terça-feira, 7 de janeiro de 2020

Sínodo chorou índios “exterminados” e ignorou os cristãos deveras massacrados

Chão da igreja copa de São Jorge encharcado de sangue cristão, Tant, Egito. Para eles não há Sínodo, escreve Meotti
Chão da igreja copa de São Jorge encharcado de sangue cristão, Tant, Egito.
Para eles não há Sínodo, escreve Meotti
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
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O Sínodo Pan-Amazônico de Roma tratou entre outras coisas, da “ameaça à vida”, da “inculturação e interculturalidade”, da destruição “extrativista” e dos “povos autóctones” ameaçados na sua cultura e até supervivência.

Mas, simultaneamente, grandes grupos de “povos autóctones” estavam tendo sua vida “ameaçada” de modo furioso e se defrontavam com a “destruição existencial física” sem que o Sínodo mostrasse interesse, denunciou Giulio Meotti, editor cultural do diário italiano “Il Foglio”.

Quem eram esses grupos e minorias vitimados?

São, nada mais e nada menos, como é bem conhecido, os cristãos perseguidos!

E o Vaticano não lhes dedica Sínodo algum.

“Mandaram-no negar Cristo, ao recusar deceparam sua mão direita, ao recusar novamente, deceparam o cotovelo.

“Firme na recusa, foi baleado na testa e no peito”: assim foi martirizado o pai do cristão nigeriano Enoch Yeohanna, em 2014.

Quem se importou em Roma, nos governos ou nas instituições internacionais?

Esse é um dos muitos exemplos que apresenta Meotti.

Em entrevista concedida ao jornal italiano La Stampa, o Papa Francisco salientou que um dos maiores desafios da região amazônica é a “ameaça à vida das populações e dos territórios que deriva dos interesses econômicos e políticos dos setores que dominam a sociedade.”

Esses argumentos se aplicam e com maior razão e com torrencial derramamento de sangue à “perseguição aos cristãos nos quatro cantos da terra, um dos grandes males do nosso tempo”, como define o padre Benedict Kiely, fundador da Nasarean.org, que se dedica a amenizar a perseguição aos cristãos.

“A grande mídia é incrivelmente silenciosa quando o assunto é o ataque contra cristãos.

“Na mesma semana do abominável ataque à mesquita em Christchurch, na Nova Zelândia, um crime hediondo e inescrupuloso ocorreu: mais de 200 cristãos foram mortos na Nigéria.

“Difícil foi encontrar algo a respeito do massacre desses cristãos no noticiário.

“Nada de passeatas em homenagem aos cristãos martirizados, nada de dobrar sinos a pedido de governos, nada de camisetas com 'Je suis Charlie', nem um mísero aceno de indignação popular”, acrescentou o sacerdote angustiado ante a injustiça.

Papa Francisco recebe a Raoni em propagandística e apoteótica gira na Europa previa ao Sínodo. Na mesma hora o sangue cristão corria na África e na Ásia impunemente.
Papa Francisco recebe a Raoni em propagandística e apoteótica gira na Europa previa ao Sínodo.
Na mesma hora o sangue cristão corria na África e na Ásia impunemente.
Houve mais casos. Terroristas do Boko Haram “capturaram as mulheres e as arrastaram até a periferia da cidade de Gagalari no distrito de Yagoua onde deceparam uma orelha de cada uma das vítimas” num ataque à noite na República dos Camarões, relatou a organização Barnabas Fund.

No mesmo país, dias depois, Angus Fung, tradutor da Bíblia, foi massacrado e a sua esposa teve um braço decepado.

E, prosseguindo na sinistra lista do assanhamento ignorado, o padre David Tanko foi assassinado na vizinha Nigéria, sendo seu corpo e carro incendiados.

Pouco depois, o Pe. Paul Offu, nigeriano, também foi chacinado.

Em 2018, dois padres e 13 fiéis foram massacrados num único ataque ainda na Nigéria.

Quatro cristãos de Burkina Faso foram martirizados há pouco por usarem cruzes:

“Os islamistas chegaram, forçaram todos a deitarem no chão de bruços”, relatou o bispo Laurent Birfuoré Dabiré, diocesano de Dori.

“Havia quatro usando crucifixos. Assim sendo, todos foram mortos pelo fato de serem cristãos.

“Após os assassinatos, os islamistas avisaram todos os camponeses do vilarejo que se não se convertessem ao Islã eles também seriam mortos.”

