![]() |
| IA, redes sociais e ‘apodrecimento cerebral’ |
![]() |
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de política internacional, sócio do IPCO, webmaster de diversos blogs |
Shiri Melumad, professora da Universidade da Pensilvânia, deu uma tarefa de redação simples a 250 pessoas: dar conselhos de vida saudável.
Alguns recorreriam a Google, e outros à inteligência artificial (IA).
Os primeiros deram conselhos mais sutis sobre saúde física, mental e emocional.
Os segundos ficaram em obviedades maiormente inúteis.
Conclusão: a IA deteriora o estado mental já afetados pelos conteúdos de baixa qualidade na internet.
O Oxford English Dictionary escolheu “apodrecimento cerebral” como a palavra do ano 2024, para definir os adictos às redes sociais com “os cérebros em mingau”. Cfr.
Em 2008, muitos anos antes da chegada da IA, a revista “The Atlantic” publicou um ensaio intitulado “O Google está nos tornando burros?”.
Embora essas preocupações fossem exageradas, a crescente desconfiança da academia em relação ao impacto da IA na aprendizagem é uma notícia preocupante para os EUA.
Nesse país o desempenho em compreensão da leitura já está em declínio acentuado.
Em 2025, as notas em leitura das crianças, incluindo alunos do oitavo ano e do último ano do ensino médio, atingiram novos mínimos.
A Avaliação Nacional do Progresso Educacional, há muito considerada o exame mais confiável dos EUA, apontou que desde que a pandemia da covid-19 interrompeu a educação e aumentou o tempo de tela entre os jovens trazendo preocupantes quedas na intelecção das crianças.
Para os pesquisadores cada vez há mais evidências de uma forte ligação entre o baixo desempenho cognitivo e a IA e as redes sociais.
Um novo estudo liderado por pediatras descobriu que o uso das redes sociais estava associado a um desempenho inferior entre crianças que faziam testes de leitura, memória e linguagem.
O estudo mais importante de 2025 sobre os efeitos da IA no cérebro foi realizado pelo célebre MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts).
Seus pesquisadores procuraram entender como ferramentas como o ChatGPT, da OpenAI, poderiam afetar a forma como as pessoas escrevem.
O estudo envolveu 54 estudantes universitários, e os resultados levantaram questões importantes sobre se a IA poderia prejudicar a capacidade de aprendizagem das pessoas.
Os estudantes foram solicitados a escrever uma redação de 500 a mil palavras e foram divididos em diferentes grupos: o primeiro podia escrever com a ajuda do ChatGPT, o segundo podia pesquisar com o recurso tradicional do Google e, o terceiro, podia contar apenas com seus cérebros.
Os alunos usavam sensores que mediam a atividade elétrica em seus cérebros.
Os usuários do ChatGPT apresentaram a menor atividade cerebral, o que não foi surpreendente.
Um minuto após concluírem suas redações, os alunos foram solicitados a citar qualquer parte de suas delas. A grande maioria dos usuários do ChatGPT (83%) não conseguiu se lembrar de uma única frase.
EOs alunos que recorreram a Google conseguiram citar algumas partes, e os alunos que não usaram nenhuma tecnologia não só recitavam várias frases, mas até reproduziam quase toda sua redação.
“Já se passou um minuto e você realmente não consegue dizer nada?” sinal de ‘apodrecimento cerebral’, perguntava espantada Nataliya Kosmyna, cientista pesquisadora do MIT Media Lab que liderou o grupo dos usuários do ChatGPT. “Se você não se lembra do que escreveu, não sente propriedade. Você ao menos se importa?”
A cientista Kosmyna diz que se preocupa com as consequências para as pessoas que usam chatbots de IA em áreas onde a retenção é essencial.
Tal seria o caso do aluno que estuda para piloto e não lembra do que lhe foi ensinado!.
Estados como Nova York, Indiana, Louisiana e Flórida correram para proibir celulares nas salas de aula.
A revista médica JAMA publicou um estudo conduzido pela Universidade da Califórnia, em São Francisco. O Dr. Jason Nagata, pediatra que liderou o estudo, e seus colegas analisaram dados do ABCD (Adolescent Brain Cognitive Development, Desenvolvimento Cognitivo do Cérebro Adolescente), projeto que acompanhou mais de 6.500 jovens de 9 a 13 anos de idade, entre 2016 e 2018.
![]() |
| Médicos alertam contra o Apodrecimento cerebral (brain rot) |
TikTok e Instagram prejudicariam as notas dos testes.
Ficou certo que cada hora que uma criança passa navegando pelos aplicativos tira tempo de atividades mais enriquecedoras, como ler e dormir, disse o Dr. Nagata.
O Dr. Nagata sugeriu que os pais imponham zonas livres de telas, proibindo o uso do telefone no quarto e na mesa de jantar.
Por fim, os grupos desse estudo trocaram de papéis: os que dependiam apenas de seus cérebros para passar a usar o ChatGPT, e as pessoas que dependiam do ChatGPT nunca ficaram no mesmo nível do primeiro grupo usando apenas seus cérebros.
As pessoas que querem aprender a escrever deveriam iniciar o processo usando seus cérebros antes de recorrer às ferramentas de IA. Tanto o Google quanto a OpenAI se recusaram a comentar.
Nossa Senhora

%20a%20palavra%20do%20ano%202024.jpg)
.jpg)





































