domingo, 22 de março de 2020

São Sebastião: o grande vencedor das epidemias

São Sebastião, vencedor das epidemias. Igreja de Sant'Agostino, San Gimignano, Itália (detalhe).
São Sebastião, vencedor das epidemias.
Igreja de Sant'Agostino, San Gimignano, Itália (detalhe).
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs






São Sebastião, o famoso mártir nasceu em Narbonne (atualmente na França) no ano 256 da era cristã, foi educado em Milão, norte da Itália, de onde era sua mãe.

Seu pai era militar e ele ingressou como soldado no exército do Império de Diocleciano e logo tornou-se primeiro capitão da guarda.

Nesta época, a Igreja e os cristãos sofriam duras perseguições por parte do imperador, que queria aniquilar o cristianismo.

Porém, Sebastião confortava os cristãos presos e os exortava ao heroísmo servindo-se do prestígio de sua condição de oficial.

Acabou sendo denunciado e conduzido à presença do imperador.

Sebastião venceu todo medo e com grande sabedoria e inspirado pelo Espírito Santo increpou o imperador.

Ele defendeu fazer para o Império o melhor serviço possível denunciando o paganismo e a injustiça contra a Fé verdadeira em Cristo Salvador.

O imperador Diocleciano, duro de coração, mandou prendê-lo num tronco e trucida-lo com flechadas.

Foram tantas que acharam que estava morto sendo deixado para pasto dos animais selvagens.

Porém, Irene, viúva de do mártir São Castulo, resgatou-o secretamente e cuidou de suas diversas feridas.


Seu poder sobre as epidemias é invocado na sua Missa, na antífona da Comunhão:

“A turba dos doentes e dos que eram vexados de espíritos impuros vinham a Ele, porque d’ele saía uma virtude que os curava a todos”.

Também há diversas orações para pedir sua intercessão especialmente nas pestes, doenças e epidemias.

Reproduzimos uma mais acessível:

Glorioso mártir São Sebastião, soldado de Cristo e exemplo de cristão, hoje vimos pedir a vossa intercessão junto ao trono do Senhor Jesus, nosso Salvador, por Quem destes a vida.

Vós que vivestes a fé e perseverastes até o fim, pedi a Jesus por nós para que sejamos testemunhas do amor de Deus.

Vós que esperastes com firmeza nas palavras de Jesus, pedi-Lhe por nós, para que aumente a nossa esperança na ressurreição.

Vós que vivestes a caridade para com os irmãos, pedi a Jesus para que aumente o nosso amor para com todos.

Enfim, glorioso mártir São Sebastião,

protegei-nos contra a peste, a fome e a guerra;

defendei as nossas plantações e os nossos rebanhos, que são dons de Deus para o nosso bem e para o bem de todos.

E defendei-nos do pecado, que é o maior de todos os males. Assim seja.
Milagrosamente recuperado, Sebastião foi aconselhado por seus amigos a fugir de Roma, mas corajosamente apresentou-se novamente a Diocleciano.

Increpou-o fortemente pela perseguição aos cristãos, e Diocleciano tomado da ira de que são capazes os maus ordenou açoitá-lo até a morte.

A execução aconteceu no ano de 287 d.C. e o corpo do mártir foi resgatado e enterrado por Santa Luciana numa catacumba na Via Apia.

Posteriormente, em 680, sob o pontificado de Santo Agatão, suas relíquias foram transportadas solenemente para a Basílica de São Sebastião das Catacumbas, onde hoje são veneradas.

Naquela ocasião grassava uma peste em Roma, que vitimou muita gente.

Aquela terrível epidemia desapareceu na hora da transladação. Por esta razão os católicos veneram em São Sebastião o grande padroeiro contra a peste.

Em outras ocasiões se verificou o mesmo fato:

– foi assim no ano de 1575 em Milão,

– e em 1599 em Lisboa.

As duas cidades ficaram livres da peste pela sua intercessão.

No Brasil, ele é celebrado com festas e feriados no dia 20 de janeiro como padroeiro de várias cidades, notadamente Rio de Janeiro.

Na batalha final contra os protestantes calvinistas franceses na Bahia de Guanabara em 1567.

“Segundo a tradição corrente entre os tamoios e assinalada por alguns dos nossos cronistas, entre os quais Melo Morais pai, o próprio santo protetor da cidade foi visto batendo-se contra os Calvinistas” (Max Fleiuss, História da Cidade do Rio de Janeiro, 49, Melhoramentos, São Paulo, sd., apud Gaudium Press).

O dia da batalha da Bahia de Guanabara era a festa de São Sebastião. O Sumo Pontífice Caio (Papa de 283 até 296) lhe concedera o título de Defensor da Igreja, além da consolidada fama de Intercessor contra as Epidemias.


quarta-feira, 18 de março de 2020

Festa de São José, rei a três títulos sublimes,
Padroeiro da Igreja

São José, escola de Cuzco, século XVIII, Denver Art Museum.
São José, escola de Cuzco, século XVIII, Denver Art Museum.
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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São José era, ao mesmo tempo, trabalhador manual, carpinteiro e como tal pertencente à camada mais modesta da sociedade.

Mas de outro lado, ele era descendente do rei Davi, e de toda uma linhagem de reis de Israel.

A Casa de Davi decaiu e, com o tempo, perdeu o trono, afastou-se do poder. Sua família continuou a morar em Israel, em Judá, mas cada vez menos influente, menos poderosa e menos rica.

Quando afinal nasceu Nosso Senhor Jesus Cristo a Casa de Davi estava no auge de sua decadência.

Então, São José Operário pode ser e deve ser cultuado enquanto operário.

Mas pode e deve também ser cultuado enquanto príncipe da Casa de Davi.

O papa Leão XIII, que foi um dos Pontífices que mais inculcaram a devoção a São José, disse taxativamente que não só São José deve se cultuado também como modelo do príncipe, mas devia também ser o modelo, o ânimo, o estímulo de todos aqueles que pertencessem a grandes linhagens decadentes.

Na reviravolta das coisas de hoje, um diretor de sindicato é, o mais das vezes, mais poderoso do que um duque.

Mas no século da Civilização Cristã o nobre fazia parte da categoria dos poderosos.

A causa da nobreza de São José foi porque ele descendeu de três espécies de varões diferentes, dignos a três títulos diferentes: o corpo, o espírito e as coisas celestes.

São José era nobre segundo o corpo porque era descendente de rei.

São José Esposo, imagem de marfim na igreja de Santo Agostinho, Manila
São José Esposo, imagem de marfim
na igreja de Santo Agostinho, Manila
Ele era nobre segundo o espírito porque era descendente de sacerdotes. Sabemos que os sacerdotes da Antiga Lei podiam casar.