Centenas de cristãos , incluindo 433 crianças, “correm o risco de serem atacados ou terão que fugir da desenfreada violência de extremistas islamistas no Mali.”

Nesse país, no mês de junho, cem homens, mulheres e crianças foram massacrados em Sobame Da, um vilarejo de maioria cristã.

David Curry, presidente da Open Doors, ONG americana que monitora a perseguição anticristã, voltou a sublinhar que os seguidores de Cristo “são o grupo mais perseguido do mundo”.

A opressão e mutilação a que eles são submetidos é devastadora.

Na Nigéria, o Boko Haram ainda mantém sequestrada a menina Leah Sharibu porque se recusou a renunciar à fé cristã.

É o que vem acontecendo recorrentemente no Egito, onde cristãs enfrentam uma “epidemia de sequestros, estupros, espancamentos e torturas”.

Mais um atentado suicida contra igreja cristã em Peshawar, Paquistão. A preocupação vaticana é por supostas chacinas na Amazônia.
Mais um atentado suicida contra igreja cristã em Peshawar, Paquistão.
A preocupação vaticana é por supostas chacinas na Amazônia.
No continente asiático repete-se o extermínio.

No Paquistão “todos os anos pelo menos mil meninas são sequestradas, estupradas e forçadas a se converterem ao Islã, são até forçadas a se casarem com seus torturadores” ressaltou Tabassum Yousaf, advogada católica ligada à ONG italiana San Egídio.

Asia Bibi, a mais famosa dessas cristãs perseguidas, ficou injustamente presa durante uma década numa prisão paquistanesa por “blasfêmia”, a maior parte do tempo no corredor da morte, antes de ser solta.
Em maio ela foi levada para o Canadá, onde reencontrou a família. De acordo com Bibi:

“Quando minhas irmãs me visitavam na prisão eu nunca chorava na frente delas, só quando elas já haviam saído do complexo penitenciário é que eu chorava sozinha, cheia de dor e angústia. Eu costumava pensar nelas o tempo todo, como era a vida delas”.

Os satélites da NASA captaram incêndios na Amazônia. O Vaticano e líderes mundiais caíram em cima do Brasil e dos países amazônicos sul-americanos por não protegerem a floresta amazônica.

Mas um sádico paradoxo percorre o mundo: queimar, mutilar e assassinar cristãos não é monitorado por satélites, seu sofrimento não é visto nas TVs nem nos jornais.

Inhabitação diabólica nas religiões 'originárias' amazônicas é deliberadamente ignorada.
Idêntico ao silêncio sobre o demônio incubado no Islã
Porém, se não há satélites para isso, temos uma torrente de denúncias que procedem das vítimas, das testemunhas presenciais, fatos fotografados, filmados, trazidos para Ocidente e para o Vaticano por missionários e sobretudo bispos diocesanos.

Mas, na realidade, no Vaticano e nos governos ocidentais é como se a perseguição aos cristãos não existisse.

Excetuadas algumas queixas ou “exigências” verbais que não mudam o andamento das tragédias e só servem para serem arquivadas entre muitas outras declarações sem efeito.

O Vaticano, o Papa Francisco e demais clérigos reunidos em Sínodo expressaram queixas verbalmente análogas para um imaginário e inexistente extermínio de silvícolas na Amazônia.

Mas, sublinha Meotti, corria o sangre das concretas chacinas de cristãos como se os ferozes islâmicos tivessem a certeza de que nada lhes acontecerá.

E até que poderão ser convidados a um alegrote festim ecumênico!, acrescentamos nós

O Pontífice e a mídia teriam uma opção: iluminar o mundo para o drama desses cristãos perseguidos, diz Meotti.

Do contrário chegará o dia em que deverão enfrentar a acusação de cegueira deliberada.



quarta-feira, 1 de janeiro de 2020

Quem foram os Reis Magos?

'A viagem dos Magos' (1894), Jacques-Joseph Tissot (1836-1902), pintor francês.
Luis Dufaur
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Um antigo documento conservado nos Arquivos Vaticanos lança uma certa luz, embora indireta e sujeita a caução, sobre a pessoa dos Reis Magos que foram adorar o Menino Jesus na Gruta de Belém. A informação foi veiculada por muitos órgãos de imprensa e páginas da Internet.

O documento é conhecido como “A Revelação dos Magos”. Provavelmente seja algum “apócrifo”, nome dado aos livros não incluídos pela Igreja Católica na Bíblia. Portanto, não são “canônicos”, apesar de poderem ser de algum autor sagrado.

