segunda-feira, 23 de dezembro de 2019

Por que se faz a “Missa do Galo” na noite de Natal?

Galo no topo da catedral São Vito, Praga
Galo no topo da catedral São Vito, Praga
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs






“Missa do Galo” é o nome da celebração litúrgica da meia-noite, na véspera do Natal.

A expressão vem da tradição segundo a qual à meia-noite do dia 24 de dezembro um galo cantou mais fortemente que qualquer outro, anunciando o nascimento do Menino Jesus.

Assim como o galo anuncia o nascer do sol e seu canto preludia o amanhecer, assim também a “Missa do Galo” comemora e canta o nascimento de Jesus, o Sol nascente que, clareando a escuridão do pecado, veio nos remir.

O galo foi escolhido como símbolo desta celebração porque ele representa, histórica e tradicionalmente, a vigilância, a fidelidade e a fé proclamada no auge das trevas.

Por isso podemos ver, no topo do campanário das igrejas, um galo proclamando para todos os quadrantes que Jesus nasceu.

A celebração é feita à meia-noite porque o nascimento ocorreu por volta dessa hora. A “Missa do Galo” foi celebrada pela primeira vez no século V pelo Papa Xisto III na então nova basílica de Santa Maria Maior, onde são hoje veneradas as relíquias do Santo Presépio, conservadas em artístico relicário.

Nos primórdios da Igreja, os cristãos se encontravam para rezar na cidade de Belém à hora do primeiro canto do galo. Com a expansão da Igreja, na vigília do Natal os fiéis se reuniam na igreja mais próxima e passavam a noite rezando e cantando.

Em algumas aldeias espanholas era costume os camponeses levarem um galo à igreja para que ele cantasse na missa.

A igreja era toda iluminada com lâmpadas de azeite e tochas. As paredes eram revestidas com panos e tapetes. O templo era perfumado com alecrim, rosmaninho e murta.

Desde o início desta devoção a véspera de Natal é suave e nobremente jubilosa. Por isso é chamada de Noite Santa. Seus cânticos são festivos, como o tradicional Glória litúrgico.

Adoração do Menino Jesus no fim da Missa do Galo, igreja do Oratório, Londres
Adoração do Menino Jesus no fim da Missa do Galo, igreja do Oratório, Londres
Segundo uma tradição católica muito generalizada, os fiéis iam acendendo uma vela a mais em cada semana do Advento, ou período de quatro domingos antes do Natal.

Elas já estavam todas acesas na “Missa do Galo”, solenemente celebrada e na qual a comunhão era oferecida pelo nascimento do Messias.

Em Roma, o Papa deve conduzir pessoalmente a celebração, pois ele é sucessor de Pedro, o Apóstolo designado pelo próprio Jesus para primeiro monarca da Igreja (Mt 16,18).

O Natal é uma das raríssimas datas litúrgicas que contemplam três Missas diferentes: a da noite, a da aurora e a do dia.

Segundo São Gregório Magno, a Missa da noite, ou “do Galoin galli cantu (à hora em que o galo canta) comemora a vinda de Jesus à Terra; a Missa da aurora, celebrada logo depois, comemora o nascimento de Jesus no coração dos fiéis; a Missa do dia, ou Missa de Natal propriamente dita, evoca o nascimento do Verbo de Deus.

A Missa começava com um cântico natalício. No momento do “Gloria in excelsis Deo”, as campainhas tocavam para assinalar o nascimento do Redentor. No fim da celebração, todos iam oscular o Menino. Em algumas Igrejas, o presépio permanecia coberto até o momento do cântico.

De início jejuava-se durante a vigília, como forma de desprendimento e convite à contemplação do grande mistério que vai se celebrar. Comia-se apenas peixe — e em Portugal bacalhau, costume que ainda perdura em muitos lares brasileiros.

Depois que se aboliu o jejum, o povo continuou a chamar a ceia de Natal de “consoada”, embora esta tenha passado a ser mais abundante. “Consoada” significa pequena refeição e surgiu no século XVII. Era feita após a “Missa do Galo”.

