terça-feira, 8 de junho de 2021

Exorcista: possessões e incêndios de igrejas
preludiam “perseguição generalizada”

Profanação satânica de igreja em Santiago de Chile
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs





A crescente manifestação de demônios em possessões e exorcismos associada à multiplicação da queima de templos católicos como os acontecidos na catedral de Nantes, e em igrejas da Califórnia, Cidade de México, Michoacán e Lille estão relacionadas de um modo sinistro e revelam uma estarrecedora determinação dos infernos.

É o que diz o Pe. José Antonio Fortea, exorcista na diocese de Alcalá de Henares, na região de Madri, para quem há uma inter-relação óbvia entre os diversos atentados satânicos que estão acontecendo, segundo colheu “Aleteia”.

Dezenas de incêndios criminosos contra igrejas, de fato, vêm chocando católicos e não católicos em diversas partes do mundo.

Os casos de Santiago do Chile, por exemplo, causaram comoção e indignação internacional pela sua extensão, ferocidade e apelo explícito a Satanás.

Considerando o cenário presente, o exorcista espanhol autor de livros como “Summa Daemoniaca” pensa no futuro próximo:

“Temo que, infelizmente, vamos viver tempos de perseguição generalizada”.
Pe José Antonio Fortea, exorcista na diocese de Alcalá de Henares
Pe José Antonio Fortea, exorcista
na diocese de Alcalá de Henares

Em seu blog analisa os ataques recentes e frequentes das potências infernais e discerne sinistras intenções latentes. Por exemplo:

“As imagens das igrejas queimadas no Chile com a desculpa de reivindicações sociais, os ataques a imagens em templos católicos nos EUA com a desculpa do Black Lives Matter, as Femen que sobem aos altares, as pichações de ódio nas paróquias da Espanha…”.

A ofensiva infernal atingiu essa dimensão porque nos últimos vinte anos foi sendo atraída e promovida pelo ódio anticristão da “elite que tinha o domínio dos meios de comunicação”.

Ele explica que “o anticatolicismo agressivo existe numa parte da população de muitos países espalhado em séries, novelas, filmes, documentários”.

A partir dessa minoria humana associada a diabos, segundo ele, com sentimento anticatólico promove leis e reformas políticas:

“Não tenho a menor dúvida de que esta mentalidade passará a fazer parte das demandas de algum partido político em algum país.

“E que, além disto, essas medidas anticatólicas vão se estender a outras nações, porque o terreno está preparado”.

Mas qual é, afinal, o papel do demônio neste cenário? O exorcista expõe o seu ponto de vista:

“Alguns culpam o diabo por esses ataques. E eles estão certos, porque o maligno é um semeador de joio. Mas não nos esqueçamos de que (...) essa agressividade é resultado de uma semente humana.

“Semearam muito ódio de forma intencional. Os semeadores do ódio estão trabalhando há muito tempo.

Há séculos foram os maçons, depois foram os marxistas (…)

Nos próximos anos, grupos genericamente chamados de progressistas vão ser cada vez mais audazes nas suas petições aos congressos e tribunais”.

Segundo o Pe. Fortea essa onda varre em especial as democracias em que não há separação nítida entre os três poderes.

E acrescenta:

“Some-se a isto a política do governo chinês em relação aos cristãos, os martírios em lugares como a Nigéria, a apostasia na Europa… E depois os horrores do Estado Islâmico.

“O panorama não é esperançoso.

“Se olharmos as nuvens no céu e a direção do vento, eu temo que, infelizmente, vamos viver tempos de perseguição generalizada, com todas as aprovações das instituições do Estado”.
O Pe. Fortea, como também o Pe. Gabriele Amorth, fundador da Associação Internacional de Exorcistas, tiram inspiração das denúncias do maligno e de seus cúmplices humanos feitas pelo Beato Francisco Palau OCD. Cfr.: Um profeta de ontem para hoje, para amanhã, e para o fim dos tempos

Entre muitas outras coisas o carmelitano espanhol desvendava:

“Esses poderes políticos que impuseram aos povos um jugo tão pesado, (...) quem lhes dá esse poder?

“Que força os sustenta, não um, mas muitos anos, escravizando, destruindo, desorganizando, dissolvendo até a ordem da natureza?

“Esses homens famosos, (...) que vemos à testa da Revolução na Espanha, na Itália e na França, formam um só corpo moral, um só exército, um só e mesmo império com aqueles anjos rebeldes que no Céu empíreo fundaram a Revolução.

“A única diferença é que essas inteligências, por serem superiores ao homem que venceram, são as potestades e os poderes verdadeiros que dirigem essa guerra.

“E o homem alucinado pela sedução é um instrumento que serve para a execução de projetos combinados muitos séculos atrás por esses espíritos de maldade” (“La causa de Don Carlos”, El Ermitaño, Nº 78, 5-5-1870).


Incêndio da catedral de São Pedro e São Paulo em Nantes, França










Incêndio destrói Igreja Católica no interior na Bahia






Antes e depois do incêndio da igreja de Nurio Michoacán, México







terça-feira, 25 de maio de 2021

Guerra civil racial e religiosa se incuba na França?

