segunda-feira, 17 de junho de 2019

Origem, história e signficado da festa de Corpus Christi

No século XIII nasceu um Movimento Eucarístico que deu origem à Exposição e Bênção do Santíssimo Sacramento

Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs




Neste ano a festa de Corpus Christi cai no dia 20 de junho. Nela se comemora a presença real de Jesus Cristo no Santíssimo Sacramento.



Na Idade Média, os homens tinham uma devoção enlevada pela pessoa de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Para libertar seu túmulo dos pagãos muçulmanos fizeram cruzadas.

A história da festa de Corpus Christi tem origem nessa devoção.

Pelo fim do século XIII, na Abadia de Cornillon, em Lieja, Bélgica, nasceu um Movimento Eucarístico que deu origem à Exposição e Bênção do Santíssimo Sacramento, o uso dos sinos na elevação na Missa e a própria festa do Corpus Christi.

A abadessa Santa Juliana de Mont Cornillon ardia em desejos de que o Santíssimo Sacramento tivesse uma festa especial.

O Concílio de Trento reforçou a devoção eucarística ao Corpo de Cristo, Corpus Christi
Ela teve uma visão em que a Igreja aparecia como uma lua cheia com uma mancha negra, sinal da ausência da solenidade.

Santa Juliana comunicou a visão a vários prelados. Entre estes estava o futuro Papa Urbano IV.

O bispo Roberto de Lieja, em 1246, instituiu a celebração na diocese. O exemplo se estendeu especialmente por toda a atual Alemanha.

Em 1263, o Papa Urbano IV estava em Orvieto, ao norte de Roma.

Na vizinha localidade de Bolsena, o padre Pedro de Praga, originário da Boemia, celebrava sua missa na Igreja de Santa Cristina.

Um dia, em plena Missa, ao partir a Sagrada Forma, saiu dEla sangue que empapou o corporal.Ele tinha sérias dúvidas sobre a realidade da presença de Cristo na Hóstia consagrada.

Assim que ele completou as palavras da Consagração, o Sangue começou a escorrer da Hóstia Consagrada por suas mãos abaixo, sobre o altar e sobre o linho (corporal).

Vendo isto, ele interrompeu a Missa e viajou depressa a Orvieto onde o Papa Urbano IV residia nesse momento.

Ao ouvir a história dele, o Papa o perdoou por ter dúvidas e enviou os representantes a Bolsena, para investigarem.

Paroquianos e outras testemunhas confirmaram a história do padre; e a Hóstia e os linhos manchados estavam lá para todos verem.

O linho, conhecido como corporal, se conserva até hoje na basílica de Orvieto ― construída, aliás, para guardá-lo ― onde pode ser visto e venerado pelos fiéis.

O Santo Padre movido pelo prodígio, e a petição de vários bispos, estendeu a festa do Corpus Christi a toda a Igreja por meio da bula "Transiturus" de 8 setembro do mesmo ano de 1264.

Urbano IV encarregou o ofício e a liturgia das horas a São Boaventura e a Santo Tomás de Aquino.

o corporal ensanguentado está na basílica de Orvieto onde pode é visto e venerado pelos fiéis
Altar com o corporal de Bolsena, na basílica de Orvieto, Itália
Mas quando o Pontífice começou a ler em voz alta o ofício feito por Santo Tomás, São Boaventura, despretensiosamente foi rasgando o seu em pedaços.

As procissões de Corpus Christi se fizeram comuns a partir do século XIV.

Quando os protestantes conceberam a estultice de negar a Presencia Real de Nosso Senhor Jesus Cristo na Hóstia consagrada, o Concílio de Trento reforçou o costume.

O Concilio de Trento dissipou os ignaros erros contestatários.

E determinou que fosse celebrado este excelso e venerável sacramento com singular veneração e solenidade; e reverente e honorificamente seja levado em procissão pelas ruas e lugares públicos.

A contestação reapareceu no século XX, sob rótulo de progressismo, particularmente desconhecedor da Igreja e odiento de tudo quanto o Espírito Santo inspirou à Esposa Mística de Cristo, em especial, durante a Idade Média.





segunda-feira, 10 de junho de 2019

Blasfêmia sistematizada na catedral de Innsbruck

Cristo desmembrado: seus divinos braços servem de ponteiros de relógio blasfemo na catedral
Cristo desmembrado: seus divinos braços servem de ponteiros de relógio blasfemo na catedral
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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Extravagâncias litúrgicas
do 'bispo-artista' Mons.Glettler.
Mons. Hermann Glettler, bispo da histórica diocese de Innsbruck, Áustria, coroou uma longa série de despautérios blasfemos, feitos sob pretexto de ‘arte moderna’, com espantosa profanação de uma imagem de Cristo crucificado, escreveu “Corrispondenza Romana”.