Os fiéis chegando para a 'Missa do Galo' (Clarence Gagnon,1933)
Os fiéis chegando para a 'Missa do Galo' (Clarence Gagnon,1933)
Até a revolução “pós-conciliar”, após a “Missa do Galo” as famílias voltavam para suas casas, colocavam a imagem do Menino Jesus no Presépio, cantavam e rezavam em seu louvor, faziam a Ceia de Natal e trocavam presentes.

O nome “Missa do Galo” usa-se apenas em português e espanhol. Na maior parte do mundo chama-se simplesmente Missa da noite de Natal ou Missa da meia-noite.

Na Espanha havia uma tradição peculiar: “Antes de baterem as 12 badaladas da meia-noite de 24 de dezembro, cada lavrador da província de Toledo matava um galo, em memória daquele que cantou três vezes, quando Pedro negou Jesus, por ocasião da sua morte”.

Em seguida, a “ave era levada para a igreja e oferecida aos pobres”, informa a agência católica Ecclesia.

Apesar do laicismo moderno e da escalada do ateísmo materialista, nessa abençoada noite as catedrais de Paris, Londres, Barcelona e muitas outras se enchem, para acompanhar os coros que cantam as santas alegrias do Natal iminente... até o galo cantar anunciando a Boa Nova!



"Stille Nacht, Heilige Nacht" (Noite silenciosa, noite santa, Alemanha)




"Il est né le Divin Enfant" (Nasceu o Divino Menino, França)




"Gabriel, fram Heven-King" (Gabriel anunciou o Rei do Céu, Inglaterra)





"Pastores loquebantur" (Os pastores falavam, Daniel Bollius)





"Adeste fideles" (Vinde, fiéis, Daniel tradicional)





"Canta ruiseñor" (Canta rouxinol, Peru, tradicional)





"O du fröhliche, o du seliche" (O você feliz, oh você mesmo, Alemanha)





"Dormi Jesu dulcissime" (Dorme, oh meu docíssimo Jesus, Pal Esterhazy, Áustria)






domingo, 22 de dezembro de 2019

Os melhores votos de um Santo Natal e alvissareiro Ano Novo!

Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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Clique aqui para ouvir Jesu Redemptor omnium (Natal/Ferdinando III, imperador do Sacro Império)




Clique aqui para ouvir Die Geburt unsers Herren Jesu Christi (Natal/Heinrich Schutz):


Clique aqui para Resonet in laudibus (Natal/Josef Pavel):


Clique aqui para Ave Maria (Natal/tradicional):


Clique aqui para Laudate Dominum (Natal, França):


Clique aqui para Pastores loquebantur (Natal/Daniel Bollius):


Clique aqui para Jesu Redemptor omnium (Natal/Ferdinando III, imperador do Sacro Império) Navidad Christmas Weihnach Noel:



Clique aqui para Salvator Noster (Natal/Giovanni Gabrielli):


Clique aqui para Da das der König Herodes... Zu Bethlehem (Natal/Heinrich Schutz): 


Clique aqui para Vom Himmel hoch ihr Engel kommt (Natal/Alemanha):


Clique aqui para Les anges dans nos campagnes (Natal, França):


Clique aqui para Il est né le Divin Enfant (Natal, França):


Clique aqui para En natus est Emmanuel (Natal, França):


Clique aqui para Carillhão das horas, Notre Dame de Paris:


Clique aqui para O du fröhliche, o du selige (Natal, Alemanha):


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Clique aqui para Ronda de Navidad (Natal, Peru):


Clique aqui para Canta ruiseñor (Natal, Peru):


Clique aqui para Rey a quien adoran (Natal, Espanha):


Clique aqui para Encantamiento de Nochebuena (Natal, Peru):


Clique aqui para Noturno de Natal, André da Silva Gomes (Brasil):