Luis Dufaur
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Vinte generais franceses reformados publicaram uma carta aberta na difundida revista parisiense “Valeures actuelles” no dia 21 de abril denunciando “a desintegração que atingiu a nossa Pátria”, noticiou El Mundo de Madri.

Os autores dizem ter o apoio de “uma centena de comandantes efetivos e de mais de mil oficiais”.

Entre os 1.500 signatários, o Ministério da Defesa identificou 18 militares ativos que poderiam ser sujeitos a sanções disciplinares.

“Se não se faz nada, dizem, o laxismo continuará a se expandir inexoravelmente em nossa sociedade, provocando a meio termo uma explosão e a intervenção de nossos camaradas na ativa numa missão perigosa de proteção dos valores de nossa civilização”.

Os signatários precedidos pelo general Christian Piquemal, expulso depois de se manifestar contra a “islamização da Europa”, denunciaram “um certo anti-racismo” que cria “ódio entre as comunidades” porque “o que esses detestáveis e fanáticos partidários querem é uma guerra racial”.

Jean Luc Mélenchon, líder da extrema esquerda se mostrou indignado porque os signatários convidariam, segundo ele, “a uma intervenção contra os islamistas”.

Minorias islâmicas protagonizam guerrilha nos bairros por ódio contra a França
Minorias islâmicas protagonizam guerrilha nos bairros por ódio contra a França
A líder da extrema direita Marine le Pen aderiu aos militares reformados dizendo: “subscrevo a análise e partilho a aflição. (...) creio que é dever de todos os patriotas (...) levantar-te pela salvação do país”, e convidou “a tomar parte na batalha política e pacífica que se inicia”.

Menos de um mês depois saiu uma segunda carta aberta de militares da ativa acenando a uma “guerra civil que está se formando”.

Eles denunciam que essa eventual guerra civil racial-religiosa partiria do “comunitarismo” de grupos imigrantes que “despreza e odeia a França”, acrescentou “El Mundo” de Madri.

A primeira carta aberta teria coletado 163.137 adesões em pouco mais de 24 horas, segundo a revista que a publicou.

Os autores do segundo documento reconhecem que não podem falar abertamente, porém ficou impossível para eles ficarem calados.

Essa segunda carta é dirigida “ao Presidente da República, ministros, parlamentares e generais”.

Nela lembram que no “Afeganistão, Mali, África Central alguns de nós conheceram fogo inimigo. Alguns deixaram lá camaradas que deram suas vidas para destruir o islamismo ao qual vocês fazem concessões em nosso solo”.

Na Operação Sentinela – patrulhas militares que guardam as ruas francesas: “vimos com os próprios olhos os bairros abandonados, os compromissos com o crime.

Para generais, ruas francesas estão se assemelhando às do Afeganistão
Para generais, ruas francesas estão se assemelhando às do Afeganistão
“Temos sofrido as tentativas de instrumentalização de várias comunidades religiosas para as quais a França não significa nada mais do que um objeto de sarcasmo, desprezo e até ódio”.

Concordando com os generais, eles veem “o ódio à França e sua história se tornar a norma”.

“Já vimos essa declive em muitos países em crise. Ele antecede o colapso. Anuncia o caos e a violência que, ao contrário do que se afirma, não virá de um pronunciamento militar, mas de uma insurreição civil”.

O tom atinge seu clímax quando se dirigem ao presidente: “se uma guerra civil estourar, o exército vai manter a ordem (...), mas a guerra civil está se formando na França e você sabe perfeitamente”.

O presidente Macron não respondeu uma palavra.

Os ecologistas e a extrema esquerda apelaram à Justiça alegando que se trata de um movimento insurrecional. Mas o promotor público Rémy Heitz rejeitou a demanda porque via no texto “crime algum”.


terça-feira, 11 de maio de 2021

Sem crianças, metade das cidades japonesas pode se extinguir

Reprime-se a natalidade e o país vira um enorme refúgio de velhos
Reprime-se a natalidade e o país vira um enorme refúgio de velhos
Luis Dufaur
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O que nem a bomba atômica conseguiu a ‘cultura da morte’ está obtendo: extinguir a população do Japão.

Uma subcomissão ad hoc do Conselho de Política do Japão chegou à conclusão de que quase metade dos municípios do país terá dificuldades para continuar existindo normalmente até 2040, segundo vem informando há anos a BBC Brasil.

O estudo focou a população de mulheres com idade de 20 a 39 anos, pois elas são o fator-chave para o futuro da população japonesa.

Liderada pelo ex-ministro de Assuntos Internos, Hiroya Masuda, dita subcomissão elaborou a lista das cidades, vilas e aldeias cujas populações diminuirão em pelo menos 50% no período 2010-2040, se continuarem as atuais tendências anti-populacionais.

Censo 2005 do Japão: as cores apontam a idade média e o envelhecimento do país.
Censo 2005 do Japão: as cores apontam a idade média e o envelhecimento do país.

A estimativa está baseada nas estatísticas do Instituto Nacional de População e Pesquisa da Segurança Social.