E era nobre segundo as coisas sobrenaturais, porque era descendente de profeta. Ora, o profeta prediz o futuro e predizer o futuro é uma coisa celeste.

De maneira que descender de reis, profetas e sacerdotes essa é a mais alta nobreza que uma pessoa possa ter.

É mais alto do que descender só de reis, é mais alto do que descender só de sacerdotes, é mais alto do que descender só de profetas.

O rei é o Chefe de Estado. O Estado cuida, entre os homens, daquilo que diz respeito ao corpo.

O sacerdote faz para a alma o que o Estado faz para o corpo. Ele cuida das coisas da alma, do espírito.

O profeta é o representante de Deus, o porta-voz da palavra de Deus.

Então, São José tinha as três causas mais altas de nobreza, representativa dos três aspectos da vida do homem: o aspecto material, o aspecto espiritual e a representação de Deus.

Nossa Senhora é Rainha do céu e da Terra não por uma imagem, mas Ela é a efetiva e autêntica Rainha do Céu e da Terra.

Ora, aquele que se casa com a Rainha de todo o universo é nobre evidentemente.

Mas São José não foi apenas o Esposo de Nossa Senhora; ele foi o pai do Menino Jesus.

Ora, ser o pai do Filho de Deus é a mais alta honra a que um homem possa chegar, depois da honra de ser a Mãe do Filho de Deus, que é, evidentemente, uma honra maior.

Quer dizer, ele não só foi nobre porque se casou com Nossa Senhora, mas porque Nosso Senhor o investiu na mais alta função de governo que possa haver na terra abaixo de Nossa Senhora.

Ser o pai do Menino Jesus, governar o Menino Jesus e governar Nossa Senhora é mais do que governar todos os reis e impérios do mundo!

São José, dito El Parlero, narrava a Santa Teresa as faltas das freiras. De tanto falar falar ficou milagrosamente com a boca aberta, Mosteiro da Encarnacão, Ávila
São José, El Parlero, narrava a Santa Teresa as faltas das freiras.
De tanto falar falar ficou milagrosamente com a boca aberta,
Mosteiro da Encarnacão, Ávila
Ora, isso não lhe veio só do casamento, Deus o escolheu para isso. Compreendemos então a nobreza excelsa que lhe vinha disso.

Não era adequado que o Filho de Deus convivesse com um homem que não tivesse, ao mesmo tempo, as duas nobrezas: a da alma e a do sangue. E esse homem foi São José.

Deus de fato ama eminentemente a humildade. Mas a humildade não é só a virtude dos plebeus; é também a virtude dos nobres, porque é a virtude dos grandes e também dos pequenos.

O que é a humildade? A humildade é a verdade. É humilde aquele homem que olha para si, reconhece a verdade a respeito de si mesmo, se contenta com o que é, não quer ser mais nem menos do que é, porque Deus Nosso Senhor o colocou na posição que ele tem. Isso é ser humilde.

E por isso, uma pessoa pode ser muito humilde, embora sendo muito grande.

Se a grandeza fosse incompatível com a humildade, colocando Nossa Senhora em tal grandeza Deus teria impedido Nossa Senhora de ser humilde.

Ora, Ela foi humilde até o fim da vida, sendo a maior das meras criaturas. Logo, entre a grandeza e a humildade não há incompatibilidade.

Tanto é verdade que a grandeza e a humildade não se excluem, que em Nosso Senhor tiveram uma aliança admirável.

Ninguém na vida foi mais humilde do que Nosso Senhor Jesus Cristo, mas ninguém teve grandeza maior do que a dEle.

Qual foi um lance da vida de São José em que ele levou a lógica até o heroísmo?

Foi o episódio muito conhecido, quando ele viu que Nossa Senhora tinha concebido um filho do qual ele não era pai.

Ele foi colocado diante de uma situação absurda, pois Nossa Senhora era evidentemente santa. Disso ele não podia duvidar, porque a santidade dEla reluzia de todos os modos possíveis.

Em vez de denunciá-La como ordenava a Lei hebraica, ele pensou na única saída lógica:

“Quem está de mais nesta casa não é essa Mãe, que aqui é a dona e rainha; nem o filho que Ela concebeu. Alguém está de mais, e esse alguém sou eu. Vou abandonar a casa e sumir. Não compreendo tal mistério, mas contra ele não me levantarei. Passarei meus dias longe, venerando o mistério que não entendi”.

E resolveu, quando fosse meia-noite, abandonar a casa, fugir, deixando Nossa Senhora com o fruto de suas entranhas.

Considerem a calma de São José que só os homens lógicos a têm. Ele tinha que abandonar o maior tesouro da Terra, que era Nossa Senhora. E isso representava um sofrimento imenso, inimaginável.

O Evangelho narra que ele estava dormindo, quando apareceu o anjo em sonho e lhe deu a explicação.

Eis que um anjo do Senhor lhe apareceu em sonhos, e lhe disse: José, filho de Davi, não temas receber em tua casa Maria, tua esposa, porque o que nela foi concebido é (obra) do Espírito Santo.

Dará à luz um filho, ao qual porás o nome de Jesus, porque Ele salvará o seu povo dos seus pecados" (Mt 1, 20-21).

O anjo apareceu-lhe e explicou a situação. Ele continuou o sono. Amanheceu e a vida prosseguiu normalmente.

Suma normalidade, suma coerência, suma lógica!


(Excertos de comentários do Prof. Plinio Corrêa de Oliveira, palestra de 19 de março de 1976, sem revisão do autor)


terça-feira, 17 de março de 2020

Histórico pedido de perdão repleto de simbolismo

O Conde de Paris pede perdão ao rei Luis XVI morto por seu antepassado Felipe Égalité
O Conde de Paris pede perdão pelo regicídio praticado contra o rei Luis XVI
pela Revolução Francesa com o voto de seu antepassado Felipe Égalité, príncipe de Orleans
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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No dia 21 de janeiro último, durante uma Missa de réquiem celebrada na Capela real de Dreux pelo repouso eterno da alma do Rei Luís XVI e de todos os mártires da Revolução Francesa, Jean, Conde de Paris e Chefe da Casa Real Francesa, fez um pedido de perdão oficial a Deus, o qual foi reproduzido pelo blog “La Couronne”.

Ponderadas vozes teológicas incluem o Rei Luís XVI e sua esposa, a Rainha Maria Antonieta no rol dos mártires, mas a Igreja ainda não se pronunciou a respeito, nem foi solicitada a fazê-lo.

No início da Missa, o Chefe da Casa Real francesa fez questão de se ajoelhar junto à mesa de comunhão, a fim de pedir perdão a Luís XVI pela felonia do duque Louis-Philippe d’Orléans, dito Philippe Égalité, que votou a morte do monarca, em vez de derramar seu sangue por ele.