Clique aqui para 'Tú, mi Dios, entre galas' (Natal, Cuba):


Clique aqui para Dormi Jesu dulcissime (Natal/Pal Esterhazy):


Clique aqui para “Hodie Christus natus est”:


Clique aqui para “O magnum mysterium (Natal/Giovanni Gabrielli):


Clique aqui para o Noturno de Natal 7, André da Silva Gomes (Brasil):


Clique aqui para Resonet in laudibus (Natal/Michael Praetorius):


Clique aqui para Khindl wiegen auf Weihnachten (Natal/Pater Ignatius):





quinta-feira, 19 de dezembro de 2019

Sermão de Natal pregado por São João de Ávila


Sermão de Natal pregado por São João de Ávila
no dia de Santo Estevão (26 de dezembro)

O Menino chora na estreiteza do estábulo. Por que choras, Menino bom? Estará aqui presente algum grande pecador que trema quando Deus lhe disser: – “Onde estás?”?

Que grande mal tê-lo ofendido muito, lembrar-se de vinte anos de grandes ofensas! Que resposta darás quando Deus te interpelar?

Assim como tu tremes, tremiam os irmãos de José quando este lhes disse: “Eu sou José, vosso irmão, que vós vendestes (Gên 45, 4).

E eles pensaram: “Infelizes de nós! Ele agora é Rei. Há de querer matar-nos, tem motivos e pode fazê-lo”. Tremiam.

É o pecador que treme por ter ofendido a Deus. Ofendestes a Deus e por isso tendes razão em tremer. Convido os que estão em erro, os que têm a consciência pesada e os grandes pecadores a ir até à manjedoura ver o Menino chorar.

Por que chorais, Senhor? Os irmãos daquele José não ousavam aproximar-se dele, até que o viram chorar: ”Eu sou vosso irmão, aproximai-vos, não tenhais medo.

José levanta a voz, chora e, não contente com isso, conforme diz a Sagrada Escritura, beijou em seguida a cada um dos seus irmãos, chorando com todos eles (Gên 45, 15), e os irmãos pediram-lhe perdão.




– “Não tenhais receio (Gên 45, 5)” – dizia-lhes ele –, “vendestes-me por maldade, mas, seu não tivesse vindo para cá, todos morreríeis de fome. Deus tira dos males o bem”.

Menino, por que chorais? – “Para que os pecadores compreendam que, embora tenham pecado, devem aproximar-se de Mim sem temor, se se arrependerem de ter-Me ofendido”.

O Menino chora de ternura e amor. Bendito Menino! Quem Vos colocou nessa manjedoura senão o amor que tendes por mim? Fomos maus e ingratos, como contra o nosso irmão José. Vendemo-lO.

Um disse: – “Prefiro cometer uma maldade a ficar com Cristo”.

Presépio bordado pelas dominicanas de Stone, Staffordshire, Inglaterra
Presépio bordado pelas dominicanas de Stone,
Staffordshire, Inglaterra
Outro disse: – “Prefiro um prazer da carne a Ele”. Vendemos o nosso Irmão, traí-mo-lO.

E José, o santo, convida-nos a aproximar-nos da manjedoura e a ouvir esse choro causado por cada um de nós.

Se olhásseis para esse Menino com os olhos limpos, se adentrásseis na Sua alma, encontraríeis uma inscrição que vos diria: “Estou chorando por ti”, pois desde a concepção Ele teve conhecimento divino e conhecia todos os nosso pecados e chorava por eles.

E se está chorando pelos nossos pecados, que pecador não sentirá confiança, se quiser corrigir-se?

Há algo no mundo que inspire mais confiança do que ver Cristo numa manjedoura, chorando pelos nossos pecados?

Por que chorais? Que fazeis, Senhor?

– “Começo a fazer penitência pelo que tu fizeste”.

Pois bem, que fará um cristão que olhe com olhos de fé para Cristo que chora pelos seus pecados?