O Instituto apontou 896 municípios, ou 49,8% do total do país, como locais que podem desaparecer, virando cidades fantasma.

523 localidades, cujas populações estão abaixo de 10 mil moradores – cerca de 30% do total –, tendem a “quebrar” por falta de crianças nas próximas décadas.

Em contrapartida, a população aumenta nas grandes cidades, procurando emprego, dinheiro e sensações, mas sem pensar na família e em ter filhos.

Onjuku é uma das cidades que podem virar 'fantasma' segundo a BBC.
Onjuku é uma das cidades que podem virar 'fantasma'.
O governo japonês quer formar um comitê para tratar exclusivamente da regeneração das cidades do interior, focado principalmente na criação de postos de trabalho para jovens e no aumento da taxa de natalidade.


terça-feira, 13 de abril de 2021

Neurocientistas detectam estragos mentais da “vida digital”

Cinco neurocientistas passaram um mês numa região remota e agreste para experimentar males dos artefatos digitais
Cinco neurocientistas passaram um mês numa região remota e agreste
para experimentar males dos artefatos digitais
Luis Dufaur
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Cinco neurocientistas americanos passaram um mês numa região remota e agreste do estado de Utah, para tentar compreender o quanto o uso intenso de artefatos digitais e outras tecnologias cibernéticas mudam o modo pensar e a conduta dos homens.

Eles queriam ver também se um retiro ajuda a reverter os maus efeitos.

A experiência foi em 2010, porém hoje seus resultados estão cada vez mais atuais, sobre tudo com a dependência dos dispositivos virtuais estimulada pela pandemia. A reportagem foi publicada no The New York Times.

Na região escolhida não há antena para celulares e os emails não chegam.

Os especialistas deixaram os laptops na cidade e partiram para uma “viagem ao coração do silêncio” através do rio San Juan que atravessa canhões inóspitos.

Os professores descobriram que dormiam melhor, mesmo em regime de acampamento, e perderam a ansiedade para consultar incessantemente o celular.

David Strayer, professor de psicologia da Universidade de Utah, observou que a atenção, a memória e o aprendizado dos cidadãos modernos estão afetados.

As pessoas perdem a capacidade de prestar atenção, disse. Mas, “a atenção é o ‘Santo Graal’ do problema”, explicou Strayer. “Tudo aquilo que está na sua consciência, tudo o que é lembrado ou esquecido depende dela”.

Para Strayer o estudo ajuda a resolver uma nova gama de doenças além de outras agravadas pelo uso pesado da informática. 

Estímulos digitais diários intensos, explicou o cientista, “dão às pessoas a ideia que estão O.K. quando na realidade elas estão ingressando na categoria de pessoas psicologicamente não saudáveis”. Para Strayer, o problema não é menos grave que o consumo excessivo de álcool ou da obesidade.

Paul Atchley, professor da Universidade de Kansas, estuda o uso compulsivo de celulares pelos adolescentes.

Para ele o uso continuado da informática inibe o pensamento profundo, causa ansiedade, danos diversos à saúde e dependência.

A maré de dados ininterruptos cria uma falsa sensação de urgência que afeta a capacidade das pessoas para focalizar com objetividade os fatos, disse Strayer.

O especialista observou aquilo que o mais simples humano de outrora conhecia, isto é, que a natureza refresca o cérebro.

Na experiência “nossos sentidos mudaram. Eles se reequilibraram. Você presta atenção nos sons, nos grilos cantando, no rumor do rio, nos aromas. Você fica mais conectado com o ambiente que te rodeia, com a terra, antes que com o ambiente artificial da eletrônica”.

“Isto é o que chamavam de férias. É algo restaurador”, acrescentou Todd Braver, professor de psicologia na Washington University de St. Louis (EUA), descobrindo o “ovo de Colombo”.

O National Institute of Health criou uma divisão especializada em estudar as áreas do cérebro atingidas pelas tecnologias audiovisuais.

Os estudos do comportamento mostraram que as pessoas engajadas no multitasking têm perda de produtividade.

“A expectativa de receber e-mails parece consumir partes da memória ativa”, elucida Steven Yantis, chefe do departamento de Ciências Psicológicas e Cerebrais da Johns Hopkins, que estuda os efeitos de surfar entre várias tarefas simultaneamente.

“Com menos memória ativa, você tem menos espaço para guardar e assimilar ideias e, portanto, de fazer os raciocínios que você precisa”, acrescenta o professor Art Kramer, da Universidade de Illinois, que chefia estudos neurológicos que atraíram verbas de dezenas de milhões de dólares.

No fim do dia, os especialistas põem em comum suas sensações
No fim do dia, os especialistas põem em comum suas sensações
Os professores foram registrando suas experiências em longas conversas permeadas de períodos de silêncio, passeios a pé ou em canoa, ou observação do voo dos falcões.

Eles notaram que as ideias fluem num ritmo que mais parecia com o passar das águas do rio.

“Há verdadeira liberdade mental quando você sabe que ninguém vai vir te interromper”, disse Braver.