Diante do altar e pendurado do teto instalou um grande Crucificado cabeça para abaixo e que tem os braços arrancados para servirem de ponteiros de um banal, mas grande relógio.

Monstruosas blasfêmias com frequência de significado infernal veem sendo hoje concebidas ou proferidas alegando falsamente um estilo “artístico contemporâneo”.

Pretextam que adotando a 'nova cultura', a Igreja se mostraria atenta aos “sinais dos tempos” e atrairia novos fiéis.

Mas, desta vez foi nada mais e nada menos que no interior da catedral de Santiago de Innsbruck e na histórica e belíssima igreja do Hospital da capital do Tirol do norte.

As ofensas que ficarão expostas durante a Quaresma foram confeccionadas pelo artista austríaco Manfred Erjautz por encomenda direta do bispo diocesano Mons. Hermann Glettler, pavoneado de “bispo-artista” e, encarregado da área “Arte e cultura” da Conferência Episcopal austríaca.

Mons. Glettler e Erjautz estão associados pelo menos desde 2004, quando o bispo era apenas pároco de Graz, e apareceram nas capas dos principais jornais e revistas de arte por terem realizado um “serviço fotográfico” especial.

Nele, o atual bispo aparecia como modelo sob uma “casula de PVC”, semelhante ao plástico escuro com que são feitas as sacolas de lixo.

A “obra” pelo seu alto “valor artístico” foi empregada para a capa do catálogo de arte 2018 do museu beneditino da abadia austríaca de Admont.

Em mais uma ofensa dessacralizante de Cristo Redentor, Erjautz fez em 2004, uma Cruz da tijolinhos LEGO, e donde um caminhãozinho substituía o preciosíssimo Corpo de Jesus.

A monstruosidade foi instalada sobre o altar da Igreja dos Jesuítas de Viena pretextando transmitir “jocosidade artística” à sacralidade das cerimônias litúrgicas.

Enquanto bispo de Innsbruck, Mons. Glettler, segundo comenta “Corrispondenza Romana” se assanhou na ‘promoção da arte moderna blasfema dentro dos lugares sagrados ano após ano.

Frase ofensiva exibida na catedral 'Enquanto Deus use barba eu serei feminista'.
Frase ofensiva exibida na catedral 'Enquanto Deus use barba eu serei feminista'.
Antes de ganhar a nomeação episcopal do Papa Francisco em 27 de setembro de 2017, Glettler exibiu seus “dons artísticos” em 2014, com a controvertida obra Wounded Light.

Tratou-se de uma deturpação em clave de arte moderna da imagem do Sagrado Coração de Jesus.

Em outubro 2018, o bispo aprofundou seu engajamento pelo sacrilégio disfarçado de ‘arte moderna’ aprovando a instalação na fachada da catedral de Santiago de uma faixa em caracteres extravagantemente cúbicos dizendo: “Enquanto Deus use barba eu serei feminista».

A frase foi instalada pela artista austríaca Katharina Cibulka engajada na agenda do “gênero” e militante da luta contra as instituições “patriarcais”.

Em 13 de março de 2019, Mons. Glettler pronunciou na Catholic Private University de Linz uma conferência com o título “Por um mais de vitalidade: contribuição à missão cultural atual da Igreja”.

O bispo D. Glettler 'paramentado' com casula de plástico vulgar
O bispo D. Glettler 'paramentado' com casula de plástico vulgar
Nela defendeu ser dever da Igreja hodierna assimilar o espírito do Concilio Vaticano II enquanto Revolução Cultural que impulsiona inclusive a trasformação da própria Igreja.

Acrescentou que deve deixar de ser uma instituição de conservação para se confundir com o fluxo massificante da evolução planetária.

Em poucas palavras não conservar o legado de Jesus Cristo e se jogar no precipício fervilhante do mundo.

Por isso, o Cristo-relógio pendurado cabeça para baixo na catedral de Santiago, marca a hora dramática em que uma anti-Igreja ofende e profana a Igreja imortal de sempre, pela mão dos pastores a quem Cristo confiou o cuidado dos frutos do supremo Sacrifício do Calvário.

Até quando Nosso Senhor permitirá essas infernais inversões de orientação?

O fato é que não devemos nos espantar o dia em que ele, como disse o Beato Palau:

“A sociedade moderna vai cair, se dissolver e perecer. Cristo excluído dos Estados, sairá como um leão das covas ostentando a onipotência de seu braço. E Satanás será acorrentado e jogado ao abismo”. (“El Ermitaño”, nº 52, 28.10.1869).