Ai de mim, porque tarde Vos conheci, Senhor! Ai de mim por tantos anos perdidos sem Vos conhecer! Quem se deixará dominar pela tibieza ao ver Deus humanado chorar?

terça-feira, 17 de dezembro de 2019

Costumes católicos do Natal: uma arca de tesouros espirituais, culturais e até gastronómicos!


Luis Dufaur
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Na lista de links que segue a continuação, clicando o leitor encontrará um rica explicação de cada um desses santos e deliciosos costumes católicos natalinos.





























sábado, 14 de dezembro de 2019

Vencendo as trevas, a Luz de Cristo que brilha no Natal jamais se extinguirá

Luis Dufaur
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O Natal é comemorado em toda a face da Terra.

Mas, cada povo o comemora a seu próprio modo.

Por quê?

A Igreja Católica, vivendo na alma de povos diferentes, produz maravilhosas e diversas harmonias. Ela é inesgotável em frutos de perfeição e santidade.

Ela é como o sol quando transpõe vidros de cores diferentes. Quando penetra num vitral vermelho, acende um rubi; num fragmento de vitral verde, faz fulgurar uma esmeralda!

O gênio da Igreja passando pelos povos alemães produz algo único; passando pelo povo espanhol faz uma outra coisa inconfundível e admirável, e depois mais aquilo e aquilo outro num outro povo, num outro continente, numa outra raça.

No fundo é a Igreja iluminando, abençoando por toda parte. É Deus que na Sua Igreja realiza maravilhas da festa de Natal.

Canta a liturgia : “Puer natus est nobis, et Filius datur est nobis...”

“Um Menino nasceu para nós, e o Filho de Deus nos foi dado.

“Cujo império repousa sobre seus ombros e o seu nome é o Anjo do Grande Conselho”.

“Cantai a Deus um cântico novo, porque fez maravilhas”.

Veja vídeo
Vídeo: Igreja Católica:
alma do Natal
Aquele Menino nos foi dado — e que Menino! Então, cantemos a Deus um cântico novo.

O Natal do católico é sereno, cheio de significado, e ao mesmo tempo elevado como o interior de uma igreja!

A vitalidade inesgotável da festa natalina é sobrenatural, produz na alma católica uma paz profunda, uma sede insaciável de heroísmo, e um voltar-se completamente para as coisas do Céu.

No Natal, a graça da Igreja brilha de um modo especial na alma de cada católico. E de cada povo que conserva algo de católico na face da Terra inspirando incontáveis formas de comemorar o nascimento do Redentor!

Porque a Igreja é a alma de todos os Natais da Terra!



Vídeo: A Igreja Católica: alma do Natal



terça-feira, 3 de dezembro de 2019

A Imaculada Conceição glorificada à revelia
até por ... um diabo!

Imaculada Conceição,São Francisco da Penitência, Rio de Janeiro
Imaculada Conceição,
São Francisco da Penitência, Rio de Janeiro
Luis Dufaur
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A devoção à Imaculada Conceição de Nossa Senhora vem dos tempos apostólicos.

Na Idade Média, porém, adquiriu enorme força e extensão.

Por fim, no século XIX foi proclamada dogma da Igreja Católica. Nenhum católico pode negá-la ou pô-la sequer em dúvida, sem cair em heresia e ficar fora da Igreja.

Por isso, nesta magna festa, reproduzimos o fato seguinte acontecido no século XIX.

No dia 8 de dezembro de 1854, o Bem-aventurado Papa Pio IX promulgou solenemente o dogma da Imaculada Conceição de Maria, Mãe de Deus Encarnado, Nosso Senhor Jesus Cristo.

E no dia 25 de março de 1858, festa da Anunciação do Anjo a Nossa Senhora e da Encarnação do Verbo, a Santíssima Virgem se manifestou em Lourdes a Santa Bernadete.

Nesse dia Ela confirmou o dogma, dizendo: “Eu sou a Imaculada Conceição”. E inaugurou uma torrente de milagres que não cessa até hoje!