“Canônico” deriva de “Cânon”, que é o catálogo de Livros Sagrados admitidos pela Igreja Católica e que constituem a Bíblia. Este catálogo está definitivamente encerrado e não sofrerá mais modificação.

Há uma série de argumentos profundos que justificam esta sábia decisão da Igreja.

Entretanto, uma extrema ponderação em apurar a verdade faz com que a Igreja não recuse em bloco esses “apócrifos” e reconheça que pode haver neles elementos históricos ou outros que ajudem à Fé.



segunda-feira, 23 de dezembro de 2019

Por que se faz a “Missa do Galo” na noite de Natal?

Galo no topo da catedral São Vito, Praga
Galo no topo da catedral São Vito, Praga
Luis Dufaur
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“Missa do Galo” é o nome da celebração litúrgica da meia-noite, na véspera do Natal.

A expressão vem da tradição segundo a qual à meia-noite do dia 24 de dezembro um galo cantou mais fortemente que qualquer outro, anunciando o nascimento do Menino Jesus.

Assim como o galo anuncia o nascer do sol e seu canto preludia o amanhecer, assim também a “Missa do Galo” comemora e canta o nascimento de Jesus, o Sol nascente que, clareando a escuridão do pecado, veio nos remir.

O galo foi escolhido como símbolo desta celebração porque ele representa, histórica e tradicionalmente, a vigilância, a fidelidade e a fé proclamada no auge das trevas.

Por isso podemos ver, no topo do campanário das igrejas, um galo proclamando para todos os quadrantes que Jesus nasceu.

A celebração é feita à meia-noite porque o nascimento ocorreu por volta dessa hora. A “Missa do Galo” foi celebrada pela primeira vez no século V pelo Papa Xisto III na então nova basílica de Santa Maria Maior, onde são hoje veneradas as relíquias do Santo Presépio, conservadas em artístico relicário.

Nos primórdios da Igreja, os cristãos se encontravam para rezar na cidade de Belém à hora do primeiro canto do galo. Com a expansão da Igreja, na vigília do Natal os fiéis se reuniam na igreja mais próxima e passavam a noite rezando e cantando.

Em algumas aldeias espanholas era costume os camponeses levarem um galo à igreja para que ele cantasse na missa.

A igreja era toda iluminada com lâmpadas de azeite e tochas. As paredes eram revestidas com panos e tapetes. O templo era perfumado com alecrim, rosmaninho e murta.

Desde o início desta devoção a véspera de Natal é suave e nobremente jubilosa. Por isso é chamada de Noite Santa. Seus cânticos são festivos, como o tradicional Glória litúrgico.

Adoração do Menino Jesus no fim da Missa do Galo, igreja do Oratório, Londres
Adoração do Menino Jesus no fim da Missa do Galo, igreja do Oratório, Londres
Segundo uma tradição católica muito generalizada, os fiéis iam acendendo uma vela a mais em cada semana do Advento, ou período de quatro domingos antes do Natal.

Elas já estavam todas acesas na “Missa do Galo”, solenemente celebrada e na qual a comunhão era oferecida pelo nascimento do Messias.

Em Roma, o Papa deve conduzir pessoalmente a celebração, pois ele é sucessor de Pedro, o Apóstolo designado pelo próprio Jesus para primeiro monarca da Igreja (Mt 16,18).

O Natal é uma das raríssimas datas litúrgicas que contemplam três Missas diferentes: a da noite, a da aurora e a do dia.

Segundo São Gregório Magno, a Missa da noite, ou “do Galoin galli cantu (à hora em que o galo canta) comemora a vinda de Jesus à Terra; a Missa da aurora, celebrada logo depois, comemora o nascimento de Jesus no coração dos fiéis; a Missa do dia, ou Missa de Natal propriamente dita, evoca o nascimento do Verbo de Deus.

A Missa começava com um cântico natalício. No momento do “Gloria in excelsis Deo”, as campainhas tocavam para assinalar o nascimento do Redentor. No fim da celebração, todos iam oscular o Menino. Em algumas Igrejas, o presépio permanecia coberto até o momento do cântico.

De início jejuava-se durante a vigília, como forma de desprendimento e convite à contemplação do grande mistério que vai se celebrar. Comia-se apenas peixe — e em Portugal bacalhau, costume que ainda perdura em muitos lares brasileiros.

Depois que se aboliu o jejum, o povo continuou a chamar a ceia de Natal de “consoada”, embora esta tenha passado a ser mais abundante. “Consoada” significa pequena refeição e surgiu no século XVII. Era feita após a “Missa do Galo”.

