empenhado em fazer tudo ao seu alcance para combater o vício e acabar com esta epidemia de overdoses”, disse o presidente Joe Biden.

Infelizmente muitos de seus predecessores fizeram promessas do gênero sem resultado.

“À medida que continuamos a fazer progressos para derrotar a pandemia Covid-19, não podemos ignorar esta epidemia de desaparecimentos, que afetou famílias e comunidades em todo o país”, acrescentou.

“Esta é a primeira vez que o número de mortes relacionadas às drogas atingiu tal pico”, observou o Washington Post, citado por “Le Courier International”.

Drogas químicas provenientes da China e México são as mais letais
Drogas químicas provenientes da China e México são as mais letais... e mais baratas!
As vítimas da overdose, “ou 275 pessoas por dia, seriam suficientes para encher o estádio da Universidade do Alabama”
, acrescentou o jornal de Washington D.C.

O ministro da Saúde dos EUA, Xavier Becerra, entrevistado pela rádio NPR prometeu que o governo focaria “medidas de redução de danos, como distribuição de agulhas limpas, para conter a transmissão do HIV e da hepatite entre os viciados em drogas”, acenando com paliativos que tal vez só servirão para aumentar as mortes.

Também prometeu “fornecer aos toxicodependentes tiras de teste de fentanil”, permitindo-lhes testar a composição das drogas compradas nas ruas e, se necessário, ajustar o seu consumo, pois em muitos casos vem adulteradas para pior.

Os cartéis da droga tirariam lautos benefícios com o estabelecimento de locais de injeção supervisionados, ou salas de consumo com menor risco, como propõem políticos de esquerda.

Biden também se comprometeu a “reduzir as desigualdades raciais e regionais no tratamento de viciados em drogas e, de forma mais geral, lutar para desestigmatizar as pessoas que sofrem de dependência”.

Em suma, vai aprofundar a funesta filosofia revolucionária que cada ano ceifa mais vidas num mundo sem fé.


segunda-feira, 6 de dezembro de 2021

A Imaculada Conceição e a estratégia apostólica de Pio IX face a adversários e católicos moles

Beato Pio IX proclama o dogma da Imaculada Conceição, Franceso Podesti (1800–1895), Sala dell'Immacolata, Museus Vaticano
Beato Pio IX proclama o dogma da Imaculada Conceição,
Franceso Podesti (1800–1895), Sala dell'Immacolata, Museus Vaticano
Luis Dufaur
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Não é fácil ter uma ideia da devastação que o racionalismo e o modernismo fizeram nos católicos no decurso do século XIX.

O espírito deles vinha sendo infiltrado por materialistas e revolucionários de todos os matizes, ardendo de revolta contra o sobrenatural.

Esses católicos desfibrados alegavam a precedência do “social” e até se ufanavam em se dizerem “católicos sociais”.

Na prática, sob vago véu de religião, repeliam tudo quanto não caísse diretamente sob a ação e o controle dos sentidos.

Por isto mesmo, a integridade do catolicismo, no qual o sobrenatural é visível e autêntico, foi posta de quarentena pela mídia e pelos governos secretados pela Revolução Francesa que iam derrubando as monarquias ainda impregnadas de tradição católica.

Todos os espíritos procuravam libertar-se da crença na ordem sobrenatural que não se enquadrava rigorosamente dentro das leis da natureza proclamadas por Marx, Darwin e Freud, entre outros.

Nove décimos da opinião europeia estavam eivados de racionalismo e de modernismo.

A contaminação daquelas tremendas formas de heresia não era igual em extensão e profundidade.

Mas era mais visível em uns, menos em outros, mas grassava até entre os católicos leigos os mais eminentes.

1 – havia aqueles atirados aos extremos da irreligiosidade, isto é ao ateísmo radical, o anticlericalismo militante até sanguinário;

2 – havia aqueles que, sem ter a coragem de romper com a convicção religiosa, estavam fora da Igreja, admitindo um espiritualismo ou um cristianismo vago, acomodado aos modernistas e racionalistas;

3 – havia os que se proclamavam católicos, mas sustentavam doutrinas contrárias às da Igreja;

4 – havia, por fim, aqueles que procuravam interpretar capciosamente a doutrina católica, alterando-a em alguns pontos para acomodá-la com os erros da época.