Poucas pessoas sabem que em 1823, trinta anos antes da proclamação desse magnífico dogma, dois sacerdotes exorcistas obrigaram um demônio que possuía um rapaz a cantar o louvor dessa santa verdade.

E o demônio teve que fazê-lo, obviamente a contragosto, mas com uma rima poética que reverenciou a glória de Nossa Senhora.

O demônio é “espírito de mentira”, mas o exorcismo pode obrigá-lo a dizer a verdade, inclusive sobre matérias de Fé, como a divindade de Jesus Cristo, as virtudes da Imaculada Virgem, a existência do Paraíso, do inferno, etc.

Foi o que aconteceu com o demônio que tinha entrado num jovem analfabeto de apenas doze anos, residente em Adriano di Puglia, Itália, hoje Ariano Irpino, na província e diocese de Avellino.

Os exorcistas foram dois religiosos dominicanos, o Pe. Gassiti e o Pe. Pignataro, que estavam na cidade pregando uma missão.

Eles haviam recebido o “placet”, ou autorização do bispo, para fazer o exorcismo.

E obrigaram então aquele demônio a responder a muitas perguntas, entre as quais, uma sobre a Imaculada Conceição.

Apesar de o diabo dar sinais de máxima contrariedade, os exorcistas lhe impuseram que falasse sobre o especialíssimo privilégio concedido por Deus a Maria Santíssima.

O demônio então confessou que a Virgem de Nazareth jamais esteve sob seu poder, nem mesmo por um só instante. Pelo contrário, confessou que desde o primeiro instante de sua vida Ela sempre esteve “cheia de graça” e foi toda de Deus.

E o diabo pôs em verso a glória da Imaculada que o esmaga eternamente.
Santa Maria de los Reyes, Laguardia, Espanha
Os dois exorcistas obrigaram o espírito das trevas a testemunhar a Imaculada Conceição sob a forma de versos poéticos.

E o demônio, que se perdeu por culpa própria e conhecendo perfeitamente as coisas, compôs na língua italiana um soneto impecável, perfeito como construção poética e como teologia.

Como a tradução para o português prejudica a rima, nós o reproduzimos em italiano no final do post:
Eu sou Mãe verdadeira de um Deus que é Filho
e sou filha dEle, embora seja sua Mãe;
Ele nasceu ab aeterno e é meu Filho,
Eu nasci no tempo e, entretanto, sou sua Mãe.

Ele é meu criador, porém é meu Filho,
Eu sou sua criatura, porém sou sua Mãe;
Foi um prodígio divino Ele ser meu Filho
Um Deus eterno me ter por Mãe.

A vida é comum entre a Mãe e o Filho
Porque o Filho recebe o ser da Mãe,
E a Mãe recebeu o ser do Filho.

Ora, se o Filho recebeu o ser da Mãe,
Ou se diz que o Filho nasceu com mancha,
Ou foi a Mãe que foi concebida sem mancha.

Imaculada Conceição em Lourdes, França
Imaculada Conceição em Lourdes, França
Se não formos piores que esse demônio do inferno, ajoelhemo-nos diante da Imaculada Virgem e veneremo-la pelos séculos dos séculos, dizendo:

“Ó Maria, concebida sem pecado, rogai por nós que recorremos a Vós”.

Em italiano:
Vera Madre son Io d’un Dio che è Figlio
e son figlia di Lui, benché sua Madre;
ab aeterno nacqu’Egli ed è mio Figlio,
in tempo Io nacqui e pur gli sono Madre.

Egli è mio creator ed è mio Figlio,
son Io sua creatura e gli son Madre;
fu prodigo divin l’esser mio Figlio
un Dio eterno, e Me d’aver per Madre.

L’esser quasi è comun tra Madre e Figlio
perché l’esser dal Figlio ebbe la Madre,
e l’esser dalla Madre ebbe anche il Figlio.

