terça-feira, 28 de novembro de 2023

O “modo monge” desafoga desligando redes sociais

Bombardeio de mensagens digitais prejudica produtividade
Bombardeio de mensagens digitais prejudica produtividade
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs







A dificuldade de se concentrar no trabalho por causa dos e-mails, mensagens e notificações de redes sociais, a perda de tempo assistindo a vídeos virais está causando estragos no trabalho.

Para fugir do cerco da tecnologia que lhes impede concluir o trabalho um número crescente de pessoas que querem ser mais produtivas e recuperar o equilíbrio mental, acharam uma solução, explicou “La Nación”.

Susie Alegre, por exemplo, bloqueia o acesso de seu celular às redes sociais pelo tempo que ela precisar.

Ela é uma advogada baseada em Londres, que diz que desta forma se concentra melhor, eliminando as distrações.

“É incrivelmente difícil ter um smartphone e não perder um tempo significativo apenas por pura força de vontade”, reconhece.

Alegre usa o aplicativo Freedom (“liberdade”) que permite escolher as redes sociais e sites a ser bloqueados ou desconectados completamente. Ela seleciona o tempo do bloqueio em horas e minutos, que pode alterar ou cancelar.

Outros aplicativos semelhantes são ColdTurkey, FocusMe e Forest.

Pelo aumento de popularidade deste método e pela maior produtividade obtida foi chamado de “modo monge” porque implica dedicar-se a uma única tarefa sem a intrusão de tecnologia ou outras distrações.

No TikTok os vídeos rotulados #monkmode já haviam acumulado mais de 77 milhões de visualizações e aumentavam.

Alegre elogia o “modo monge” porque a ajudou a se concentrar na escrita de seu livro “Liberdade para Pensar”, publicado no ano passado.

Susie Alegre apelou ao 'modo monge' para poder escrever Freedom to Think
A advogada Susie Alegre apelou ao 'modo monge'
para poder escrever Freedom to Think
Desconectar-se das redes sociais e da Internet não é fácil, diz Grace Marshall, autora e treinadora de produtividade.

Ela aponta numerosos estudos que destacam a natureza viciante da vida digital. “Você recebe um ping em um dispositivo e isso cria um circuito aberto”, diz Marshall.

“Nosso cérebro quer fechar esse ciclo olhando para a notificação porque recebemos uma injeção de dopamina [uma substância química natural liberada no cérebro que nos faz sentir bem] quando fechamos o ciclo.”

Marshall acrescenta que as interrupções por e-mail no trabalho são problemáticas.

“A tecnologia é instantânea, com e-mails e aplicativos como Slack, Microsoft Teams e mensagens. As pessoas muitas vezes sentem que a expectativa é que respondam instantaneamente.”

“Não se trata apenas do aspecto concentração e produtividade, trata-se também do impacto na saúde mental”, diz Marshall.

O fundador de Freedom, Fred Stutzman, explica que o aplicativo tem mais de 2,5 milhões de usuários em todo o mundo.

A Meta, proprietária do Facebook, Instagram e WhatsApp, emprega centenas de doutores e cientistas comportamentais para tornar o aplicativo mais sedutor e excitante.

Por isso Stutzman se orgulha de “usar a tecnologia para resistir à tecnologia” porque as Big Techs empreenderam “uma luta contra a pessoa comum que não é justa.”

Diz-se que as plataformas mais bloqueadas são Instagram, Facebook e Twitter.

Vladimir Druts, cofundador da FocusMe, argumenta que o vício em mídias sociais deveria ser levado mais a sério. “A sociedade acha que só as drogas ou jogos de azar são vício. Mas muitas vezes não percebemos que estamos viciados em nossos dispositivos e em nossas muletas digitais.”

Druts interpreta o “modo monge” como um movimento contra o desejo constante de gratificação instantânea.

Com a ascensão da inteligência artificial (IA), no futuro as distrações da tecnologia só vão aumentar, diz Druts.

“A IA está simplesmente aumentando a quantidade de conteúdo disponível”, afirma ele.

“Veremos um crescimento exponencial de aplicativos competindo pela sua atenção. O “modo monge” definitivamente ficará mais forte.


terça-feira, 21 de novembro de 2023

Afunda cidade “libertária” nos EUA

Ursos invadiram a cidade à cata de lixo não recolhido
Ursos invadiram a cidade à cata de lixo não recolhido
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs






A pequena cidade de Grafton, no estado de New Hampshire, nordeste dos EUA na fronteira com o Canadá, tentou um experimento político “libertário” que seriam sem precedentes.

E os resultados foram os piores que acontecem nesta matéria há milênios, mostrou reportagem de “La Nación”.