Os fiéis chegando para a 'Missa do Galo' (Clarence Gagnon,1933)
Os fiéis chegando para a 'Missa do Galo' (Clarence Gagnon,1933)
Até a revolução “pós-conciliar”, após a “Missa do Galo” as famílias voltavam para suas casas, colocavam a imagem do Menino Jesus no Presépio, cantavam e rezavam em seu louvor, faziam a Ceia de Natal e trocavam presentes.

O nome “Missa do Galo” usa-se apenas em português e espanhol. Na maior parte do mundo chama-se simplesmente Missa da noite de Natal ou Missa da meia-noite.

Na Espanha havia uma tradição peculiar: “Antes de baterem as 12 badaladas da meia-noite de 24 de dezembro, cada lavrador da província de Toledo matava um galo, em memória daquele que cantou três vezes, quando Pedro negou Jesus, por ocasião da sua morte”.

Em seguida, a “ave era levada para a igreja e oferecida aos pobres”, informa a agência católica Ecclesia.

Apesar do laicismo moderno e da escalada do ateísmo materialista, nessa abençoada noite as catedrais de Paris, Londres, Barcelona e muitas outras se enchem, para acompanhar os coros que cantam as santas alegrias do Natal iminente... até o galo cantar anunciando a Boa Nova!



"Stille Nacht, Heilige Nacht" (Noite silenciosa, noite santa, Alemanha)




"Il est né le Divin Enfant" (Nasceu o Divino Menino, França)




"Gabriel, fram Heven-King" (Gabriel anunciou o Rei do Céu, Inglaterra)





"Pastores loquebantur" (Os pastores falavam, Daniel Bollius)





"Adeste fideles" (Vinde, fiéis, Daniel tradicional)





"Canta ruiseñor" (Canta rouxinol, Peru, tradicional)





"O du fröhliche, o du seliche" (O você feliz, oh você mesmo, Alemanha)





"Dormi Jesu dulcissime" (Dorme, oh meu docíssimo Jesus, Pal Esterhazy, Áustria)






domingo, 22 de dezembro de 2019

Os melhores votos de um Santo Natal e alvissareiro Ano Novo!

Luis Dufaur
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Clique aqui para ouvir Jesu Redemptor omnium (Natal/Ferdinando III, imperador do Sacro Império)




Clique aqui para ouvir Die Geburt unsers Herren Jesu Christi (Natal/Heinrich Schutz):


Clique aqui para Resonet in laudibus (Natal/Josef Pavel):


Clique aqui para Ave Maria (Natal/tradicional):


Clique aqui para Laudate Dominum (Natal, França):


Clique aqui para Pastores loquebantur (Natal/Daniel Bollius):


Clique aqui para Jesu Redemptor omnium (Natal/Ferdinando III, imperador do Sacro Império) Navidad Christmas Weihnach Noel:



Clique aqui para Salvator Noster (Natal/Giovanni Gabrielli):


Clique aqui para Da das der König Herodes... Zu Bethlehem (Natal/Heinrich Schutz): 


Clique aqui para Vom Himmel hoch ihr Engel kommt (Natal/Alemanha):


Clique aqui para Les anges dans nos campagnes (Natal, França):


Clique aqui para Il est né le Divin Enfant (Natal, França):


Clique aqui para En natus est Emmanuel (Natal, França):


Clique aqui para Carillhão das horas, Notre Dame de Paris:


Clique aqui para O du fröhliche, o du selige (Natal, Alemanha):


Clique aqui para Süsser die Glocken nie klingen (Natal, Alemanha):


Clique aqui para Audite principes (Natal/Giovanni Gabrielli):


Clique aqui para Adeste fideles (Natal, tradicional):


Clique aqui para Ronda de Navidad (Natal, Peru):


Clique aqui para Canta ruiseñor (Natal, Peru):


Clique aqui para Rey a quien adoran (Natal, Espanha):


Clique aqui para Encantamiento de Nochebuena (Natal, Peru):


Clique aqui para Noturno de Natal, André da Silva Gomes (Brasil):


Clique aqui para 'Tú, mi Dios, entre galas' (Natal, Cuba):


Clique aqui para Dormi Jesu dulcissime (Natal/Pal Esterhazy):


Clique aqui para “Hodie Christus natus est”:


Clique aqui para “O magnum mysterium (Natal/Giovanni Gabrielli):


Clique aqui para o Noturno de Natal 7, André da Silva Gomes (Brasil):


Clique aqui para Resonet in laudibus (Natal/Michael Praetorius):


Clique aqui para Khindl wiegen auf Weihnachten (Natal/Pater Ignatius):





quinta-feira, 19 de dezembro de 2019

Sermão de Natal pregado por São João de Ávila


Sermão de Natal pregado por São João de Ávila
no dia de Santo Estevão (26 de dezembro)

O Menino chora na estreiteza do estábulo. Por que choras, Menino bom? Estará aqui presente algum grande pecador que trema quando Deus lhe disser: – “Onde estás?”?