Veja mais em: Beato Francisco Palau: um profeta de ontem, para hoje, para amanhã e para o fim dos tempos


Vídeo: Cristo invertido e desmembrado: símbolo da revolução eclesiástica




segunda-feira, 27 de maio de 2019

Modernização esvaziou Igreja Católica
de seminaristas, sacerdotes e frades

Convento da Conceição de Siguenza-Guadalajara, Espanha
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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No período “pós-conciliar” iniciado no século XX, foi assombroso o número das apostasias sacerdotais, dos mosteiros que esvaziaram seus claustros, dos seminários que fecharam.

A “caridade” é uma palavra que quase não quase não se pronuncia com o significado de outrora. Entraram outras vozes mais modernas tiradas da sociologia – da não marxista na melhor das hipóteses.

Na Espanha, mais recentemente se multiplicaram os esforços marqueteiros para preencher os imensos vazios abertos. Com golpes de propaganda pretendem apresentar uma imagem “simpática” e “moderna” da Igreja. Mas os vazios se agigantam. Viram abismos.

Entre esses esforços para mostrar a Igreja como Ela não é para “parar a sangria de vocações”, o jornal de Madri “El País” mencionou uma campanha de sensibilização voltada para os jovens cristãos sob o lema Responde sim ao sonho de Deus.

Os hábeis propagandistas jogam sedutores slogans para jovens que sentem o chamado de Deus e que procuram um seminário ou uma casa religiosa de acordo com a vocação divina.

As campanhas então prometem “oração” e até acenam doações econômicas para os eventuais seminaristas de poucos recursos e ou estrangeiros, especialmente africanos.

Porém, prossegue o “El País”, nada disso convence. Então o número de candidatos matriculados na Espanha decai ano após ano.

Seminário abandonado, Albelda de Iregua, La Rioja, Espanha
Seminário abandonado, Albelda de Iregua, La Rioja, Espanha
Na verdade, foram-se as décadas em que se supunha que prometendo modernidade e distensão as vocações afluiriam como atraídas por um ímã.

No último ano (2018) só se inscreveram 236 candidatos, 46 a menos que o ano anterior, uma cifra minúscula para um país que sempre deu grande número de novos sacerdotes e incontáveis missionários.

As desistências superam os ingressos. Em 2019, 123 homens julgaram que tinham perdido a vocação.

Também no ano passado foram ordenados apenas 135 padres, longe dos mais de 8.000 que o faziam na década dos ’60 ano após ano.

Também decrescem as vocações monásticas em proporções análogas.

Em consequência vão sendo suprimidos os mosteiros como o das freiras Clarissas Capuchinhas de Cifuentes (Guadalajara), exemplifica “El País”.

Históricas casas religiosas acabam abandonadas por falta de vocações e são não poucas vezes transformadas em hotéis, casas de entretimentos diversos ou até templos de falsas religiões ou boates.

Ainda assim na Espanha há 18.164 sacerdotes e 53.918 religiosos, segundo dados da Conferência Episcopal. Com uma muita elevada média de idade: mais de 65 anos, acrescentou o secretário general e porta-voz dessa Conferência Episcopal. Cfr. Infocatólica.

Mosteiro abandonado de São Jerônimo de Guisando, Ávila, Espanha
Mosteiro abandonado de São Jerônimo de Guisando, Ávila, Espanha
Realizam-se eventos como a recente 56ª Jornada Mundial da Oração pelas vocações na tentativa de povoar os seminários desérticos como os de Lleida e Jaca, por exemplo, onde só fica um aluno.

Em milhares de paróquias, especialmente as rurais, se sente a falta de relevo geracional. Com frequência um só padre deve cuidar da vida das paróquias em uma dezena de cidades.

Para a historiadora das religiões e doutora em filosofia Laura Lara, uma causa relevante é a laicização – leia-se esvaziamento moral, ou mundanização –da doutrina da Igreja que vem se acelerando nos últimos anos. A dimensão sobrenatural e espiritual é abafada.

Também a avançada das leis promotoras da imoralidade e punidoras dos sacerdotes que censuram o pecado e as práticas antinaturais contribui a pôr em fuga jovens que em verdade não pensam muito no heroísmo que exige a vocação sacerdotal.

Mas as vocações sinceras não arredam diante desses obstáculos levantados pelo mundo, o demônio e a carne.

Elas procuram os seminários e conventos onde se formam almas sobrenaturais que combatem as insídias revolucionárias. Não são bem vistos pelas Conferencias Episcopais que depositam sua fé na visão mundana da Igreja.