Um grupo de autodenominados “libertários” ali se instalou visando provar com o Projeto Cidade Livre que a presença de um governo é opressiva e produz pobreza e que se deve suprimir regulamentações e impostos, mesmo os mais razoáveis, para provar que a sociedade que age por conta própria, se auto-regula e floresce.

Em resumidas contas, a autogestão socialista, mas posta em prática por liberais dá certo e que os princípios de direito natural e católicos nem são precisos.

Em poucos anos houve uma drástica deterioração dos serviços públicos, aumentou a violência criminal e inusitados ataques de ursos negros alvejaram os moradores.

O libertarianismo político-filosófico decreta caprichosamente que a “liberdade individual é o valor político supremo” podendo cada pessoa viver a sua vida e dispor de seu corpo e bens como lhe dê na telha sem interferir nos direitos de outros a debandarem seu capricho, explicou o cientista político venezuelano Luis Salamanca.

O crime outrora era desconhecido, e agora falta até polícia
O crime outrora era desconhecido, e agora falta até polícia
“Para o liberalismo clássico, o melhor é que o Estado não exista, mas o tolera como um vigilante da atividade produtiva e regulador mínimo.

“Os anarco-capitalistas, são os libertários mais puros e radicais que dizem que o Estado é o inimigo que deve ser liquidado”, acrescentou o ex-diretor do Instituto de Estudos Políticos da Universidade Central da Venezuela (UCV).

O especialista destacou que no Partido Republicano há setores que defendem estas ideias.

Eles escolheram Grafton porque um libertário de nome John Babiarz estava concorrendo a governador e na população pequena poucos eleitores libertários poderiam aprovar decretos e impostos municipais.

Em poucos meses cerca de 200 libertários que se conheceram pela Internet, se mudaram para a cidade para iniciar uma experiência mais parecida com uma comuna hippie ou uma taba indígena, que se beneficiava com os recursos das modernas tecnologias.

Os novos vizinhos, que não se conheciam, defendiam a posse de armas, muitos viviam em casas móveis ou tendas nas florestas que rodeiam a cidade e impuseram suas ideias à comunidade.

Biblioteca Municipal ficou restringida
Biblioteca Municipal ficou restringida
Quiseram remover a autoridade que supervisiona as escolas, declarar a cidade “zona franca das Nações Unidas”, e reduziram em 30% o pequeno orçamento municipal.

Mas não cumpriram a promessa de que haveria menos impostos e mais dinheiro no bolso dos moradores.

Na cidade vizinha de Canaan, os residentes pagam apenas 70 cêntimos a mais em impostos e têm ruas e estradas pavimentadas e iluminadas, enquanto as de Grafton estavam cheias de buracos.

Não havia iluminação pública nem coleta de lixo, a biblioteca pública só abria 3 horas por dia e a polícia não podia pagar os agentes, excetuado o delegado-chefe.

Sem patrulhamento e com moradores armados e convencidos de que tinham o direito de fazer o que quisessem, a cidade registrou os primeiros assassinatos e um aumento de 12% de crimes violentos.

Acresce que os residentes na utopia libertária foram assaltados por uma onda de ataques de ursos. Esses foram atraídos porque os libertários que viviam na floresta espalhavam o lixo.

A cidade recusou-se a apelar às autoridades regionais e os ursos tornaram-se mais ousados e passaram a ver os seres humanos como fonte de alimento.

Doze anos após o inicio do enganador sonho muitos libertários partiram, mas nada foi feito para reparar os danos causados.

Foi assim que um grupo de recém-chegados controlou uma cidade e a desmantelou sem que ninguém tomasse medidas, porque agiam dentro do Estado de direito, e as autoridades estaduais ou federais não intervinham.

Caos invadiu cidade 'libertária'
Caos invadiu cidade 'libertária'
O que aconteceu em Grafton lança dúvidas mais do que razoáveis de que o libertarianismo possa ser lançado com sucesso por êmulos biriquinos.

O Estado como ensina a Igreja tem uma razão de ser e, sem abusos, é um fator decisivo para a boa ordem.

Em Grafton, a liberdade foi falsamente oposta à ordem e acabou morrendo só ficando a força e a lei do mais forte.

Entregar o poder a uma corrente política do gênero “é arriscar o caos e a anarquia, que podem nos levar de volta à tirania”, explicou o politólogo venezuelano Luis Salamanca.



terça-feira, 14 de novembro de 2023

Supremo Conselho laicista proibe estátua de São Miguel esmagando Satanás

Franceses manifestam para manter a estátua de São Miguel esmagando Satanás
Franceses manifestam para manter a estátua
de São Miguel esmagando Satanás
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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A imagem do arcanjo São Miguel vencendo o diabo no Apocalipse, não condiz com a lei da laicidade julgou o Conselho de Estado da França, o tribunal supremo nacional para a justiça administrativa, noticiou “Infocatolica”.