Eis as inspiradas palavras do Chefe da Casa Real Francesa:

“Senhor Deus,

“Eu, Jean, Conde de Paris,

“Assim como todos os fiéis nesta Missa, reconheço-me como pecador diante de Ti.

Luis XVI é levado para a execução revolucionária-igualitária,
Jean-Jacques Hauer (1751 – 1829), Musée Carnavalet.
O voto de Philippe Égalité foi decisivo para esse horrível crime.
“A Casa Real da França, da qual por Tua graça tornei-me o Chefe, roga pelo Teu perdão, assim como pelo das vítimas das faltas de nossos antepassados e, em particular, de Louis Philippe Joseph de Orleans em relação ao seu primo Luís XVI, Rei de França, pai de seu povo, que foi ungido por ocasião de sua coroação, mas também em relação à sua Família e à França.

“Imploramos Tua misericórdia sobre Nós, nossa Família e nosso País. Tu o sabes, Senhor, que assim como Josué, Nós e nossa Casa escolhemos servir a Ti.”

O Duque de Orleans, macabramente lembrado com a alcunha de Philippe Égalité, voltou-se contra o princípio da legitimidade monárquica ao apoiar a Revolução Francesa, instauradora de uma democracia visceralmente igualitária e anticatólica.

Com esse estado de espírito ele votou pela iníqua e infame condenação e execução de seu Soberano e primo, o Rei Luís XVI.

Égalité teve a sua paga, pois também terminou na guilhotina ceifadora de inúmeras vidas inocentes, seguindo assim o mesmo destino cruel de outros líderes da Revolução que, como Robespierre, ensejaram uma tremenda manifestação da Ira e da Justiça divina.

Queira Deus todo-poderoso, que tirou a França das trevas da barbárie e do paganismo, tirá-la agora do abismo de erros não menores que se aboletaram nela com a Revolução Francesa.

No final da celebração, colocou-se na Capela Real de Dreux uma placa evocando o injustiçado Rei Luís XVI.


terça-feira, 3 de março de 2020

Maravilhosa e misteriosa predileção de Deus pelo Japão

26 mártires de Nagasaki. Em convento franciscano da Senhora das Neves em Praga
26 mártires de Nagasaki. Em convento franciscano da Senhora das Neves em Praga
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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Um minucioso e demorado trabalho de arqueólogos e especialistas da História permitiu reconstituir uma das páginas mais belas do Cristianismo.

Trata-se da perseverança dos católicos japoneses durante mais de dois séculos a uma das mais desapiedadas perseguições religiosas que registra a humanidade.

E seu maravilhoso e emocionante fim com a intervenção de potencias ocidentais e a chegada de missionários da Europa.

Em post anteriores, tivemos ocasião de nos ocupar dos achados das ciências arqueológicas e históricas.

Cfr.: Descobertas capelas dos católicos japoneses perseguidos durante séculos

Arqueólogos revelam perseverança heroica dos católicos japoneses perseguidos durante séculos


O espantoso número de vítimas mortais, feridos físicos e mentais deixados pelas bombas atômicas em Hiroshima e Nagasaki na II Guerra Mundial é muito aquém daquele das vítimas das perseguições pagãs aos católicos no Japão.

E essa gesta foi evocada especialmente quando foram lembrados recentemente os bombardeios de Hiroshima, e especialmente Nagasaki, que eram as duas cidades de maior população católica do país.

Acrescentamos este post aos anteriores, cujos links estão acima, para completar uma visão de conjunto.

Chegada de nau portuguesa a Nagasaki, introduzindo o cristianismo
Chegada de nau portuguesa a Nagasaki, introduzindo o cristianismo
Os missionários jesuítas levaram o catolicismo a Nagasaki em 1560 conduzidos por naus portuguesas. São Francisco Xavier SJ o primeiro missionário havia aportado em Kagoshimma em 1549.

Sua pregação obteve grande sucesso mas seu objetivo era chegar à China. Segundo a BBC News Mundo, os missionários jesuítas que vieram seguindo o santo obtiveram grande êxito na conversão dos senhores feudais da região de Nagasaki.

Em consequência, muitos camponeses súditos dos senhores feudais também se converteram à Igreja Católica, fazendo com que pelo início do século XVII Nagasaki se tornasse a “Roma do Japão”.

Kiri Pramore, professor de estudos asiáticos da Universidade Nacional da Irlanda, disse à BBC que “nenhum outro lugar do Japão foi tão cristão quanto Nagasaki”.

No século XVII, na cidade e área adjacente chegou a haver 500 mil católicos.

Mas as autoridades políticas de então, muito penetradas de espírito nacionalista, acharam que o rápido crescimento da religião estrangeira dos Papas constituía uma ameaça para o governo central, e tomaram medidas enérgicas para acabar com ela.

Os primeiros editos anticristãos datam de 1565, mas é de 1614 a proibição estrita que deu origem a sucessivas ondas de perseguição, tortura e martírios. Essa época funesta durou mais de dois séculos.

Em 1853 o governo nipônico adotou certa tolerância, mas a ordem proibitória só foi oficialmente abolida em 1873.

Altar secreto japonês: por fora parece um móvel doméstico comum, mas aberto serve para a Santa Missa
Altar secreto japonês: por fora parece um móvel doméstico comum, mas aberto serve para a Santa Missa
Só no período inicial missionário calcula-se que os martírios confirmados atingiram a casa dos mil. Faltam dados para definir o número exato de mártires no período da perseguição 1814-1853/1873.

Na Nagasaki do século XVII era comum ver, em locais públicos, filas de pessoas aguardando a chamada.

Quando convocadas, elas deviam se aproximar das autoridades locais e da capital que haviam sido enviadas especialmente para o ato que descrevemos a seguir.

Essas autoridades exigiam que elas pisassem, na presença de todos, numa imagem de bronze representando Jesus crucificado.

Se o fizesse, o cristão apostatava e salvava sua vida. Se se recusasse, podia ser executado, crucificado, torturado, imerso em água fervendo ou suspendido com a cabeça para baixo num buraco repleto de excrementos.

Qualquer sinal de dúvida poderia custar-lhe a vida.

Na segunda metade do século XVI foram crucificados em Nagasaki 26 missionários estrangeiros. Eles foram canonizados pelo grande Papa e Beato Pio IX no dia 8 de junho de 1862. E a lista dos martírios se fez longa, com numerosas beatificações.

Pisando o fumi-e
Pisando o fumi-e
A perseguição imergiu o Japão no isolamento e cortou seu contato com quase todos os países.

Por volta de 1620, os carrascos pagãos se voltaram contra os simples católicos. E para isso inventaram os fumi-e, que eram imagens de Cristo ou de Maria feitas de latão sobre madeira.