Que grande mal tê-lo ofendido muito, lembrar-se de vinte anos de grandes ofensas! Que resposta darás quando Deus te interpelar?

Assim como tu tremes, tremiam os irmãos de José quando este lhes disse: “Eu sou José, vosso irmão, que vós vendestes (Gên 45, 4).

E eles pensaram: “Infelizes de nós! Ele agora é Rei. Há de querer matar-nos, tem motivos e pode fazê-lo”. Tremiam.

É o pecador que treme por ter ofendido a Deus. Ofendestes a Deus e por isso tendes razão em tremer. Convido os que estão em erro, os que têm a consciência pesada e os grandes pecadores a ir até à manjedoura ver o Menino chorar.

Por que chorais, Senhor? Os irmãos daquele José não ousavam aproximar-se dele, até que o viram chorar: ”Eu sou vosso irmão, aproximai-vos, não tenhais medo.

José levanta a voz, chora e, não contente com isso, conforme diz a Sagrada Escritura, beijou em seguida a cada um dos seus irmãos, chorando com todos eles (Gên 45, 15), e os irmãos pediram-lhe perdão.




– “Não tenhais receio (Gên 45, 5)” – dizia-lhes ele –, “vendestes-me por maldade, mas, seu não tivesse vindo para cá, todos morreríeis de fome. Deus tira dos males o bem”.

Menino, por que chorais? – “Para que os pecadores compreendam que, embora tenham pecado, devem aproximar-se de Mim sem temor, se se arrependerem de ter-Me ofendido”.

O Menino chora de ternura e amor. Bendito Menino! Quem Vos colocou nessa manjedoura senão o amor que tendes por mim? Fomos maus e ingratos, como contra o nosso irmão José. Vendemo-lO.

Um disse: – “Prefiro cometer uma maldade a ficar com Cristo”.

Presépio bordado pelas dominicanas de Stone, Staffordshire, Inglaterra
Presépio bordado pelas dominicanas de Stone,
Staffordshire, Inglaterra
Outro disse: – “Prefiro um prazer da carne a Ele”. Vendemos o nosso Irmão, traí-mo-lO.

E José, o santo, convida-nos a aproximar-nos da manjedoura e a ouvir esse choro causado por cada um de nós.

Se olhásseis para esse Menino com os olhos limpos, se adentrásseis na Sua alma, encontraríeis uma inscrição que vos diria: “Estou chorando por ti”, pois desde a concepção Ele teve conhecimento divino e conhecia todos os nosso pecados e chorava por eles.

E se está chorando pelos nossos pecados, que pecador não sentirá confiança, se quiser corrigir-se?

Há algo no mundo que inspire mais confiança do que ver Cristo numa manjedoura, chorando pelos nossos pecados?

Por que chorais? Que fazeis, Senhor?

– “Começo a fazer penitência pelo que tu fizeste”.

Pois bem, que fará um cristão que olhe com olhos de fé para Cristo que chora pelos seus pecados?

Ai de mim, porque tarde Vos conheci, Senhor! Ai de mim por tantos anos perdidos sem Vos conhecer! Quem se deixará dominar pela tibieza ao ver Deus humanado chorar?

terça-feira, 17 de dezembro de 2019

Costumes católicos do Natal: uma arca de tesouros espirituais, culturais e até gastronómicos!


Luis Dufaur
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Na lista de links que segue a continuação, clicando o leitor encontrará um rica explicação de cada um desses santos e deliciosos costumes católicos natalinos.





























sábado, 14 de dezembro de 2019

Vencendo as trevas, a Luz de Cristo que brilha no Natal jamais se extinguirá

Luis Dufaur
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O Natal é comemorado em toda a face da Terra.

Mas, cada povo o comemora a seu próprio modo.

Por quê?

A Igreja Católica, vivendo na alma de povos diferentes, produz maravilhosas e diversas harmonias. Ela é inesgotável em frutos de perfeição e santidade.