Or, se l’esser dal Figlio ebbe la Madre,
o s’ha da dir che fu macchiato il Figlio,
o senza macchia s’ha da dir la Madre

Fonte: “Chiesa viva”, Maio 2012


terça-feira, 26 de novembro de 2019

Ao comermos sem convívio diante de uma tela digital voltamos à pré-história

A reunião em volta “da mesa comum, que uniu os seres humanos durante 150.000 anos, pode desaparecer”
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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A reunião em volta “da lareira, da panela e da mesa comum, que uniu os seres humanos durante pelo menos 150.000 anos, poderia desaparecer”, segundo o historiador inglês Felipe Fernández Armesto.

O paradoxo é que esse retrocesso é obra da tecnologia.

O professor Felipe é autor do ensaio Comida, culinária e civilização (ed. Tusquets), sobre a história da refeição, no qual demonstra que “se comermos sem contato de alma em frente das telas digitais, voltaremos três milhões de anos atrás”.

Professor convidado de universidades e institutos de pesquisa, Fernández Armesto é autor de um grande número de obras ligadas à história com uma perspectiva sociológica e cultural.

“Se deixarmos a mesa familiar, se comermos na frente das telas ou caminhando isolados pelas ruas, voltaremos a um estágio na história próprio dos hominídeos pré-civilização.

“A um sistema de vida semelhante ao de dois ou três milhões de anos atrás, dos hominídeos catadores que comiam desesperadamente, sem pensar nas possibilidades de usar a mesa para criar sociedade, promover afeto e planejar um futuro melhor”, disse, em entrevista a “La Nación”.

Família feliz pelo contato com o smartphone, mas cessou o relacionamento de alma
Família feliz pelo contato com o smartphone,
mas cessou o relacionamento de alma
Fernández Armesto observa que “não pode haver convívio sem refeição partilhada, da mesma maneira como é “impossível imaginar uma economia sem dinheiro” ou sem intercâmbio.

Portanto, é “legítimo considerar a refeição como o momento mais importante do mundo: é o que mais ocupa a maioria das pessoas na maioria das vezes”, deduz ele.

Segundo o pesquisador, as causas que contribuem para o desaparecimento gradual do hábito de se sentar juntos para comer e conviver são “mudanças sociais paradigmáticas” que causam danos que “estão ocorrendo”.

Quais?

O “desligamento familiar, golpes intergeracionais, anomia, rejeição de tradição, abandono do senso de pertencer à mesma família humana, no bom sentido da palavra, a predominância de um individualismo existencialista alheio à necessidade humana de manter relações vivas com outros seres humanos de carne de osso”.

Jesus escolheu refeições para o início de sua pregação até a Ultima Ceia.
Bodas de Canaã, Gérard David (1460 — 1523), Louvre
O autor se posiciona num ponto de vista sociológico e ético.

Porém, se analisarmos os ensinamentos do catolicismo, encontraremos altos momentos religiosos em que Deus escolheu refeições para marcar momentos augustos da Revelação.


Cristo começou a vida pública participando de um grande banquete: o das bodas de Canaã.

Ali fez seu primeiro milagre para um grande número de pessoas: transformou a água das ânforas num precioso vinho.

Quando chegou a noite junto ao Lago de Galileia e Jesus percebeu que as multidões estavam sem comer.

Ele sentiu que passavam fome como um rebanho sem pastor, multiplicou poucos pães e peixes e mandou os Apóstolos distribuí-los com tanta abundância que sobraram cestos cheios.

Simbolizou que a Igreja deveria alimentar os povos com a palavra do Evangelho e que os Apóstolos voltariam com tantas conversões que encheriam cestas.

Quando os judeus saíram da escravidão do Egito, a primeira instrução de Moisés foi que jantassem bem. É a origem da ceia pascal que reeditamos até hoje no Domingo de Páscoa.

E foi precisamente durante uma ceia pascoal que Jesus instituiu a Missa e a Eucaristia, cujos significados místicos são frequentemente associados à alimentação em torno de uma mesa, obviamente sagrada: o altar.