Qualquer monge medieval teria explicado isto e muito melhor, mas foi preciso chegar ao século XXI para redescobrir esta verdade elementar.

Os outros também comentavam que a viagem foi mais útil que se tivessem ido a hotéis, por vezes lotados de clientes.

“O tempo foi ficando mais lento”, constatou Kramer que de início não conseguia sair sem levar um celular satelital pois aguardava a confirmação via email de um financiamento de 25 milhões de dólares para uma de suas pesquisas.

E os 25 milhões? “Eu não me preocupava com eles. Nem pensava neles”, disse, reconhecendo que, no fundo, era uma preocupação improcedente, pois a aprovação da verba não dependia de sua preocupação.

Na experiência “nossos sentidos mudaram. Eles se reequilibraram
No segundo dia, ele descobriu que estava recolhendo com vagar sua tenda e que perdera a sensação de urgência que o dominava.

Kramer anotou que o grupo ficou muito mais refletido, tranquilo, voltado para a realidade que o rodeava. “Se eu aparecesse assim no trabalho, o pessoal acharia que eu ando desligado”, gracejou.

Braver abandonou o consumo obsessivo do cafezinho e esqueceu-se de ligar o relógio, embora lá não tivesse celular.

Strayer, tido como “crente” na tecnologia, reflexionou: “E se nós concluímos que o pessoal anda fatigado e não aproveita seu potencial cognoscitivo? O que é que poderemos fazer para lhes devolver suas capacidades plenas?” 


terça-feira, 6 de abril de 2021

Perdura o atrativo da Legião Estrangeira

Luis Dufaur
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Há uma unidade de combate aureolada de prestígio e mistério malgrado suas singularidades: a Legião Estrangeira, que é da França, mas é integrada por não-franceses.

O jornal parisiense “Le Figaro” lhe dedicou mais uma reportagem consciente de que o público não se cansa de ouvir falar dela.

O jornal admira o ambiente em que se forma o legionário: um luxo modesto na limpeza de um mosteiro.

A Legião tem uma liturgia própria que não é o sacrifício do sacerdote no altar, mas do herói nos campos de combate mais extremos.

O antigo e natural mecanismo de hierarquização define quem manda e quem obedece, quem se distancia e quem assume a defesa.

A Legião Estrangeira tomou corpo nas lutas contra mouros na Argélia
A Legião Estrangeira tomou corpo nas lutas contra mouros na Argélia
A autoridade natural é o princípio que fundamenta a sublime desigualdade com base no valor manifestado.

No Saara ou na Amazônia essas unidades compostas de voluntários trazidos pelos quatro ventos.

Eles se organizam, constroem seus abrigos e suas jangadas, com tanta afinidade mútua que Andrei, com sotaque russo, diz que ali está sua “pátria interior”.

Na Legião ecoam ao vivo a lembrança das grandezas da França em todas as circunstancias desde as Cruzadas.

Cada um dos voluntários “sem nome” é como uma concha deixada pela maré na praia. Ali entra numa Legião embebida em lendas de glórias e de lutos, de vitórias e catástrofes, onde desconhecidos se tornaram alguém.

O legionário tem uma genealogia de antepassados e irmãos mortos e vivos povoando a pátria da façanha!

A Legião insulta a modernidade”, resume o tenente-coronel Montulo. Composta ao 90% de estrangeiros e comandada por franceses, a Legião faz homens lutar por uma nação que não é a sua.

Como os monges, velhos estudiosos que cultuam uma luz sobrenatural feita de fé, ciência e arte, o legionário cultua o exemplo dos heróis cujas figuras pairam nos céus intangíveis da França

Os clérigos salvaram os manuscritos gregos quando os bárbaros devastaram o Império, os legionários salvam a humanidade da aviltada modernidade sem cerimônia, parafrasea “Le Figaro” .

O paradoxo da Legião consiste em que estrangeiros salvam os ecos de uma velha ideia da França enquanto espera que os franceses saiam da dormência hodierna.

Os franceses não têm mais forças para reeditar a gesta de séculos idos, mas outros fazem isso por eles.

Na Legião zelam por um país que já não se ama porque envenenado pela “Liberté, Égalité e Fraternité”, mas admira o gênio de outros que a amam.


terça-feira, 30 de março de 2021

Em 2021 o aborto matou o triplo que a pandemia desde o início

Aborto matou o triplo que a pandemia
Aborto matou o triplo que a pandemia, mas 'cultura da morte' e mídia silenciam
Luis Dufaur
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No dia 10 de março (2021), a soma das mortes provocadas pela Covid-19 em todo o planeta desde o começo da pandemia estava perto de 2,625 milhões.

Nessa mesma data o total de abortos perpetrados no mundo somente em 2021, portanto em menos de 2 meses e meio, superou o triplo dessa sinistra marca: mais de 7,985 milhões de abortos desde o 1º de janeiro, informou “Aleteia”.

Isso mesmo: em menos de 2 meses e meio de 2021, as vítimas de abortos propositais triplicavam o total de mortes decorrentes da peste histórica do Covid-19 ao longo de mais de 14 meses desde seu início na China.