Ela é como o sol quando transpõe vidros de cores diferentes. Quando penetra num vitral vermelho, acende um rubi; num fragmento de vitral verde, faz fulgurar uma esmeralda!

O gênio da Igreja passando pelos povos alemães produz algo único; passando pelo povo espanhol faz uma outra coisa inconfundível e admirável, e depois mais aquilo e aquilo outro num outro povo, num outro continente, numa outra raça.

No fundo é a Igreja iluminando, abençoando por toda parte. É Deus que na Sua Igreja realiza maravilhas da festa de Natal.

Canta a liturgia : “Puer natus est nobis, et Filius datur est nobis...”

“Um Menino nasceu para nós, e o Filho de Deus nos foi dado.

“Cujo império repousa sobre seus ombros e o seu nome é o Anjo do Grande Conselho”.

“Cantai a Deus um cântico novo, porque fez maravilhas”.

Veja vídeo
Vídeo: Igreja Católica:
alma do Natal
Aquele Menino nos foi dado — e que Menino! Então, cantemos a Deus um cântico novo.

O Natal do católico é sereno, cheio de significado, e ao mesmo tempo elevado como o interior de uma igreja!

A vitalidade inesgotável da festa natalina é sobrenatural, produz na alma católica uma paz profunda, uma sede insaciável de heroísmo, e um voltar-se completamente para as coisas do Céu.

No Natal, a graça da Igreja brilha de um modo especial na alma de cada católico. E de cada povo que conserva algo de católico na face da Terra inspirando incontáveis formas de comemorar o nascimento do Redentor!

Porque a Igreja é a alma de todos os Natais da Terra!



Vídeo: A Igreja Católica: alma do Natal



terça-feira, 3 de dezembro de 2019

A Imaculada Conceição glorificada à revelia
até por ... um diabo!

Imaculada Conceição,São Francisco da Penitência, Rio de Janeiro
Imaculada Conceição,
São Francisco da Penitência, Rio de Janeiro
Luis Dufaur
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A devoção à Imaculada Conceição de Nossa Senhora vem dos tempos apostólicos.

Na Idade Média, porém, adquiriu enorme força e extensão.

Por fim, no século XIX foi proclamada dogma da Igreja Católica. Nenhum católico pode negá-la ou pô-la sequer em dúvida, sem cair em heresia e ficar fora da Igreja.

Por isso, nesta magna festa, reproduzimos o fato seguinte acontecido no século XIX.

No dia 8 de dezembro de 1854, o Bem-aventurado Papa Pio IX promulgou solenemente o dogma da Imaculada Conceição de Maria, Mãe de Deus Encarnado, Nosso Senhor Jesus Cristo.

E no dia 25 de março de 1858, festa da Anunciação do Anjo a Nossa Senhora e da Encarnação do Verbo, a Santíssima Virgem se manifestou em Lourdes a Santa Bernadete.

Nesse dia Ela confirmou o dogma, dizendo: “Eu sou a Imaculada Conceição”. E inaugurou uma torrente de milagres que não cessa até hoje!

Poucas pessoas sabem que em 1823, trinta anos antes da proclamação desse magnífico dogma, dois sacerdotes exorcistas obrigaram um demônio que possuía um rapaz a cantar o louvor dessa santa verdade.

E o demônio teve que fazê-lo, obviamente a contragosto, mas com uma rima poética que reverenciou a glória de Nossa Senhora.

O demônio é “espírito de mentira”, mas o exorcismo pode obrigá-lo a dizer a verdade, inclusive sobre matérias de Fé, como a divindade de Jesus Cristo, as virtudes da Imaculada Virgem, a existência do Paraíso, do inferno, etc.

Foi o que aconteceu com o demônio que tinha entrado num jovem analfabeto de apenas doze anos, residente em Adriano di Puglia, Itália, hoje Ariano Irpino, na província e diocese de Avellino.

Os exorcistas foram dois religiosos dominicanos, o Pe. Gassiti e o Pe. Pignataro, que estavam na cidade pregando uma missão.

Eles haviam recebido o “placet”, ou autorização do bispo, para fazer o exorcismo.

E obrigaram então aquele demônio a responder a muitas perguntas, entre as quais, uma sobre a Imaculada Conceição.

Apesar de o diabo dar sinais de máxima contrariedade, os exorcistas lhe impuseram que falasse sobre o especialíssimo privilégio concedido por Deus a Maria Santíssima.