Paradoxalmente a França é um Estado laico em consequência do anticristianismo da Revolução Francesa, porém, o cerne da disputa administrativa foi de natureza religiosa, católica e dogmática, excetuadas algumas chicanas formais para dissimular a natureza do que se estava julgando.

De fato são numerosos os especialistas em história e religião que apontam o espírito satânico e anticatólico que moveu a Revolução Francesa e as Repúblicas que ela gerou em outros países.

A estátua do arcanjo derrotando a Lúcifer que tanto incomodou os defensores do laicismo está na cidade de Sables-d'Olonne, na região de Vendée, desde 2018.

A região testemunhou a mais sangrenta guerra civil da nação francesa, tentando os revolucionários laicistas exterminar os católicos monarquistas.

A disputa pela estátua reaviva a lembrança daquela guerra civil de forte essência religiosa.

A população local, a freguesia e a câmara municipal estão muito desiludidas com a decisão do Conselho de Estado, criado por Napoleão Bonaparte, um dos generais revolucionários que mais fez correr sangue tentando afogar o descontentamento católico naquela guerra civil.

Conselho de Estado filho da Revolução Francesa atropela a fé dos cidadãos de Sables-d'Olonne
Conselho de Estado filho da Revolução Francesa atropela a fé dos cidadãos de Sables-d'Olonne
Em 2022, a Câmara Municipal consultou a opinião local em dois referendos sobre o assunto. Os resultados apontaram que 94,5% dos habitantes querem manter a estátua.

Se o laicismo triunfante desde 1789 até hoje fosse coerente deveria se submeter à opinião democraticamente expressa da população.

Mas revelou o espírito que seus adversários sempre denunciaram: um espírito inspirado na revolta infernal de Lúcifer que permeia a História desde seus inícios até o Juízo Final.

Para evitar problemas com as leis revolucionárias, a igreja e o conselho da cidade tentaram converter o terreno em que a estátua está em propriedade privada, escreve o jornal “Sud Ouest”. Mas, foi em vão: havia outros motivos que os oponentes não ousavam confessar.

Jovens franceses defendem a estátua de Nossa Senhora que o laicismo quer tirar
Jovens franceses defendem a estátua de Nossa Senhora que o laicismo quer tirar
O prefeito de Sables-d'Olonne está descontente com o acórdão e promete que embora “nossa estátua está condenada a ser derrubada”, ele encontrará outras formas para que “a vontade e o voto dos habitantes sejam respeitados”, e que a estátua permaneça no local exato onde está.

A mesma associação laicista Libre Pensée que promoveu o processo contra São Miguel Arcanjo em Sables-d’Olonne, procura remover uma imagem de Nossa Senhora das Graças na pequena cidade de La Flotte-en-Ré, em Charente-Maritime.

Ela apela aos mesmos artifícios judiciais contra Nossa Senhora, contrariando a vontade popular que diz que respeita como soberana, aliás falsamente, informou também o jornal “Sud Ouest”.



terça-feira, 7 de novembro de 2023

Gigantes de tecnologia jogam fora o home office

Back-to-office
Back-to-office
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
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As Big Techs, grandes companhias de tecnologia do mundo, de início abraçaram o “trabalho onde quiser” ou “home office”.

Três anos depois querem trazer os funcionários de volta para os escritórios. Companhias como Google, Amazon e Zoom dizem que os projetos funcionam melhor quando as pessoas estão reunidas.

Andy Jassy, presidente da gigante de comércio eletrônico, quer ver os funcionários pelo menos três dias da semana e avisou que quem não concorde podia não “se encaixar” mais na empresa.

Jassy justificou que assim funcionava melhor a empresa.

A Apple imitou a decisão e poderá distribuir advertências.

O Google também exige que os funcionários compareçam três vezes na semana e as ausências pesarão na avaliação de desempenho individual.

A Meta de Mark Zuckerberg enviou comunicado dizendo que o trabalho era mais “refinado” quando feito presencialmente e que a área de engenharia trabalhava melhor nos escritórios.

A Microsoft ainda preserva flexibilidade e os funcionários podem trabalhar remotamente em “50% do tempo”.

Elon Musk que assumiu a rede social ex-Twitter (agora X), exigiu o trabalho presencial pois o bilionário não foi adepto do home office, e as demissões atingiram mais de 80% dos colaboradores.

O empresário exigiu que todos voltassem ao trabalho nos escritórios: “não é mais permitido”, disse em email.

O serviço de videochamadas Zoom disse acreditar “numa abordagem híbrida estruturada” e demitiu cerca de 15% de seus funcionários.