Cada residente de Nagasaki deveria ficar em pé acima do fumi-e (fumi= “pisando em” + e= “imagem”) em cada início do ano.

“Era uma obrigação. Nem as pessoas comuns, nem os samurais, nem os monges budistas, nem mesmo os doentes podiam ignorá-lo (no caso dos últimos, os algozes levavam a tábua até a sua casa). Todos tiveram que fazer isso”, explicou Martin Ramos, professor de estudos japoneses na Escola Francesa do Extremo Oriente (EFEO), com sede em Paris.

“Foi muito bem pensado porque, naquela época, os cristãos eram muito dependentes de imagens. As pessoas oravam diante de uma imagem de Maria ou de Jesus. Era um elo com o divino. Portanto, pisar (na imagem) era algo que eles temiam”.

Muitos apostataram pisando no fumi-e.

Fumi-e desgastados pelas pisadas.
Fumi-e desgastados pelas pisadas.
“Nos fumi-e originais vê-se que o rosto de Cristo está completamente desgastado, o que nos recorda a quantidade de pés que o calcaram”, conta Simon Hull, professor da Universidade Católica de Nagasaki Junshin e especialista em catolicismo japonês.

Os católicos que se recusavam eram mortos ou, mais comumente, torturados.

“Às vezes eram pendurados de cabeça para baixo em uma cova cheia de excrementos. Eles faziam cortes em suas têmporas para liberar a pressão do sangue e não morrerem”, acrescenta Paramore.

“Podia ser que um médico estivesse presente para impedir que morressem e assim poderem continuar atormentando-os”, diz Hull.

Por essa via, perto de dois mil católicos receberam o martírio. Outros ainda fingiam que não professavam mais o catolicismo, porém o praticavam em segredo.

“Eles voltavam para casa implorando a Deus que os perdoasse”, diz Hull. “Numa comunidade, eles queimaram até as sandálias que usavam, misturaram as cinzas com água e depois as beberam como sinal de profunda penitência”.

Os católicos ocultos ficaram conhecidos como kakure kirishitan.

“Eles realizavam batismos e outras práticas cristãs em segredo e davam nomes portugueses aos filhos, como Paulo, Mario e Isabella. E comemoravam o Natal e a Páscoa”, explicou Ramos.

Eles também tinham elementos japoneses que confundiam os perseguidores e evitavam que os descobrissem.

26 Mártires de Nagasaki, Johann-Heinrich Schönfeld, Castel Nuovo, Itália
Como não tinham missa porque não havia sacerdotes, eles partilhavam o arroz como se fosse o pão eucarístico, explica Mark Mullins, professor de estudos japoneses na Universidade de Auckland, na Nova Zelândia.

Da mesma forma, eles adaptavam o ídolo da deusa Kannon colocando a Cruz nela, pela frente ou pelas costas, e eles viravam a estatueta na hora de fazer as orações.

É fato considerado milagroso pelo Beato Papa Pio IX que nesse período de 250 anos os católicos perseguidos tenham conservado a fé, mesmo sem nenhum apoio sacerdotal.

Em 1858, a prática de pisar no fumi-e foi proibida em Nagasaki.

Em 1865, uma mulher se aproximou do Pe. Bernard Thaddée Petitjean, do Instituto das Missões Estrangeiras de Paris, recentemente instalado perto de Nagasaki.

Ela queria ver com seus próprios olhos a imagem de Nossa Senhora que o sacerdote possuía e tirar a limpo se ele obedecia ao Papa de Roma.

Essas haviam sido as instruções deixadas pelos últimos missionários antes de morrerem ou desaparecerem. As mesmas deveriam ser obedecidas quando futuramente aparecessem outros padres, pois assim os fiéis poderiam reconhecer os autênticos e não serem enganados por protestantes ou outros.

Os fiéis guardaram a instrução no coração durante 250 anos! E quando viram que o aviso transmitido oralmente em família tinha se concretizado, foram em massa receber os sacramentos na igreja católica recém-construída.

“Quando os missionários estrangeiros voltaram a pisar o Japão após serem reabertas suas fronteiras, cerca de 20 mil cristãos reapareceram e deixaram seu esconderijo”, diz Mullins.

A belíssima história encerrou uma era atroz de vários séculos, feita de torturas, perseguições e artifícios para esconder a fé.

Hoje, apenas cerca de 1% da população do Japão (126 milhões) é cristã e o maior número está em Nagasaki.

Veja também: Aviso de santo fundador salvou franciscanos da bomba atômica em Nagasaki

Religiosos de Hiroshima incólumes à bomba atômica pelo terço a Nossa Senhora de Fátima


Nossa Senhora conserva uma predileção especial pelo Império do Sol Nascente, como é conhecido o Japão.

Akita: a imagem que chorou lágrimas e sangue mais de cem vezes
Akita: a imagem que chorou lágrimas e sangue mais de cem vezes

Nossa Senhora conserva uma predileção especial pelo Império do Sol Nascente, como é conhecido o Japão.

Com efeito, em 1973 Ela se manifestou à Irmã Agnes Katsuko Sasagawa, no convento das Servas da Santíssima Eucaristia, na localidade de Yuzawadai, perto de Akita, na região mais atingida pelo terremoto e tsunami que causou estragos históricos no país.

Desde aquela data, a imagem de Nossa Senhora chorou lágrimas mais de uma centena de vezes e verteu sangue em outras ocasiões.

Inclusive na presença do ordinário diocesano Dom João Shojiro Ito, Bispo de Niihata.

O fenômeno foi declarado de procedência sobrenatural pelo mesmo bispo, máxima autoridade na matéria. O Vaticano confirmou a decisão.

Convento onde aconteceram as aparições em Akita.
Convento onde aconteceram as aparições em Akita.
A mensagem de Nossa Senhora foi uma nova insistência nas advertências feitas pela Mãe de Deus em Fátima:

“Se os homens não se arrependerem e não melhorarem, o Pai infligirá um terrível castigo à humanidade. Será uma punição maior do que o dilúvio, nunca vista antes.

“Fogo cairá do céu e destruirá grande parte da humanidade, tanto os bons quanto os maus, não poupando nem sequer os sacerdotes ou fiéis.

“Os sobreviventes se acharão de tal maneira desolados que terão inveja dos mortos.

“As únicas armas que restarão serão o Rosário e o Sinal deixado pelo meu Filho. Recite todos os dias as orações do Rosário. Com o Rosário, reze pelo Papa, pelos bispos e padres.

“A obra do demônio se infiltrará até mesmo dentro da Igreja, de tal modo que veremos Cardeais se opondo a Cardeais, bispos contra bispos. (...)