O demônio então confessou que a Virgem de Nazareth jamais esteve sob seu poder, nem mesmo por um só instante. Pelo contrário, confessou que desde o primeiro instante de sua vida Ela sempre esteve “cheia de graça” e foi toda de Deus.

E o diabo pôs em verso a glória da Imaculada que o esmaga eternamente.
Santa Maria de los Reyes, Laguardia, Espanha
Os dois exorcistas obrigaram o espírito das trevas a testemunhar a Imaculada Conceição sob a forma de versos poéticos.

E o demônio, que se perdeu por culpa própria e conhecendo perfeitamente as coisas, compôs na língua italiana um soneto impecável, perfeito como construção poética e como teologia.

Como a tradução para o português prejudica a rima, nós o reproduzimos em italiano no final do post:
Eu sou Mãe verdadeira de um Deus que é Filho
e sou filha dEle, embora seja sua Mãe;
Ele nasceu ab aeterno e é meu Filho,
Eu nasci no tempo e, entretanto, sou sua Mãe.

Ele é meu criador, porém é meu Filho,
Eu sou sua criatura, porém sou sua Mãe;
Foi um prodígio divino Ele ser meu Filho
Um Deus eterno me ter por Mãe.

A vida é comum entre a Mãe e o Filho
Porque o Filho recebe o ser da Mãe,
E a Mãe recebeu o ser do Filho.

Ora, se o Filho recebeu o ser da Mãe,
Ou se diz que o Filho nasceu com mancha,
Ou foi a Mãe que foi concebida sem mancha.

Imaculada Conceição em Lourdes, França
Imaculada Conceição em Lourdes, França
Se não formos piores que esse demônio do inferno, ajoelhemo-nos diante da Imaculada Virgem e veneremo-la pelos séculos dos séculos, dizendo:

“Ó Maria, concebida sem pecado, rogai por nós que recorremos a Vós”.

Em italiano:
Vera Madre son Io d’un Dio che è Figlio
e son figlia di Lui, benché sua Madre;
ab aeterno nacqu’Egli ed è mio Figlio,
in tempo Io nacqui e pur gli sono Madre.

Egli è mio creator ed è mio Figlio,
son Io sua creatura e gli son Madre;
fu prodigo divin l’esser mio Figlio
un Dio eterno, e Me d’aver per Madre.

L’esser quasi è comun tra Madre e Figlio
perché l’esser dal Figlio ebbe la Madre,
e l’esser dalla Madre ebbe anche il Figlio.

Or, se l’esser dal Figlio ebbe la Madre,
o s’ha da dir che fu macchiato il Figlio,
o senza macchia s’ha da dir la Madre

Fonte: “Chiesa viva”, Maio 2012


terça-feira, 26 de novembro de 2019

Ao comermos sem convívio diante de uma tela digital voltamos à pré-história

A reunião em volta “da mesa comum, que uniu os seres humanos durante 150.000 anos, pode desaparecer”
Luis Dufaur
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A reunião em volta “da lareira, da panela e da mesa comum, que uniu os seres humanos durante pelo menos 150.000 anos, poderia desaparecer”, segundo o historiador inglês Felipe Fernández Armesto.

O paradoxo é que esse retrocesso é obra da tecnologia.

O professor Felipe é autor do ensaio Comida, culinária e civilização (ed. Tusquets), sobre a história da refeição, no qual demonstra que “se comermos sem contato de alma em frente das telas digitais, voltaremos três milhões de anos atrás”.

Professor convidado de universidades e institutos de pesquisa, Fernández Armesto é autor de um grande número de obras ligadas à história com uma perspectiva sociológica e cultural.

“Se deixarmos a mesa familiar, se comermos na frente das telas ou caminhando isolados pelas ruas, voltaremos a um estágio na história próprio dos hominídeos pré-civilização.

“A um sistema de vida semelhante ao de dois ou três milhões de anos atrás, dos hominídeos catadores que comiam desesperadamente, sem pensar nas possibilidades de usar a mesa para criar sociedade, promover afeto e planejar um futuro melhor”, disse, em entrevista a “La Nación”.

Família feliz pelo contato com o smartphone, mas cessou o relacionamento de alma
Família feliz pelo contato com o smartphone,
mas cessou o relacionamento de alma
Fernández Armesto observa que “não pode haver convívio sem refeição partilhada, da mesma maneira como é “impossível imaginar uma economia sem dinheiro” ou sem intercâmbio.