Os números foram calculados pelo site Worldometers.info, um painel de estatísticas mundiais que apresenta números a partir de fontes oficiais em constante atualização.

Ele mostra, por exemplo, que do dia 1º de janeiro de 2021 até o dia 10 de março, nasceram 26,2 milhões de pessoas, enquanto faleceram 11 milhões de seres humanos, sem contar os abortos.

Os números do Worldometers, por mais chocantes e inacreditáveis que pareçam, guardam coerência com os dados da própria Organização Mundial da Saúde (OMS).

Segundo as estatísticas da OMS confirmadas pelo Instituto Guttmacher, entre 2015 e 2019 foram provocados em média 73,3 milhões de abortos não espontâneos POR ANO, ou seja, uma média de 6,10 milhões de abortos POR MÊS.

Além disso, dados de 2018 do Center for Disease Control (Centro de Controle de Doenças) dos EUA, mostram que 33,6% dos bebês mortos em abortos eram negros, embora a população dessa cor no país represente apenas 12,3% da população.


quarta-feira, 17 de março de 2021

Festa de São José, rei a três títulos sublimes,
Padroeiro da Igreja

São José, escola de Cuzco, século XVIII, Denver Art Museum.
São José, escola de Cuzco, século XVIII, Denver Art Museum.
Luis Dufaur
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São José era, ao mesmo tempo, trabalhador manual, carpinteiro e como tal pertencente à camada mais modesta da sociedade.

Mas de outro lado, ele era descendente do rei Davi, e de toda uma linhagem de reis de Israel.

A Casa de Davi decaiu e, com o tempo, perdeu o trono, afastou-se do poder. Sua família continuou a morar em Israel, em Judá, mas cada vez menos influente, menos poderosa e menos rica.

Quando afinal nasceu Nosso Senhor Jesus Cristo a Casa de Davi estava no auge de sua decadência.

Então, São José Operário pode ser e deve ser cultuado enquanto operário.

Mas pode e deve também ser cultuado enquanto príncipe da Casa de Davi.

terça-feira, 16 de março de 2021

Papa Francisco troca hostilidade por simpatía aos EUA de Biden

Francisco mostrou simpatía com a eleição de Biden, arauto da cultura da morte
Francisco mostrou simpatia com a eleição de Biden, arauto da cultura da morte
Luis Dufaur
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O Vaticano sempre agiu com prudência diplomática ao divulgar audiências papais pessoais concedidas a personagens proeminentes da vida pública, sobretudo quando estão em conflito com dogmas da Igreja, observou o “National Catholic Register”.

Assim foi feito numa audiência concedida em 2011 ao então vice-presidente Joe Biden que se professa católico mas promove políticas cruamente contrárias ao ensino da Igreja Católica.

São Pio X recebeu ao Kronprinz, herdeiro do império alemão protestante que aplicava a política dita Kulturkampf abertamente hostil à Igreja.

Em tempos mais próximos, Bento XVI recebeu em Castel Gandolfo ao teólogo suíço dissidente Pe. Hans Küng em 2005, ou no mesmo ano à jornalista ateísta Oriana Fallaci, encontro esse nunca anunciado publicamente.

A administração pro-vida dos EUA não tinha as simpatias do Papa Francisco
A administração pro-vida dos EUA não tinha as simpatias do Papa Francisco
EO apoio de Biden ao aborto legalizado era bem conhecido em 2011 e não houve menção oficial alguma ao encontro e apenas uma fotografia e uma pequena legenda foram publicadas no L'Osservatore Romano.

m 2009, Bento XVI recebeu em audiência privada à presidente da Câmara, Nancy Pelosi, ardida postuladora de leis anti-vida. Nenhuma foto ou repórter foi permitida no encontro de 15 minutos.

No pontificado de Francisco, o Vaticano diminuiu visivelmente sua abertura aos proeminentes políticos católicos dos EUA que durante a administração Trump assumiram posições pela vida, contra a agenda LGBT e o ambientalsimo radical, entre outros pontos candentes.

A cautela foi substituída até pelo espalhafato. Ele passou a receber recebe visitas frequentes de personagens altamente contenciosos com o ateu Eugenio Scalfari, e até a comentá-las e propagandeá-las.

Ou, em grau menor, ao transgênero espanhol Diego Neria Lejárraga em 2015, e à filantropa católica pró-aborto e pró-contracepção Melinda Gates em novembro de 2019 .

Antes e depois da eleição presidencial de 2020, Biden passou a receber um tratamento do pontífice mais favorável do que seu oponente, o presidente Donald Trump.

O Vaticano de Francisco que se reputa mais aberto e acolhedor existe, sim, para Biden e sua crescente divergência com o magistério da Igreja sobre os principais ensinamentos morais católicos observa o o “National Catholic Register”.

Política da mão estendida ao demoledor da vida e da família
Política da mão estendida ao demolidor da vida e da família
Em menos de uma semana na Casa Blanca, o candidato preferido do pontífice argentino se engajou na mais radical agenda pró-aborto e teoria do gênero assumida por um presidente americano, em oposição às medidas pro-vida de seu antecessor, Donald Trump, pelo qual Francisco não poupou antipatia.