“A Igreja estará cheia daqueles que aceitam compromissos e o demônio afligirá muitos padres e almas consagradas para que deixem o serviço do Senhor.

“Aqueles que colocam sua confiança em Mim serão salvos”.


terça-feira, 18 de fevereiro de 2020

O Brexit, expressão de nostalgia da Cristandade

Euforia diante do Parlamento: Grã-Bretanha caiu fora!
Euforia diante do Parlamento: Grã-Bretanha caiu fora!
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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À meia-noite do dia 31 de janeiro, a população britânica reunida diante de Westminster entoou em uníssono o hino “Deus salve a rainha”.

Desafiando o frio e a garoa, exultavam de alegria por ter a Grã-Bretanha abandonado afinal a União Europeia (UE), três anos e meio após o referendo em que a maioria dos britânicos preferiu o Brexit, ou seja, a retirada.

Após três adiamentos e uma infinidade de manobras políticas, era o primeiro país-membro a deixar o bloco europeu, desde sua criação em 1958.

Numa atmosfera típica de réveillon, cercados por centenas de milhares de bandeiras pátrias, os felizes britânicos erguiam cartazes com os dizeres “dia da independência” e “nosso país de volta”.

Nosso país de volta!
Nosso país de volta!
As cores nacionais iluminavam residências simbólicas como a do primeiro-ministro, no nº 10 da Downing Street.

“A guerra acabou: ganhamos”, repetia Nigel Farage, o político que batalhou durante mais de 20 anos pelo Brexit.

Nesse mesmo momento, com ar fúnebre, arriava-se a Union Jack nas sedes da União Europeia em Bruxelas e Estrasburgo.

Alegria popular de um lado, acabrunhada burocracia comunitária do outro.

Com o seu entusiasmo pelas nações que constituíram a Cristandade nos séculos de Fé, o Prof. Plinio Corrêa de Oliveira provavelmente se associaria às alegrias do outro lado da Mancha.

Por ocasião de sua viagem à Europa em 1950, para contatos com representantes desse glorioso passado, ele teve um horrível choque com o que lhe confidenciou um nobre ligado a elevados eclesiásticos e príncipes reais, durante um almoço no Automóvel Clube de Paris:

“A Europa não caminha para uma dilaceração, mas para uma síntese.

“Está sendo preparada uma Europa unida, que deverá absorver todos os países; e no interior de cada país, todas as facções.

“Haverá um parlamento e um governo europeus, que farão desaparecer as diversidades nacionais.

“Vão ser eliminadas as fronteiras, e a Europa terá um só mercado consumidor, uma só indústria e um só comércio geral [...].

“Compor-se-ão desde o Partido Comunista até as correntes monarquistas mais intransigentes [...].

“As Casas Imperiais e Reais e a antiga nobreza vão mandar seus deputados para o Parlamento de Estrasburgo.

União Europeia tira a bandeira britânica em ambiente fúnebre sem apoio popular
União Europeia tira a bandeira britânica em ambiente fúnebre sem apoio popular
“Sentado ao lado do arquiduque Otto de Habsburgo estará o presidente de um sindicato.

“A Europa inteira, desde a sua mais antiga tradição carolíngia até a mais moderna extrema esquerda, caminhará no mesmo rumo”. (Extraído de Plinio Corrêa de Oliveira, Minha vida pública, Artpress, 2015, 827 págs., p. 394).

Nessa viagem de três meses, Dr. Plinio ouviu a repetição dessa mesma palavra de ordem, anunciando que tudo estava sendo planejado para pulverizar as últimas ruínas da Cristandade.

Mas não perdeu a esperança, nem mesmo quando a análise metódica do noticiário confirmava o plano que estava sendo implacavelmente urdido.

Em 1988, ano de sua última viagem à Europa, ele colheu impressões opostas sobre o que então acontecia, e designou uma comissão para estudar as mudanças.

Constatou que a União Europeia se arriscava ao insucesso, pois não havia conseguido convencer os europeus, mas apenas acostumá-los às benesses com que os inundava.

Afirmava ele que um imprevisto poderia derrubar o plano, e deu um exemplo: “Uma nação de dimensões pequenas mas de grande cultura, como a Dinamarca, pode recusar a UE e encrencar tudo.

É a famosa metáfora do carro de boi puxado por muitas juntas. De repente um boi se deita na estrada, e tudo para” (Apontamentos de 27-12-1989).

Com efeito, em 2 de junho de 1992 a Dinamarca repeliu em referendo o Tratado fundacional de Maastricht, dando início a uma longa série de recusas plebiscitárias — deturpadas, aliás, por ardilosas manobras da UE —, até que em 12-12-2019 o Brexit foi ratificado por cômoda maioria, não deixando margem a dúvida.

Alegria patriótica e depressão europeísta pelo Brexit.
Alegria patriótica e depressão europeísta pelo Brexit.
“Amo a Europa, mas detesto a União Europeia. Eles querem nos controlar, fazer nossas leis, pegar nosso dinheiro”, disse Julie, educadora de Yorkshire, na festa do Brexit.

“Agora poderemos fazer o que quisermos, quando quisermos, porque todas as leis e regulamentações serão feitas aqui em Londres, e não na Europa”, comemorou Kevin Russell, de Milton Keynes.

Franceses comemoravam no “réveillon” um futuro “Frexit” (Folha de S.Paulo).

Nigel Farage, líder do Brexit, falou da saída como “a coisa mais importante desde que Henrique VIII nos tirou da Igreja de Roma”.

E vaticinou “uma batalha histórica” de nações como a Dinamarca, a Polônia ou a Itália, para deixar a UE, divulgou TSF Rádio Notícias.

Na sua despedida do Parlamento Europeu, os deputados britânicos desabafaram abruptamente os ressentimentos acumulados.

Nigel Farage repreendeu a presidente da sessão, Mairead McGuinness: “Vi a Constituição ser rejeitada pelos franceses em referendo.

“Eu a vi ser rejeitada pelos holandeses em outro referendo.

“Vi os senhores ignorá-los e trazer a Holanda de volta com o Tratado de Lisboa. [...] Cfr CATOLICISMO

“Os britânicos são grandes demais para se intimidar, [...] não precisamos de uma Comissão Europeia nem de um Tribunal Europeu. [...]

“A União Europeia é um projeto ruim, antidemocrático e inaceitável.

“Eu sei que os senhores querem banir nossas bandeiras nacionais, mas vamos dizer adeus”.

Eurodeputados pro-Brexit ao Parlamento europeu: Goodbye!
Eurodeputados pro-Brexit ao Parlamento europeu: Goodbye!
Nesse momento, os deputados pelo Brexit presentes no Parlamento fizeram tremular a bandeira britânica, exclamando Goodbye!