Librepensadores e revolucionários de toda espécie atacavam até pelas armas a Santa Sé. Detalhe da épica batalha de Mentana.
Libre-pensadores e revolucionários de toda espécie atacavam até pelas armas a Santa Sé.
Detalhe da épica batalha de Mentana
Estavam inteiramente fora dessa classificação, os que haviam rompido inteiramente com o espírito do século, como santos gloriosos do quilate de São João Bosco, de Santa Teresinha do Menino Jesus, de Santo Antônio Maria Claret, para citar só alguns.

Esses se conservavam sem nenhuma jaça de racionalismo ou de modernismo.

Mas nas fileiras do laicato eram tão poucos que podiam ser contados pelos dedos, especialmente nos círculos intelectuais e sociais elevados.

A Igreja parecia um imenso edifício que se esboroa aos pedaços, aliás como parece também hoje em dia.

De seus milhões de filhos, pouquíssimos conservavam seu autêntico espírito.

Na sua quase totalidade, eles conservavam apenas réstias crepusculares de Fé, que anunciavam que o dia de Deus estava chegando ao seu fim. E a noite completa não haveria de tardar.

* * *

À vista disto, como deveria agir a Santa Igreja?

As opiniões estavam divididas neste assunto que era dos mais delicados.

Uma reação clara e definida geraria imensa oposição, arrastando para a heresia explícita muitos espíritos ainda ligados mole e mediocremente à Igreja Católica.

Mas, se não se opusesse um dique formal e categórico à heresia que ia subindo, mais cedo ou mais tarde, os desastres seriam tais que a Igreja sofreria os mais tristes e mais angustiosos dias de sua existência.

O Beato Pio IX optou pela energia e convocou o Concílio do Vaticano I, a fim de decidir sobre a infalibilidade papal.

Antes mesmo desse Concílio ele proclamou como verdade infalível o dogma da Imaculada Conceição com a bula Ineffabilis Deus de 8 de dezembro de 1854.

O Beato Pio IX proclama o dogma da Imaculada Conceição. Franceso Podesti (1800–1895), Museus Vaticanos
O Beato Pio IX proclama o dogma da Imaculada Conceição.
Franceso Podesti (1800–1895), Museus Vaticanos, detalhe
Foi um grande e largo gesto de audácia enfrentando o espírito do século.

Falar em dogmas naquela época era uma temeridade. Definir dogmas novos, temeridade maior. E definir como dogmas a Imaculada Conceição e a Infalibilidade papal, em uma época tremendamente racionalista e democrática, parecia uma verdadeira loucura.

Uma imensa celeuma se levantou nos arraiais católicos quando a deliberação do Pontífice foi conhecida, maximamente a nível episcopal e cardinalício.

A oposição foi tão forte que a quase totalidade dos Bispos franceses e grande parte dos Bispos de língua alemã se opôs claramente à definição daquelas duas verdades de Fé.

Por que isto?

Não era porque discordavam delas, porque já vinham sendo professadas pela Igreja havia séculos.

Eles não queriam a proclamação desses dogmas porque achavam que o espírito do século XIX só poderia ser atraído por um largo sorriso de concessão e de tolerância.

Eles recusavam golpes de audácia e propunham uma invariável brandura para converter as massas.

Achavam eles que a firmeza da linguagem evangélica do “sim, sim; não, não” (Mateus 5:37) naquela época seria loucura, e que ante essa atitude cheia da ousadia de Nosso Senhor Jesus Cristo, todos se irritariam e se confirmariam no erro.

A única tática viável consistiria em contemporizar e conquistar por doces coexistências.

* * *

No Concílio do Vaticano, reuniu-se a Santa Igreja através de seus Bispos, iluminados pelo Espírito Santo, e a bem dizer, este problema estratégico nunca se apresentou com tanto vigor, desde o Concílio de Trento, havia três séculos.

Os fatos pareciam dar inteira razão aos Bispos de opinião diversa da do Papa. Uma celeuma imensa se levantava pela Europa. As apostasias se multiplicavam.

O Concílio discutia longa e apaixonadamente o seguinte problema:

1 – um gesto de vigor imunizaria os elementos não contagiados?