O fim do hábito de se sentar juntos para comer está causam danos mentais e sociais
O fim do hábito de se sentar e se relacionar para comer causa danos mentais e sociais
Outra prefigura eucarística é o maná que alimentou os judeus no deserto.

Após a Ressurreição, Jesus se tornou patente aos apóstolos na hora de partir o pão na mesa em Emaús. E assim poderíamos prosseguir de modo intérmino.

Basta mencionar que as grandes festas litúrgicas ou religiosas são acompanhadas com nobres, mas deliciosas refeições em comum, familiares e sociais, como no Natal, na Páscoa, nas festas dos padroeiros, etc.

Porém, o professor que citamos observa que sob o pretexto de progresso e modernidade estamos regredindo ao primitivismo.

Morre o convívio, apaga-se a religião no lar e na sociedade, se estiolam a cultura e o contato entre as almas com a morte dos almoços e jantares em que predomina o contato de alma a alma.

Essa decadência está sendo feita sob o pretexto, continua o ensaísta, de “mudanças tecnológicas que facilitam o abandono social: uma rede eletrônica que não aperta sua mão nem beija seu rosto; formas de entretenimento solitário, sem trocas emocionais com outras pessoas”.

Quantas vezes num bar vemos grupos de rapazes e moças que não trocam uma palavra sequer, cada qual grudado em seu smartphone?

Ou estudantes e até professores universitários que na mesa não falam nada e no máximo cada um exibe uma imagem ou uma mensagem de texto que apareceu em seu dispositivo móvel?

No livro, o Prof. Fernández Armesto trata da história da conversa e do convívio nas refeições como assunto inseparável de outro tipo de relacionamento entre os seres humanos entre si e com a natureza: o nível da culinária que desperta a inteligência.

Ele traça conexões em cada estágio entre a comida do passado e a maneira como é consumida hoje.

Os belos serviços e talheres desaparecem e vai ficando o sanduíche dentro de um envelope num McDonald, ou fast-food equivalente, e um copo de plástico descartável sem muita preocupação se a mesa fica suja ou não, e se o conviva sentado em frente se sentiu atendido ou interpretado.

Por isso, o Dr. Fernández Armesto acha que é possível identificar na história dos povos civilizados oito revoluções na história da refeição.

Essas afetaram outros aspectos da história da humanidade, tornando-a ou mais convivial e amável, ou mais insensível e brutal.


terça-feira, 12 de novembro de 2019

Imagem de Nossa Senhora Aparecida inexplicavelmente ilesa em incêndio

Dono de oficina destruída crê em milagre após imagem de Nossa Senhora resistir a incêndio
Dono de oficina destruída crê em milagre após imagem de Nossa Senhora resistir a incêndio
Luis Dufaur
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Uma imagem de Nossa Senhora Aparecida foi a única peça que resistiu ao incêndio destrutor de uma oficina mecânica na noite de segunda-feira 4 de novembro (2019), em Santa Cruz do Rio Pardo (SP), a 340 km de São Paulo, informou G1 da Globo.

Para Marco Roberto Pellegatti, 58, dono da oficina, o fato de a estatueta sair ilesa das chamas reforça sua fé em um milagre.

Ele lembra que até um extintor de incêndio próximo à imagem acabou derretido com o calor.

Havia também um botijão de gás que, apesar do fogo intenso, não explodiu. “Seria uma tragédia bem maior, a explosão do botijão faria vítimas no quarteirão”, afirma.

Acima: assim estava a Imagem antes do incêndio. Embaixo como ficou o local na oficina
Acima: assim estava a Imagem antes do incêndio.
Embaixo como ficou o local na oficina
“Ela [Nossa Senhora Aparecida] estava ali há três anos, desde quando reformei o prédio. Sempre a deixava por perto, Nossa Senhora já me salvou de muitas coisas.