A presidente da sessão, em estilo “soviete supremo”, cortou-lhes o som e bradou: “Guardem suas bandeiras e levem-nas embora!”.

Os britânicos partiram alegres, enquanto alguns europeístas choravam (BBC News).

Extenuantes negociações devem logo ter início, para separar os bens nacionais dos comunitários.

Nessas disputas deve patentear-se a decadência da UE, similar à que Dr. Plinio assinalava sobre a decadência da Revolução iniciada com Lutero em 1517: “Ela perdeu a partida, dando um passo muito maior que suas pernas”.

O açodamento acarretará imprudências revolucionárias, como as que desfecharam no Brexit.

Por isso a humanidade irá se aproximando da situação final do filho pródigo: “Quando chegou às bolotas dos porcos, aí ele se lembrou da casa do pai”.

Na presente crise, os britânicos do Brexit e seus símiles tornar-se-ão cada vez mais saudosos da Cristandade que brilhou na Idade Média, deixando um legado de tradições, monumentos e instituições que ninguém pode extinguir.





terça-feira, 11 de fevereiro de 2020

Profanações sistemáticas apoiadas pelo Cardeal de Viena interpelam ao Papa Francisco

O Cardeal Schonborn, arcebispo de Viena empresta agradado a histórica catedral.
Mons Viganò “mais uma provocação blasfema”
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs






O cardeal Christoph Schönborn, arcebispo de Viena, capital da Áustria, vem há anos escandalizando seus fiéis com ardidos apoios à Revolução Cultural, ou LGBT. Porém, da última vez pareceu ultrapassar todas as medidas.

Porém, como ele é muito próximo do Papa Francisco, parece nada temer, nem mesmo dos protestos airados e numerosos dos vienenses.

Foi precisamente ele, como apontou “Corrispondenza Romana”, que profanou a esplêndida Catedral dedicada a Santo Estêvão, organizando um concerto pró-LGBT de “caridade” intitulado obscenamente “O desejo dos anjos”, copatrocinado pelos Cavaleiros Austríacos de Malta.

Esse foi o principal evento de uma série de 15 shows, todos eles, pelo menos oficialmente, feitos com o objetivo de arrecadar fundos para projetos ligados à Aids.

Na realidade – prossegue a publicação romana –, o fim real foi uma propaganda ideológica da agenda LGBT, como ficou demonstrado pelos fatos.

A programação impressa anunciou com antecipação ao público em geral a presença de nomes “modernos” de deprimente reputação moral, como a drag queen austríaca Conchita Wurst, também conhecida como Thomas Neuwirth pelo seu nome de batismo, e que ganhou inglória notoriedade quando representou de modo blasfemo seu país no Eurovision Song Contest 2014.

Para agradecer ao Cardeal Schönborn pelo empréstimo da catedral e “pela confiança depositada em nós”, recompensou pecuniariamente o organizador do fund raising (coleta de fundos), o ativista LGBT Gery Keszler.

Os símbolos mais sagrados cristãos abusados em diversão da agenda LGBT
Os símbolos mais sagrados cristãos abusados em diversão da agenda LGBT
Este último promoveu em 1992 o “Life Ball”, outro evento de fund raising felizmente cancelado este ano pela perda de seus principais patrocinadores, informa ainda a publicação romana.

É a terceira vez que cardeal Schönborn cede a Catedral à associação “Life +”, que promove iniciativas “favoráveis aos LGBT”.

Em 1º de dezembro de 2017, por exemplo, permitiu que Conchita Wurst – sempre na Catedral e sempre por ocasião do Dia Mundial da Aids – discursasse durante uma reunião de oração, quase “totalmente consagrado” ao lobby LGBT.

Naquela a manifestação, a drag queen reclamou contra uma suposta “perseguição contra aqueles que vivem sua identidade de uma maneira diferente”.

Sua diatribe patenteou que a AIDS era usada apenas como pretexto para fazer uma vergonhosa campanha ideológica “amiga dos LGBT”.

Também naquela reunião, o cardeal deu as boas-vindas na entrada da histórica Catedral de Santo Estêvão ao co-organizador Keszler.

Este, por sua vez, “agradeceu” ao arcebispo de Viena declarando publicamente que durante um jantar privado o cardeal o teria “abençoado” juntamente com seu “parceiro”.

Em 2018, sempre na presença do cardeal, no altar-mor da Catedral de Viena, o ator Philipp Hochmair, conhecido por interpretar papéis homossexuais, exibiu-se de peito nu, acompanhado de vários extras disfarçados de demônios.

Catedral de Viena transformada em local de bacanal para reunir dinheiro para a agenda LGBT em 2018
Catedral de Viena transformada em local de bacanal para reunir dinheiro para a agenda LGBT em 2018
O concerto escandaloso, para dizer o mínimo, foi executado sob o efeito de luzes psicodélicas pelo grupo Elektrohand Gottes e teve como música de fundo rock e eletrônica.

Foi uma espécie de “adaptação” repugnante da ópera austríaca “Jedermann”, de Hugo von Hofmannsthal, apresentada pela primeira vez em 1911.

O texto original trata da conversão ao cristianismo de um homem rico, mas viciado, que percebeu nos últimos momentos da vida que nem amigos nem dinheiro o seguiriam até o túmulo.

A cumplicidade do cardeal levanta graves suspeitas por causa das repetidas violações do Catecismo da Igreja Católica (artigos 2357 e 2358 sobre homossexualidade), registrou “Corrispondenza Romana”.

O purpurado forjará sem dúvida escapatórias para tentar fugir do Catecismo no momento do aperto.

Mas o que torna ainda mais complicado o problema é o silêncio prolongado e inexplicável de Roma, que agora desistiu de cuidar de seu rebanho e de defender a doutrina, o exemplo e a vida de Jesus Cristo.


terça-feira, 4 de fevereiro de 2020

Três imagens que escaparam da destruição pelos pagãos em Nagasaki

A 'Virgem Milagrosa', ou Mater Boni Consilii, de Badoc, Filipinas, chegou boiando milagrosamente pelo ma num caixa
A 'Virgem Milagrosa', ou Mater Boni Consilii, de Badoc, Filipinas,
chegou boiando milagrosamente pelo mar numa caixa
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs







Imagens sagradas que resistem inexplicavelmente a terremotos, tsunamis, grandes e pequenos incêndios, ou atentados dolosos, vêm sendo publicadas por nós, na medida em que fontes idôneas fornecem informações sérias.

Não corremos atrás dessas informações, apenas publicamos aquelas que nos chegam pela sua repercussão ou efeito natural, e isso porque temos a certeza de que essas proteções milagrosas são muito mais comuns do que imaginamos.