2 – ou exacerbaria os espíritos vacilantes e os levaria à heresia?

3 – sobretudo, não enraigaria no erro indivíduos que pela concessiva persuasão, poderiam ser conduzidos à Verdade?

À primeira questão, o Concílio respondeu, “sim”. Às outras duas, “não”.

Foi este o significado da promulgação solene daqueles dois grandes dogmas antes e durante o Concílio.

* * *

Imaculada Conceição,São Francisco da Penitência, Rio de Janeiro
Imaculada Conceição,
São Francisco da Penitência, Rio de Janeiro
Rios e rios de tinta se gastaram para provar que o Concílio era retrógrado e obscurantista. O filósofo republicano brasileiro Rui Barbosa escreveu seu famoso “O Papa e o Concílio”, um ensaio introdutório ao teólogo excomungado Johann Joseph Ignaz von Döllinger que elogiou como “uma tese contra a inabilidade papal” onde “a revolta contra a Igreja era franca e declarada...”. Cfr. verbete “Ruy Barbosa”.

Entretanto, os resultados esperados pelo Beato Pio IX não se fizeram esperar muito.

Em primeiro lugar, os católicos sérios deram sua adesão incondicional ao Papa.

No seio do povo, as verdades definidas foram aceitas graças ao vigor com que a Igreja as promulgara.

Nos círculos intelectuais, a energia do Papa lhe atraiu o respeito geral.

O racionalismo e o modernismo foram decaindo. E, em poucos anos a Igreja havia esmagado o dragão que ameaçou devorá-la.

* * *

A festa da Imaculada Conceição comemora também esse acontecimento histórico.

Erraram os que condenaram as manifestações vigorosas da Fé naquele momento e para tudo e sempre.

Ficaram taxados de estultice aqueles que julgaram imprudente e contraproducente a energia e o vigor combativo dos filhos da Luz contra os filhos das Trevas.

Foi o triunfo formidável e definitivo do Beato Pio IX com o vigor comunicado pela Santíssima Virgem que esmaga perpetuamente a cabeça da serpente.

O modernismo e o racionalismo foram enfrentados e esmagados.

Mas, como fazem os insetos daninhos, eles se dissimularam em recantos assumindo a forma de mil erros diversos que voltaram a atacar no século XX e prosseguem até hoje.

A Imaculada Conceição, entretanto, não cessou e nunca cessará de esmagar a cabeça da serpente, quer dizer dos erros que reaparecem renovados e até piorados em hereges escancarados ou em católicos amolecidos.

A festa da Imaculada Conceição é a festa que comemora o momento iminente, já no terceiro milênio, em que o magnífico golpe do espírito de Fé e coragem do Beato Papa Pio IX há de ser renovado num gesto da Igreja que passará para a História.




terça-feira, 23 de novembro de 2021

Telas digitais: “fábrica de cretinos”?

As crianças não se inteligentizam com as telas digitais. Elas se cretinizam, diz cientista
As crianças não se inteligentizam com as telas digitais.
Elas se cretinizam, diz cientista
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs







“A Fábrica de Cretinos Digitais”: o título é chocante para um livro de um sisudo neurocientista e ainda mais quando pretende elencar os efeitos das telas digitais.

Porém foi o escolhido pelo neurocientista francês Michel Desmurget, autor do libro recém-lançado em português “A Fábrica de Cretinos Digitais”, pela editora Vestígio (BH, 2021, 352 págs.), após ser traduzido em outras línguas.

O neurocientista constata entre os efeitos “constante bombardeio perceptivo; desmoronamento das trocas interpessoais (especialmente intrafamiliares); perturbação tanto quantitativa quanto qualitativa do sono; amplificação das condutas sedentárias; e insuficiência de estimulação intelectual crônica”.

Uma conjunto demolidor do equilíbrio da saúde e da mente de uma criança. E é só um resumo.

O autor analisa diversos estudos clínicos e o resultado é uma chuva de denúncias científicas contra a onipresença de celulares, tablets, videogames, internet e redes sociais na rotina dos mais jovens.

O autor não é um qualquer um, mas é diretor de pesquisa do Instituto Nacional de Saúde e Pesquisa Médica da França.