Portanto, é “legítimo considerar a refeição como o momento mais importante do mundo: é o que mais ocupa a maioria das pessoas na maioria das vezes”, deduz ele.

Segundo o pesquisador, as causas que contribuem para o desaparecimento gradual do hábito de se sentar juntos para comer e conviver são “mudanças sociais paradigmáticas” que causam danos que “estão ocorrendo”.

Quais?

O “desligamento familiar, golpes intergeracionais, anomia, rejeição de tradição, abandono do senso de pertencer à mesma família humana, no bom sentido da palavra, a predominância de um individualismo existencialista alheio à necessidade humana de manter relações vivas com outros seres humanos de carne de osso”.

Jesus escolheu refeições para o início de sua pregação até a Ultima Ceia.
Bodas de Canaã, Gérard David (1460 — 1523), Louvre
O autor se posiciona num ponto de vista sociológico e ético.

Porém, se analisarmos os ensinamentos do catolicismo, encontraremos altos momentos religiosos em que Deus escolheu refeições para marcar momentos augustos da Revelação.


Cristo começou a vida pública participando de um grande banquete: o das bodas de Canaã.

Ali fez seu primeiro milagre para um grande número de pessoas: transformou a água das ânforas num precioso vinho.

Quando chegou a noite junto ao Lago de Galileia e Jesus percebeu que as multidões estavam sem comer.

Ele sentiu que passavam fome como um rebanho sem pastor, multiplicou poucos pães e peixes e mandou os Apóstolos distribuí-los com tanta abundância que sobraram cestos cheios.

Simbolizou que a Igreja deveria alimentar os povos com a palavra do Evangelho e que os Apóstolos voltariam com tantas conversões que encheriam cestas.

Quando os judeus saíram da escravidão do Egito, a primeira instrução de Moisés foi que jantassem bem. É a origem da ceia pascal que reeditamos até hoje no Domingo de Páscoa.

E foi precisamente durante uma ceia pascoal que Jesus instituiu a Missa e a Eucaristia, cujos significados místicos são frequentemente associados à alimentação em torno de uma mesa, obviamente sagrada: o altar.

O fim do hábito de se sentar juntos para comer está causam danos mentais e sociais
O fim do hábito de se sentar e se relacionar para comer causa danos mentais e sociais
Outra prefigura eucarística é o maná que alimentou os judeus no deserto.

Após a Ressurreição, Jesus se tornou patente aos apóstolos na hora de partir o pão na mesa em Emaús. E assim poderíamos prosseguir de modo intérmino.

Basta mencionar que as grandes festas litúrgicas ou religiosas são acompanhadas com nobres, mas deliciosas refeições em comum, familiares e sociais, como no Natal, na Páscoa, nas festas dos padroeiros, etc.

Porém, o professor que citamos observa que sob o pretexto de progresso e modernidade estamos regredindo ao primitivismo.

Morre o convívio, apaga-se a religião no lar e na sociedade, se estiolam a cultura e o contato entre as almas com a morte dos almoços e jantares em que predomina o contato de alma a alma.

Essa decadência está sendo feita sob o pretexto, continua o ensaísta, de “mudanças tecnológicas que facilitam o abandono social: uma rede eletrônica que não aperta sua mão nem beija seu rosto; formas de entretenimento solitário, sem trocas emocionais com outras pessoas”.

Quantas vezes num bar vemos grupos de rapazes e moças que não trocam uma palavra sequer, cada qual grudado em seu smartphone?

Ou estudantes e até professores universitários que na mesa não falam nada e no máximo cada um exibe uma imagem ou uma mensagem de texto que apareceu em seu dispositivo móvel?

No livro, o Prof. Fernández Armesto trata da história da conversa e do convívio nas refeições como assunto inseparável de outro tipo de relacionamento entre os seres humanos entre si e com a natureza: o nível da culinária que desperta a inteligência.

Ele traça conexões em cada estágio entre a comida do passado e a maneira como é consumida hoje.

Os belos serviços e talheres desaparecem e vai ficando o sanduíche dentro de um envelope num McDonald, ou fast-food equivalente, e um copo de plástico descartável sem muita preocupação se a mesa fica suja ou não, e se o conviva sentado em frente se sentiu atendido ou interpretado.

Por isso, o Dr. Fernández Armesto acha que é possível identificar na história dos povos civilizados oito revoluções na história da refeição.

Essas afetaram outros aspectos da história da humanidade, tornando-a ou mais convivial e amável, ou mais insensível e brutal.