A Divina Providência, Nosso Senhor, Nossa Senhora, santos e anjos, estão a todo momento protegendo, resguardando, salvando, fazendo maravilhas, talvez em muitas ocasiões sem serem percebidos pelos homens.

Recebemos meses atrás uma prova disso. Trata-se de um fato acontecido há mais de quatro séculos, e no longínquo Japão!

Nesse importante país do Oriente, a chegada de São Francisco Xavier, S.J., em 1549, abriu uma era de heroicas missões e numerosas conversões.

Infelizmente, essa época gloriosa foi interrompida em 27 de janeiro de 1614, quando o Tokugawa Shogun ordenou a expulsão de todos os missionários cristãos, além da destruição das igrejas já edificadas.

A descrição dos fatos a seguir foi extraída do blog Blessed Justo Takayama Ukon.

O Shogun era uma espécie de generalíssimo do exército imperial, que de fato exercia poderes de governo, pois o imperador não se ocupava disso.

O Beato Justo Takayama Ukon e 350 católicos deportados para as Filipinas. O Beato levava escondida a Nossa Senhora do Rosário
O Beato Justo Takayama Ukon e 350 católicos deportados para as Filipinas.
O Beato levava escondida a Nossa Senhora do Rosário
Aconteceu de a maioria dos daimyos católicos ter apostatado. Os daimyo eram senhores feudais de grandes extensões de terras e com enorme influência local, algo parecido aos senhores feudais medievais da Europa e aos “coronéis” no Brasil.

Esses daimyos renegados forçaram seus súditos a apostatar também, com exceções gloriosas, como a do nobre Beato Justo Ukon Takayama (1552-1615), e a do samurai Joan Tadatoshi Naitō (falecido em 1626), senhor do castelo de Yagi.

Porque eram nobres esses potentados não foram mortos, mas exilados nas Filipinas, onde faleceram.

O povo foi objeto de uma brutal campanha de extermínio, com milhares de pessoas martirizadas em Kyushu e outras partes do país, ademais de torturadas ou forçadas a renunciar à nossa religião.

Chega-se a se supor que os mártires japoneses nos séculos da perseguição superaram em número os mártires romanos.

Em 1614 o daimyo Beato Justo Ukon Takayama liderou o primeiro barco de 350 exilados para Manila, Filipinas.

O Shogun decretou a destruição de todos os locais de culto cristão e a expulsão de todos os missionários, estrangeiros ou nascidos no Japão.

Para tal mudança teriam influído muito as intrigas dos protestantes holandeses, que cobiçavam o monopólio comercial com o Império do Sol Nascente.

A fúria assassina do Shogun visou especialmente a destruição de todas as igrejas em Nagasaki. Com os esforços evangélicos dos jesuítas (desde 1549), franciscanos (1593), dominicanos (1602) e agostinianos (1602), havia muitas comunidades católicas em Kyoto, Osaka, Sakai e na Península de Noto.

Nossa Senhora do Rosário, dita 'La Japona', salva pelo Beato Justo Takayama Ukon do ódio pagão
Nossa Senhora do Rosário, dita 'La Japona',
salva pelo Beato Justo Takayama Ukon do ódio pagão
Mas, o maior número se encontrava em Nagasaki, que em 1614 contava com 14 igrejas e santuários. Todos foram destruídos.

Na onda profanadora pagã resistiram, contudo, três imagens religiosas do maior valor que hoje se encontram nas Filipinas, de onde tinham sido levadas originariamente pelos missionários.

A primeira é a de Nossa Senhora do Santo Rosário, conhecida como “La Japona”, levada para Satsuma pelos dominicanos em 1602.

Esta imagem foi confiada ao daimyo Beato Justo Takayama que na hora de embarcar para o exílio a ocultou numa cabine que lhe foi reservada, enquanto os missionários deportados dormiam no convés, ao relento.

Ela provinha da Igreja de Santo Domingo de Nagasaki, e hoje se encontra na igreja de São Domingos, na cidade de Quezon.

A segunda delas é o Santo Cristo levado ao Japão por missionários agostinianos em 1612. A estátua de Santo Cristo é de um Nazareno Negro crucificado, semelhante a outro de origem mexicana que está na Basílica Menor do Nazareno Negro, em Quiapo, Manila.

A terceira imagem é a de Nossa Senhora do Bom Conselho (Mater boni Consilii), levada pelos agostinianos em 1612.

Essas duas tivessem foram postas numa caixa presumivelmente por dois mártires japoneses antes de caírem nas mãos dos pagãos.

A caixa foi impelida pela “corrente (marítima) do Japão” e resgatada por pescadores filipinos, felizmente católicos. Ao abrirem a caixa, ficaram surpresos diante da estátua de Jesus Nazareno, dito “Negro”, e uma imagem de Nossa Senhora segurando o Menino Jesus.

Imediatamente eles consideraram as estátuas como um sinal da Providência, verdadeiro presente do Céu. Aconteceu de os pescadores serem de cidades diversas: os de Sinait não conseguiam mover a estátua da Bem-Aventurada Virgem Maria, mas não tiveram dificuldade em mover a estátua do Nazareno Negro.

Santo Cristo de Sinait, igreja de San Nicolas de Tolentino, Ilocos Sur, Filipinas.
Chegou flutuando na mesma caixa da 'Virgem Milagrosaa'
Por sua vez, os pescadores de Badoc conseguiam mover a estátua da Bem-Aventurada Virgem Maria, Mãe do Bom Conselho com facilidade, mas não conseguiram mover a imagem do Nazareno Negro.

Por isso cada grupo levou a imagem que podia carregar para a sua respectiva cidade, onde se tornaram os santos padroeiros.

A imagem de Nossa Senhora do Bom Conselho, hoje mais conhecida como “A Virgem Milagrosa” se encontra na igreja da paróquia de São João Batista em Badoc, onde recebeu coroação canônica pelo episcopado e pelo Papa. A imagem estava na igreja de Santo Agostinho em Nagasaki até a fuga.

Pouco se sabe como ela foi parar no caixote, no mar, e, pela corrente marítima atingir as Filipinas. Sabe-se que o pároco da igreja, Pe. Fernando de São José e o catequista Andrew Yoshida foram decapitados em 1617.

Em Nagasaki continuou a prática do catolicismo, ainda que clandestino. Ali morreram mártires 24 frades cujos nomes são conhecidos; 57 membros da Ordem Terceira e 47 membros da Arquiconfraria da Cintura.

Talvez alguns agostinianos escondidos em “missões clandestinas”, que sentindo à morte, e não tendo onde guardar as imagens, as embalaram numa caixa e a colocaram no mar para que Deus as conduzisse a bom porto.