Ele recorre à sua experiência na neurociência cognitiva e a centenas de trabalhos feitos com crianças e adolescentes para fundamentar a tese de que o uso abusivo de telas está piorando o desenvolvimento físico, psíquico e emocional da nova geração.

E o faz de modo bem convincente!

Diogo Sponchiato, que escreve para Veja Saúde e nos fornece estas ricas informações, conta que como pai de um bebê de 6 meses, ficou assustado com o impacto de algumas horas diárias de vídeos ou joguinhos pelo celular na cabeça e no corpo da criançada.

O neurocientista Desmurget não prega a destruição de smartphones e reconhece o lado bom da tecnologia. E é equilibrado na crítica, mas alerta as famílias e as associações educativas que não prestam a atenção devida ao que está danificando filhos e alunos.

O autor: o investigador francês Michel Desmurget
O autor: o investigador francês Michel Desmurget
“A Fábrica de Cretinos Digitais” foi publicado originalmente na França antes da pandemia. Mas com o isolamento social, milhões de meninos e meninas tiveram que ficar confinados em casa com “lives” e aulas pelas telas digitais.

E os argumentos do professor cresceram em validade.

O Fundo de Emergência Internacional das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) visualiza uma avalanche de transtornos mentais entre os jovens, e os especialistas concordam que o aprendizado virtual não substitui o presencial.

Desmurget se preocupa especialmente pelos bebês abduzidos por vídeos no YouTube, pela molecada jogando videogame, pelos adolescentes hipnotizados por redes sociais; e até pela família, pais e filhos vendo horas ininterruptas de TV.

Com farta documentação científica, o pesquisador francês explica que o uso exagerado de telas compromete o desenvolvimento emocional, intelectual, somático e social.

As crianças deixam de interagir com gente e abrem mão de atividades mais instigantes aos neurônios, como a leitura.

Horas vidrado numa tela significa menos horas com o corpo em movimento. E aí está a epidemia de obesidade infantil!

O organismo sai bagunçado: a quantidade e a qualidade do repouso noturno saem prejudicadas, sobretudo se o consumo de jogos, vídeos e afins acontecer depois que o sol se põe.

A noção de que haveria “nativos digitais” — quer dizer a ideia de que as crianças do século XXI já nascem sabendo mexer com smartphones e computadores – é uma perigosa bobagem, segundo o neurocientista.

Filhos menos inteligentes que os pais
Filhos menos inteligentes que os pais
Temos o mesmo cérebro de nossos antepassados de milhares de anos atrás e, se o bombardeio digital mexeu com nossos neurônios, foi para pior.

Outra ilusão: os videogames tornam os jovens mais habilidosos e inteligentes.

Desmurget defende que jogos educativos têm sua razão de existir. Porém os games que simulam a vida real ou são cheios de conteúdos violentos não estimulam o desenvolvimento cerebral.

Adolescentes expostos a jogos “pesados” estão mais sujeitos a violência e comportamentos de risco como, aliás, o prova o bom senso.

A recomendação da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) é de que o uso de telas, com bom senso, só pode começar a partir dos 2 anos de idade. Para Desmurget o cenário ideal é: nada de telas até os 6 anos.

Dos 6 em diante, no máximo meia hora de tela por dia, passando a 60 minutos a partir dos 12.

No livro, o neurocientista lista e explica muitos outros cuidados, incluindo evitar vídeos e games antes de ir à escola e antes de dormir, não ter telas no quarto, limitar o tipo de conteúdo a que os pequenos são expostos etc.

Não dá para terceirizar a criação às telas, até porque as grandes companhias por trás dessas plataformas só querem que, a despeito da idade, a gente fique horas e horas submersos nelas.

Há mais vida e saúde lá fora! exclama ponderadamente Diogo Sponchiato.


terça-feira, 9 de novembro de 2021

Real Academia Espanhola repele “linguagem inclusiva”

Real Academia Espanhola
Real Academia Espanhola
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs








A Real Academia Espanhola (RAE) cujo juízo sobre a língua espanhola tem valor legal sobre a segunda língua mais falada no mundo, depois do mandarim, ou pelo menos 406 milhões de falantes em 22 países onde é língua oficial voltou a recusar a “linguagem inclusiva”, noticiou “La Nación”.