Outras questões-chave alineiam Francisco com Biden como a imigração e o combate às mudanças climáticas.

Nesses pontos – bandeiras das esquerdas – o papa Francisco em pessoa ou pela voz de sua equipe vaticana, criticou insistentemente a administração Trump. Isso desde a campanha presidencial de 2016, durante toda sua administração e para rematar na campanha presidencial de 2020.

Portanto, não é surpresa que o segundo presidente católico dos Estados Unidos apareça sem escrúpulos demolindo os fundamentos da família, da moral e da vida, dizendo levar um terço no bolso e contar com a benção da Santa Sé.



terça-feira, 2 de março de 2021

Enclaustrados pela pandemia: cérebros cada vez mais exaustos pelo uso intensivo da informática

Loren Frank, profesor de fisiologia: um dos cientistas consultados.
Loren Frank, profesor de fisiologia: um dos cientistas consultados.
Luis Dufaur
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Os cérebros têm cada vez menos tempo para repouso e saem danificados por causa do uso intensivo de equipamentos digitais, explicaram cientistas citados pelo “The New York Times” já em 2010 quando as pessoas tinham liberdade para espairecer, viajar, mudar de locais, se reunir com amigos, passar momentos distendedores. 

Mas agora, com a extensão continuada dos lockdowns, quarentenas e regimes amarelos e vermelhos pelo coronavírus o problema está gerando uma multiplicação assustadora de psicopatias e milhares de doentes psiquiátricos.

As pessoas querem remédio para o tédio, mas a invasão digital impede que elas aprendam melhor, memorizem a informação e gerem novas idéias. E para pior dificilmente podem sair de casa a vontade.

Experiências de cientistas da Universidade de Califórnia, San Francisco, apontaram como certo que o repouso “permite ao cérebro aproveitar as experiências, solidificá-las e transformá-las em memória permanente”, disse Loren Frank, professor do Departamento de Fisiologia. Porém, quando o cérebro está continuamente estimulado “impede-se este processo de aprendizado”.

Estudo da Universidade de Michigan comprovou que as pessoas aprendem mais após um passeio pela natureza do que após um passeio num ambiente densamente tecnológico urbano.

Refeição sem distensão e relacionamento: danos cerebrais
Refeição sem distensão e relacionamento: danos cerebrais
“As pessoas acham que estão se refrescando a mente, mas na realidade estão se fatigando a sim próprias”, explicou Marc Berman, neurocientista da Universidade de Michigan.

Por exemplo, “em lugar de terem longos períodos de distensão, como é o caso de uma refeição de duas horas” as pessoas apelam para videojogos especialmente concebidos para todas as ocasiões.

Os fabricantes de jogos digitais como Electronic Arts, acrescentou Berman, “reinventaram os jogos para se encaixar até nos micro-momentos da vida diária”. O prejudicado é o cérebro.

A consulta assídua dos celulares traz dano mental, sobre tudo quando é feita nos momentos em que o homem deveria se distender.

Apagar e-mails enquanto ouve-se a rádio num café é hoje banal.

A pessoa acredita estar aproveitando o tempo, mas ela está negando a seu sistema nervoso um indispensável momento de recuperação.

Falar no celular enquanto se guia o carro, se faz compras ou qualquer outra atividade; ler ou ouvir livros digitais ou surfar na esteira parece trazer vantagens de tempo.

Surfando numa academia: exemplo de dano às funções cerebrais
Surfando numa academia: já era exemplo de dano às funções cerebrais.
Imagine-se uma pessoa na solidão do isolamento forçado
Mas, no fim de um dia de “multitasking” o cérebro está exausto.

O mesmo vale para o uso prolongado de computadores ou equivalentes na solidão em casa em quarentenas que prometiam serem limitadas e vão se extendendo indefinidamente ao capricho de políticos.

Além do mais com estas práticas, os pesquisadores acham que ficam anulados os benefícios das novas tecnologias. 



terça-feira, 16 de fevereiro de 2021

Pandemia esvazia práctica católica
já minada no pós-concilio

Só um fiel na Catedral de Westminster, Londres
Só um fiel na Catedral de Westminster, Londres
Luis Dufaur
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O Covid-19 impactou a prática da fé como uma telha que caísse sobre um altar de madeira carcomido a fundo pelo caruncho e provocando assustador desfazimento.

Na França, após a liberdade devolvida ao culto católico, abandonou a missa entre 15 e 30 % do minguadíssimo número que ainda assistia.

A decadência se inseriu na acentuada curva decadente do período pós-conciliar. Os que ainda comparecem apontam os mesmos fatores: indiferença abandono da catequese, dos sacramentos, fidelidade cambaleante, segundo o jornal “La Croix” porta-voz oficioso da Conferência Episcopal.

Em 1978 81% dos franceses se afirmava católica, hoje só 53%. Mas só o 4,5%, vai à missa, e só uma vez por mês! Declara cumprir o preceito dominical semanal apenas o 1,8%.

A enquete não diferencia entre rito ordinário e extraordinário, dando a impressão de ser o total dos comparecimentos.