Até hoje, anualmente, a imagem da Mãe do Bom Conselho é conduzida em procissão até o local onde o caixote foi resgatado.



terça-feira, 21 de janeiro de 2020

“A entrada do inferno”:
o que diz o poço mais fundo jamais cavado

“A entrada do inferno”, ou superpoço soviético de Kola foi selado com formigão.
“A entrada do inferno”, ou superpoço soviético de Kola foi selado com formigão.
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs






Na península de Kola, quase Círculo Polar Ártico há uma estação científica soviética abandonada. Ali, uma pesada tampa de metal está lacrada num piso de concreto por um anel de ferrolhos grossos e enferrujados.

Para muitos, essa é a entrada do inferno, segundo pormenorizada reportagem da BBC News.

Trata-se do Poço Superprofundo de Kola, o que mais se internou nas entranhas secretas da Terra cavado pelo homem.

Ele desce até 12,2 km e moradores locais juram que nele se podem ouvir os gritos das almas torturadas no inferno.

Os soviéticos levaram quase 20 anos para conclui-lo, mas nem de longe puderam atingir o manto da Terra que era seu objetivo. O projeto foi interrompido na Rússia pós-soviética.

“A perfuração começou na época da Cortina de Ferro”, conta Uli Harms, do Programa Internacional de Perfuração Continental Científica (ICDP, na sigla em inglês).

Portanto, no auge do ateísmo de Estado russo.

Harms trabalhou na “rival alemã” do Poço Superprofundo de Kola.

“Os russos simplesmente não revelavam nada sobre o que faziam. Quando eles começaram a perfurar, alegaram que haviam encontrado água livre e a maioria cientistas não acreditava nisso”.

“O objetivo final é obter amostras reais do manto tal qual ele existe agora”, diz Sean Toczko, gerente de programa da Agência Japonesa para Ciências da Terra Marinha.

“É a diferença entre ter um dinossauro vivo e um osso de dinossauro fossilizado”, compara.

Em outras palavras, diz a BBC News: se a Terra for como uma cebola, então a crosta onde vive se disputa a humanidade toda é como a pele fina da cebola. Tem apenas 40 km de espessura.

Para além dali, há um manto com 3.000 km de profundidade. Abaixo dele, o núcleo da Terra.

As amostras de rocha que esses furos poderiam fornecer eram tão importantes para a ciência quanto qualquer coisa que a Nasa, a agência espacial americana, trouxe da Lua. Sem excluir não confessados e tremendos usos militares.

Os EUA foram os primeiros a tentar pela famosa American Miscellaneous Society, no final dos anos 1950. Foi o projeto Mohole que decidiu fazer um atalho pelo Oceano Pacífico a partir de Guadalupe, no México. Ali a crosta terrestre é mais fina.

Os soviéticos começaram pelo Círculo Polar Ártico em 1970. Os alemães começaram na Baviera e só perfuraram até 9 km.

A base da 'entrada ao inferno' ficou como casa assombrada
A base da 'entrada ao inferno' ficou como casa assombrada
Todas essas expedições com suas diversas tecnologias foram frustras. As altas temperaturas do subterrâneo profundo, o custo e a política interromperam os sonhos dos cientistas.

No Poço Superprofundo de Kola a perfuração foi abandonada em 1992, quando a temperatura chegou a 180°C, o dobro do esperado. Não era mais possível prosseguir. O poço alemão achou os mesmos impedimentos.

A corrida foi uma versão atualizada do famoso livro Viagem ao Centro da Terra, de Jules Verne.

Hoje, “M2M-MoHole to Mantle” é um dos projetos ativos mais importantes do Programa Internacional para a Descoberta dos Oceanos (IODP). Ele planeja perfurar o fundo do mar, onde a crosta tem 6 km de profundidade.

Em 2013, a artista holandesa Lotte Geevan decidiu fazer um experimento.

Ela levou para baixo um microfone protegido por um escudo térmico, captando um som profundo e estrondoso que os cientistas não conseguiram explicar.

Nas palavras dela, o som “me fez sentir muito pequena; foi a primeira vez na minha vida que essa grande bola em que vivemos veio à vida e parece assombrosa.

“Algumas pessoas achavam que soava como o inferno. Outras, que podiam ouvir o planeta respirar”.

Mas, ela e seus colega ambientalistas não foram os primeiros a achar essa esquisitice.

Em pleno ateísmo soviético, fizeram furor os rumores que espalhava a população ignara de Kola.

Ainda perduram nas redes sociais. No Youtube por exemplo o vídeo “Voces del infierno (lamentos, gritos, lloro, sufrimiento)” atingiu mais de cinco milhões de visualizações.

Estas versões – nas quais não acreditamos – afirmam que os geólogos soviéticos perfurando o solo da Sibéria atingiram a profundeza acima mencionada.

E teriam ouvido, segundo um cientista apresentado como Dr. Azzacov, “berros e lamentações interpretados como os gritos dos condenados no inferno”. Cfr. Verbete “Pozo del infierno”.

Åge Rendalen, um professor na Noruega, exagerou a história para ridiculizá-la. Acrescentou que não acreditando nela foi ler um “relatório verídico” que registrava as vozes no poço.

E que do mesmo buraco tinha emergido um ser com asas de morcego que escreveu no céu siberiano a exclamação “Venci!”. Id. Ibid.

Nada pode tirar do espírito humano a noção de que o inferno existe e está no fundo da terra
Nada pode tirar do espírito humano a noção de que o inferno existe e está no fundo da terra
O horror teria tomado aos ateus comunistas, mas o “Dr. Azzacov” teria providenciado microfones e registrado “vozes humanas berrando de dor”. Essas seriam bem perceptíveis sobre um fundo de milhares de outras também clamando aterradoramente com grande sofrimento.

Tais “berros e lamentações” são fantasiosas, porém são reveladoras de quanto está encravado no espírito humano a percepção de que o inferno existe deveras e está no fundo da terra.

Foi só aparecerem boatos com alguma aparência de científicos que milhões de pessoas os acharam verossímeis.

Alguns podem ter caído no conto, mas a existência dos abismos infernais embaixo da superfície terrestre não só é uma verdade de fé revelada nas Escrituras, mas é uma exigência da ordem do universo.

Refletindo racionalmente, a necessidade de um prêmio às boas ações e um castigo às gravemente más, exige que na arquitetura da criação exista um Céu e um inferno.

Nem o Papa Francisco consegue remover essa percepção encravada nas almas e que é pedida pela ordem do universo.

Como tampouco consegue-se apagar a intuição de que a Rússia soviética fosse a pioneira na entrada em contato com os antros infernais.

Assim quando apareceram os boatos ligados ao superpoço soviético as versões pareceram naturais.

A certeza da existência do inferno não provem de superpoço algum, mas da Fé.