Em resposta a uma consulta à RAE que vigia pelo bom uso da língua espanhola destacou que a gramática masculina “está firmemente estabelecida” e “não implica qualquer discriminação sexista”.

A RAE explicou que o “que se costuma usar como 'linguística inclusiva' e um conjunto de estratégias para evitar o uso genérico da gramática masculina, mecanismo firmemente estabelecido na linguagem e que não implica qualquer discriminação sexista”.

Não é a primeira vez que a instituição madrilena com autoridade universal sobre a língua espanhola repele o uso dito “inclusivo” na língua.

O “inclusivo” é uma forma de expressão que muda a letra final das palavras que concluem em “o” para fecha-las com uma “e”, ou algo mais confuso como a arroba @.

Real Academia Espanhola
Real Academia Espanhola
Também muda o final de termos como “todos” por “todes” ou “nosotros” (nós) por “nosotres” com o pretexto “incluir” as pessoas que estariam sendo excluídas pela terminação masculina.

Em dezembro de 2020, a RAE também mostrou que:

“O uso da letra ‘e’ como sinal de gênero supostamente inclusiva é alheio à morfologia do espanhol, além de desnecessário, uma vez que o masculino gramatical (por exemplo em ‘meninos’) já cumpre essa função como termo general”.

A Real Academia também se manifestou contra a tentativa de a Espanha mudar os textos da Constituição nacional para incorporar a “linguagem inclusiva”.

Na ocasião, em janeiro de 2020, o pronunciamento da entidade afastou as modificações como carentes de inteligibilidade gramatical ou semântica.



sábado, 30 de outubro de 2021

Halloween é a gargalhada de Satanás

Dallas a polícia não fez nada porque era uma forma lúdica do Halloween
Dallas: a polícia não fez nada porque era uma forma lúdica do Halloween
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
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Na Festa de Todos os Santos (1º de novembro) se comemora a memória de todos os santos e mártires, conhecidos ou não, com a certeza de que eles já estão com no Céu, intercedendo por nós junto a Nosso Senhor Jesus Cristo.

Entre eles desejamos que estejam nossos antepassados mais queridos. E rezamos para que, se pela Justiça Divina se encontrem no Purgatório, a Misericórdia de Deus pela intercessão de Maria Santíssima os resgate e os leve logo ao Céu. Intenção pela qual devemos rezar especialmente no dia de Finados (2 de novembro).

Mas nesta crise de descristianização que se alastra desde o Concilio Vaticano II, está entrando um outro costume com aparências de brincadeira na véspera da Festa de Todos os Santos.

É o Halloween, durante o qual se veste e decora-se a casa com objetos e cenas que se inspiram em coisas demoníacas. Destaca-se neste ano a aterradora exibição “artística” de Halloween em Dallas (EUA) feita pelo artista plástico Steven Novak, noticiada pelo periódico “La Nación”.

Ele montou no jardim dianteiro de sua casa uma cena de terror com manequins-cadáveres sadicamente assassinados entre poças de sangue.

terça-feira, 26 de outubro de 2021

Empobrecimento da linguagem arruina o pensamento

Christophe Clavé: sem linguagem apurada não há pensamento nem futuro
Christophe Clavé: sem linguagem apurada
não há pensamento nem futuro
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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Pesquisadores em ciências cognitivas constatam desde a década de 1980, que há uma queda no Quociente Intelectual (QI) médio nos países mais desenvolvidos noticiou a Agence Économique et Financière de Zurich (AGEFI).

Essa perda está associada ao depauperamento da linguagem verificado em numerosos estudos e experimentada incessantemente nas redes sociais, alertou Christophe Clavé, mestre da estratégia empresarial da INSEEC Business School of Economics, grupo francês especializado no ensino de gestão com filiais em Londres e São Francisco.

Não se trata só da redução do vocabulário, mas também do esquecimento das complexidades da linguagem que permitem exprimir um pensamento sutil, útil para as negociações de toda espécie, empresariais, políticas, sociais, etc.

Por exemplo, observou Clavé, a entrada em desuso dos tempos verbais restringe o pensamento ao presente.

A inteligência, então, fica confinada ao instante em que o homem vive e o torna incapaz de fazer projeções no tempo, tirar lições do passado ou fazer cálculos para o futuro.