“Para mim, foi ela que nos iluminou para que ninguém estivesse na oficina na hora do fogo e se ferisse”, disse o comerciante.

“O fogo consumiu quase tudo por mais de duas horas. Intacto ficou apenas o que tinha no escritório.

“Quando eu cheguei para abrir a oficina aos bombeiros, o fogo já tinha queimado praticamente tudo, menos uma das imagens que tenho de Nossa Senhora. Ela resistiu para mostrar que eu posso recomeçar tudo outra vez”, transmitiu UOL Notícias.

Apesar dos prejuízos, o dono da oficina estava feliz por poder ter levado a imagem de Nossa Senhora para sua casa, praticamente intacta.

“O incidente não vai abalar minha fé em Nossa Senhora Aparecida, confio totalmente nela. Ninguém se feriu, os danos foram só materiais. Pelo menos ela continua comigo”, diz Pellegatti, devoto da santa e que todo ano viaja a Aparecida do Norte.

Completamente feita de gesso, a imagem foi comprada no Santuário Nacional de Aparecida, acrescentou a SBT.

A imagem foi resgatada pelo sargento da Polícia Militar Luiz Roberto da Silva, que comandou a equipe de PMs durante o combate às chamas.

O sargento Luiz Roberto admite que se emocionou ao resgatar a imagem. Segundo ele, ao perceber que ela resistiu ao calor e à explosão, só pensou em devolvê-la ao dono da oficina.

O sargento conta que encontrou a imagem no altar na parede da oficina:

Quando os bombeiros chegaram o fogo já tinha derretido tudo
Quando os bombeiros chegaram o fogo já tinha derretido tudo
“A gente que tem fé se emociona também, contou o PM. Geralmente num incêndio dessas proporções, derrete tudo, mas a santa estava forte, em pé, mostrando como devemos ficar na hora das adversidades da vida”, acrescentou à UOL.

Na oficina o fogo destruiu dois carros, uma moto, equipamento de mecânica e quatro empilhadeiras.

Os bombeiros não conseguiram fazer nada e não sabem de onde partiu o fogo.

O incêndio também provocou uma explosão na oficina. Imagens cedidas à TV TEM mostram o momento em que uma luz forte atinge o local e pessoas saem correndo, fugindo das chamas.

Além da oficina, as chamas também se espalharam para uma empresa de locação de máquinas que fica ao lado do estabelecimento.

O prejuízo está próximo de R$ 1 milhão.

O mundo poderá pegar fogo. Mas, perto de Nossa Senhora
como filhos temos proteção garantida
“Tinha diversos equipamentos que foram consumidos pelas chamas, uma caminhonete S-10 queimou inteira, o prédio em si sofreu um abalo muito forte. Os extintores derreteram com a intensidade do fogo.

“No escritório não queimou nada, o computador, os papéis, a outra imagem de Nossa Senhora que tenho, nem parece que teve fogo no prédio”, narra o proprietário, citado por S2Notícias.

Pellegatti estava inconformado em ver o resultado do trabalho de uma vida inteira ter virado cinzas, quando o policial comovido retirou dos escombros a imagem praticamente intacta e a entregou.

O mundo poderá pegar fogo.

Mas, perto de Nossa Senhora como filhos

temos proteção garantida.
“Inteira, apenas chamuscada, não sei se foi uma mensagem dela, mas sei que foi uma intercessão, mais um milagre dela em minha vida”, afirmou.

Apesar da tristeza, Pellegatti vai recomeçar. “Já estou aqui, limpando tudo, com a ajuda de amigos, voltamos ao começo, mas vamos resistir, minha fé me diz para não parar”, afirma.

O mecânico relata: “trabalho desde os 17 anos, sempre com a proteção Nossa Senhora, intercedendo por mim e me guiando nos caminhos da vida, vai continuar sendo assim, perdi quase tudo, mas tenho a vida, a saúde e minha fé”.


Veja mais casos em: Imagens intocadas em catástrofes