terça-feira, 29 de janeiro de 2019

Restaurante nudista de Paris fecha por falta de clientes

O regulamento do nudismo era ditatorial integralmente tolerante para proibir e expulsar quem não estiver de acordo
O regulamento do nudismo era ditatorial se dizendo tolerante para proibir e expulsar quem não estiver de acordo
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs






Durou pouco mais de um ano o imoral e prosaico projeto de um restaurante para nudistas em Paris, capital do bom gosto e da gastronomia do mais alto nível.

O'Naturel foi inaugurado em novembro de 2017 com toda a pompa com que a mídia e o jet set do dinheiro, do exibicionismo e da revolução cultural espalham sua imoralidade e debocham dos bons costumes em nome da modernidade e do futuro.

O primeiro estaurante nudista de Paris foi saudado como uma experiência única na Cidade Luz e foi frequentado por aqueles seletos da moda e das esquerdas que estadeiam a vulgaridade suma de andar sem roupas em praias e campings reservados, descreveu reportagem de Clarín de Buenos Aires.

O'Naturel encarnou no ponto mais ousado por agora a utopia da revolução hippie, Woodstock e Maio de 68 que sonhava com a plenitude frenética da libertação moral e sexual, o paraíso do “proibido proibir”.

Essa enganação utopista constituiu o faro que iluminava a caminhada das modas para a degradação total. Mas essa marcha dizia que ia rumo a um futuro inelutável e nela se engajaram os ávidos de exibição revolucionária “pra frente”.

Porrém as tendências atuais se inclinam mais num sentido conservador e por um retorno às normas morais e as formas culturais de compostura e bom gosto.

Foi assim que O'Naturel fechou por falta de clientes.

“Lamentavelmente, anunciamos o fechamento definitivo do restaurante O'Naturel no dia sábado 16 de fevereiro de 2019”, explicaram seus fundadores, os irmãos Mike e Stéphane Saada, na sua página web.

“Não temos suficientes clientes – admitiu Mike ao jornal “Le Figaro” –. Queremos sair desse projeto e dar uma oportunidade àqueles que queiram tenta-lo”.
Nos armários, os clientes deviam deixar até os celulares
Nos armários, os clientes deviam deixar até os celulares

O'Naturel se apresentava como um restaurante normal numa rua tranquila no leste da capital. Apenas uma densa cortina impedia ver o interior onde numas 20 mesas, quando ocupadas, as pessoas se exibiam como em certas “obras de arte” ou “performances” em museus e zoos contemporâneos.

No ingresso podia se ler o estrito regulamento que impunha o nudismo total. A regra sublinhava o caráter tolerante do local, mas advertia que quem não estivesse de acordo seria expulso.

Os clientes deixavam tudo num armário, incluído o celular, e sentavam inteiramente nus. Os garçons e empregados andavam vestidos por normas municipais para evitar contágios ou espalhar infecções alimentares.

O menu girava entre 39 e 49 euros e os pratos incluíam opções veganas e uma lauta carta de vinhos.

Por vezes, certos domingos nas ruas desérticas de bairros ricos se ve circular nostálgicos do hippismo assaz idosos sobre poderosas motos Harley-Davison, exibindo longas cabeleiras brancas, calcas boca-de-sino esfiapadas e jaquetas de couro com incrustações de metal, reimaginando interiormente a utopia de 68.

As fotos dos comensais de O'Naturel que não reproduzimos pelo atentado ao pudor evidente e pelo seu prosaísmo déplaisant, apresentam o mesmo perfil psicológico de frequentadores idosos querendo reviver um sonho danoso que morreu.