Numa pandemia de tal maneira focada nos perigos da doença, no número de contágios e mortes, não era a hora dos fiéis tendo à sua testa, e massivamente o clero, invocarem fervorosamente os auxílios sobrenaturais que em dois milênios e com tanta eficácia afastaram as piores epidemias de um modo que ficou registrado para sempre em livros e monumentos?

Terá sido a “fumaça de Satanás” que invadiu os templos e afastou o corpo da igreja da sua fonte de salvação que encegueceu a fé e alimentou a obsessão sanitária materialista?

Pe. Giuseppe Corbari, párroco de Robbiano, celebra misa dominical para um monte de fotos
Pe. Giuseppe Corbari, párroco de Robbiano, celebra missa dominical para um monte de fotos
O jornal símbolo do catolicismo francês descreve seus apertos econômicos, esmolas e malabarismos para tampar as perdas e não fechar, sem sequer mencionar algum apelo ao sobrenatural.

O Episcopado chora agudas perdas nas esmolas: 40% a menos de um orçamento que só fazia diminuir na crise pós-conciliar, tratando do problema econômico como se Deus não estivesse ai e nunca tivesse socorrido fiéis e igrejas na necessidade. Cfr.: “La Croix”

Mas nem por esse argumento pecuniário, que os faz sofrer tanto, as igrejas deixaram de ser fechadas! 

O recurso a que recorrem em última instância são as subvenções dos órgãos públicos herdeiros da jacobina e anticristã Revolução Francesa! E que fornece auxílios, aliás, tacanhos que não cobrem as despesas e ordenados de funcionários.

Se há um santuário que Nossa Senhora em pessoa instituiu para curar os aflitos de todo mal e doenças, cujos milagres a ciência médica confirmou de modo estentóreo é o de Lourdes.

Mais de sete mil deles foram analisados com a lupa anos a fio por comissões de especialistas dotados dos melhores equipamentos que reconheceram curas inexplicáveis pela ciência.

Para não falarmos dos milhões de outros casos não analisados ou não declarados ao Bureau Medical de Lourdes. Quantas dezenas de milhões de fiéis foram a Lourdes a pedir a cura ou o consolo e voltaram se achando atendidos?

Mas, Lourdes, o santuário das curas, está quase deserto. O que houve? 

E os incontáveis altares, capelas ou grutas, réplicas da de Massabielle que há espalhadas no mundo inteiro onde se registraram alguns dos mais estonteantes milagres de Lourdes na Terra?

Ninguém na missa de Páscoa na Basílica de Aparecida. Arcebispo pediu que os fiéis sigam 'orientações dos médicos'
Ninguém na missa de Páscoa na Basílica de Aparecida.
Arcebispo pediu que os fiéis sigam 'orientações dos médicos'
Que fenômeno estranho aconteceu por onde os doentes, reais ou imaginários, não foram pedir a cura fulminante do Céu enquanto discutiam remédios e variantes de vacina?

Não é diferente em Aparecida: no ano 2020 acolheu 3.371.127 romeiros, segundo dados oficiais do Santuário Nacional, com uma diminuição de 75% em relação a 2019, quando foram registrados 11.963.635.

Desde 2014, a visitação anual à Basílica de Aparecida era igual ou superior a 12 milhões, sublinha a publicação do Santuário.

Para se ter ideia, de 1º de janeiro a 14 de março de 2020 1.546.322 devotos passaram pelo Santuário. Mas quando a doença atingia o auge o Santuário de Aparecida fechou. 

De 15 de março a 31 de dezembro, só compareceram 1.824.805 peregrinos. Em quase dez meses compareceu perto dos mesmos números dos dois primeiros meses do ano.

A diminuição de público em datas tradicionalmente movimentadas foi sensível: o 12 de outubro, Dia da Padroeira, apareceram por volta de 30 mil fiéis quando o ano anterior tinham sido mais de 160 mil.

A Igreja anglicana da Trindade ficou ainda mais vacia de fieles en Manhattan
Triunfo do ateísmo? A Igreja anglicana da Trindade em Manhattan
ficou ainda mais vazia de adeptos
A movimentação anual em 2020 foi a mesma das décadas de 60 e 70 do século passado.

Uma exceção ocupa um local de honra: a ponderável afluência de fiéis, em sua maioria casais jovens com muitos filhos, ao rito extraordinário da Missa – ou de São Pio V, ou simplesmente ‘missa em latim’ – sendo que eles antes da pandemia não o frequentavam.

Para essa dinâmica e fervorosa minoria tudo se passa como se a salvação se encontrasse na igreja de sempre. 

Puseram a velha modernidade carunchada de lado e com a paz na consciência foram as igrejas onde tem certeza ouvir a voz do Bom Pastor e onde aspiram ter a proteção de Nossa Senhora. 

Mas é preciso reconhecer que é um fenômeno minoritário.

Para muitos católicos o fechamento das igrejas resutou também de um grande processo anti-cristão
Para muitos católicos o fechamento das igrejas resultou também de um multi-secular processo anti-cristão
Outro exemplo é o das procissões de Semana Santa de 71 irmandades em Sevilha que reúnem centenas de milhares de católicos e curiosos. 

