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Solidão e depressão nórdica. |
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Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs
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Costuma-se ainda a apresentar os países escandinavos como um paraíso material resultante de um igualitarismo avançado.
Neles os sistemas públicos seriam exemplares, os rankings de felicidade entrariam no ‘top 10’, e a igualdade de gênero teria tornado invejáveis a vida e o progresso social.
Porém, a verdade está longe dessa fachada de modernidade igualitária bem-sucedida, conforme registrou reportagem do jornal portenho
“La Nación”. “Existe um lado mais obscuro, conhecido por poucas pessoas”, escreve.
“Esses países parecem deslumbrantes. Muitos não enxergam além da ‘felicidade’, da riqueza, da abertura e da democracia.
“Acredito que as pessoas queiram achar que existe em algum local do mundo uma utopia maravilhosa”, explica o jornalista inglês Michael Booth, autor do livro
Pessoas quase perfeitas. O mito da utopia escandinava.
Na última década, a residência de
“Alice no país das maravilhas” e de Papai Noel foi imaginada na Escandinávia.
Porém, quando quanto mais alto se sobe no mito, mais dolorida é a queda na realidade.
A
Suécia, país de 9,9 milhões de habitantes, é o mais conhecido do maravilhoso país de Alice por seu modelo de suposto bem-estar material.
Seu sistema estatal, intensamente socializado, faz de cada indivíduo um ser plenamente independente, pelo menos na teoria.
Mas
o resultado final foi inesperado e devastador: a solidão se transformou em epidemia. A metade dos suecos vive sozinha e um de cada quatro morre sem ter quem o acompanhe.