Elas foram totalmente interditadas pela Arquidiocese por segundo ano consecutivo com argumentos não de fé mas sanitários: evitar contágios e com os termos mais draconianos, conforme noticiou ACI Prensa.

Algo semelhante só aconteceu em 1933, durante uma onda de crimes de bandas esquerdistas da II República nas vésperas da sangrenta Guerra Civil 36-39.

O que devia ser a rememoração da Paixão, Morte e Ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo, ficou parecendo da parte do clero e do povo com uma imensa manifestação de indiferença e insensibilidade, ou até um triunfo de Lutero sobre o Concílio de Trento.


quinta-feira, 4 de fevereiro de 2021

Santa Teresinha e a parábola do escritor Saint-Exupéry






O escritor e aviador francês Saint-Exupéry (1900-1944) descreve simbolicamente em seu livro Vol de Nuit (voo da noite) a situação da pessoa que, almejando colocar-se acima das misérias terrenas, procura com avidez alcançar o sublime. 

Vamos primeiro ao texto, que comentaremos depois.

Imagina ele um aviador de nome Fabien voando em meio a uma tormenta que parece arrastá-lo para o sorvedouro:

“E foi num momento destes que algumas estrelas brilharam sobre a sua cabeça, num rasgão da tempestade [...]. Sua fome de luz era tal, que Fabien subiu. [...]

Sofrera tanto em busca duma luz, que já não largaria mesmo a mais confusa. Sentindo-se afortunado com aquele pobre clarão, seria capaz de dar voltas, até cair morto, em torno daquele sinal do qual andava faminto. E ei-lo subindo até os campos de luz.

“Elevava-se pouco a pouco, em espiral, num poço que se abrira acima dele e se fechava debaixo dele. E à medida que subia, as nuvens iam perdendo a sua cor escura de lama, passavam a seu lado como vagas cada vez mais puras e brancas. Fabien emergiu.

“Foi imensa a sua surpresa, a claridade era tal que o ofuscava. Teve de fechar os olhos durante alguns segundos. Nunca imaginara que de noite as nuvens pudessem ofuscar. Mas a lua cheia e todas as constelações transformavam-nas em vagas deslumbrantes.

“No mesmo instante em que emergia, o avião recuperou subitamente a calma, uma calma que parecia extraordinária. Nenhuma onda o fazia inclinar-se.

Como um barco que transpõe o dique, entrava em águas reservadas. Encontrava-se num canto do céu ignorado e escondido, como a baía das ilhas bem-aventuradas.

Abaixo dele, a tempestade constituía um outro mundo de três mil metros de espessura, percorrido por rajadas, por trombas d’água, por relâmpagos, mas oferecia aos astros uma face de cristal e neve.

“Fabien tinha a sensação de ter chegado a limbos estranhos, pois tudo se tornava luminoso: as suas mãos, o seu vestuário, as suas asas. [...]

“Aquelas nuvens, abaixo dele, refletiam toda a neve que recebiam da lua. E também as da direita e da esquerda, altas como castelos. Corria um leite de luz, em que a tripulação se banhava. [...]

Mil braços obscuros o tinham largado. Tinham-se quebrado as cadeias, como as de um prisioneiro que deixam caminhar só, por um instante, entre flores. ‘Belo demais’, pensava Fabien, enquanto vagueava no meio de estrelas amontoadas como um tesouro” (Antoine Saint-Exupéry, Vol de Nuit, Gallimard, 1972).

* * *

O que dizer?

Esse sublime existe, e ele se reflete nas coisas que nos cercam.

Tudo o que existe de belo, verdadeiro e bom nesta Terra é reflexo de uma realidade superior, que Deus criou para os que O amam, e que encontraremos plenamente desabrochada no Céu.

Aqui na Terra, esses aspectos sublimes, que espelham a Deus, encontram-se misturados com o horrendo, o mau e o errado, por efeito do pecado original e dos pecados atuais dos homens, e também pela ação diabólica que a tudo quer corromper.

Pode haver épocas ou situações em que as semelhanças da sociedade terrestre com o Céu predominem, e outras em que os reflexos do Inferno nos flagelem, como a atual.

Mas em qualquer tempo existirão os dois mundos –– o do belo e o do horrendo –– muitas vezes mesclados.

Felizes aqueles que souberem distingui-los, para detestar o feio e admirar o belo. Mais ainda, para serem lutadores em favor do bem e da verdade, contra o mal e o erro.

Os que se encantam com a beleza, a verdade e o bem, onde quer que eles se encontrem, esses preparam suas almas para o Reino de Deus.

A mais acertada conclusão desta “visão” de Saint-Exupéry não nos é dada pela bela descrição simbólica que ele faz –– e que permanece no terreno meramente natural –mas sim pelo escrito singelo de Santa Teresinha do Menino Jesus: “Por cima das nuvens o céu é sempre azul”.

E para a carmelita de Lisieux, este céu que paira sobre as nuvens é o Céu dos Bem-aventurados.