Mas essas vocações autenticas estão aparecendo e pressagiam uma renovação profunda da Igreja com suas raízes bem alimentadas pela graça de Jesus Cristo para levar o rebanho dos fiéis à glória dos Céus.


terça-feira, 16 de abril de 2019

O rosto de Jesus Cristo impresso em Notre Dame

A Paixão de Cristo e a Paixão da Igreja em nossos dias
A Paixão de Cristo e a Paixão da Igreja em nossos dias
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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“Eu não posso me esquecer que uma das viagens que eu fiz a Paris, eu cheguei à noitinha. Jantei, e fui imediatamente ver a Catedral de Notre-Dame.

Era uma noite de verão, não extraordinariamente bonita, comum.

A Catedral estava iluminada, e o automóvel em que eu vinha passava da rive gauche para a ilha, e eu via a Catedral assim de lado, e numa focalização completamente fortuita.

Ela me pareceu desde logo, naquele ângulo tomado assim, se acaso existisse ‒ em algum sentido existe ‒ eu diria que é tomado ao acaso, eu olhei e achei tão belo que eu fiquei com vontade de dizer ao automóvel:

“Para, que eu quero ficar aqui! Eu sei que o resto é muito belo, mas eu creio que poucos olharam essa Catedral desse ângulo e pararam.

“E eu quero ser dos poucos, para dar a Nossa Senhora o louvor deste ponto de vista aqui, que os outros talvez não tenham louvado suficientemente.

“Ao menos se dirá que uma vez, um peregrino vindo de longe amou o que muitos outros, por pressa, por isso ou por não terem recebido uma graça especial naquele momento para aquilo, não chegaram a amar.”

“E em todos os grandes monumentos da Cristandade, depois de admirar as maravilhas, eu tenho a tendência a ir admirando os pormenores, num ato de reparação, porque esses pormenores talvez não tenham sido amados como eles deveriam ser amados.

“E então fazer ao menos isto: amar o que deveria ter sido amado e que foi esquecido. É sempre a nossa vocação de levar à tona as verdades esquecidas, que os homens põem de lado.

“Eu fiquei encantado com a Catedral naquele ângulo.

“Depois dei a volta, e voltei para o hotel com a alma cheia.

“E se alguém naquele momento me lembrasse da palavra da Escritura:

“Eis a igreja de uma beleza perfeita, a alegria do mundo inteiro”, eu teria dito: “Oh! como está bem expresso! É bem o que eu sinto a respeito da Catedral.”

“E aí, do fundo de nossas almas, do fundo de nossas inocências, sobe uma coisa que é luz, superluz, mas ao mesmo tempo é penumbra ou é obscuridade sem ser treva.

“E é a ideia de todas as catedrais góticas do mundo, as que foram construídas, e as que não foram construídas, dando uma ideia de conjunto de Deus. Que, entretanto, ainda é infinitamente mais do que isso.

“Aí o espírito que inspirou todas essas catedrais nos aparece.

“E aí, realmente, mais nós vivemos no Céu do que na Terra.

“E aí o nosso desejo de uma outra vida, de conhecer um Outro, tão interno em mim que é mais eu do que eu mesmo sou eu, mas tão superior a mim que eu não sou nem sequer um grão de poeira em comparação com Ele, esse meu desejo se realiza.

“Eu digo: “Ah, eu compreendo, o Céu deve ser assim!”

“Nós amamos ainda mais o puríssimo Espírito, eterno e invisível, que criou tudo aquilo, para dizer:

“Meu filho, Eu existo. Ame-me e compreenda: isto é semelhante a Mim.

“Mas, sobretudo, por mais belo que isto seja, Eu sou infinitamente dessemelhante disto, por uma forma de beleza tão quintessenciada e superior, que é só quando me vires que verdadeiramente te darás conta do que Eu sou.

“Vem, meu filho. Vem, que eu te espero!

“Luta por mais algum tempo, que Eu estou me preparando para te mostrar no Céu belezas ainda maiores, na proporção em que for grande e dura a tua luta.

“Espera que, quando estiveres pronto para veres aquilo que Eu tinha intenção de que visses quando Eu te criei.

“Meu filho, sou Eu a tua Catedral!

“A Catedral demasiadamente grande! A Catedral demasiadamente bela!

“A Catedral que fez florescer nos lábios da Virgem um sorriso como nenhuma jóia fez florescer, nenhuma rosa, e nem sequer nenhuma das meras criaturas que Ela conheceu.”

“Essa Catedral é Nosso Senhor Jesus Cristo.

“É o Coração de Jesus que tirou do Coração de Maria harmonias como nada tirou. Ali, tu o conhecerás.”

“Ele disse dEle: “Serei Eu mesmo a vossa recompensa demasiadamente grande”.


Vídeo: O rosto de Jesus Cristo impresso em Notre Dame



terça-feira, 29 de janeiro de 2019

Restaurante nudista de Paris fecha por falta de clientes

O regulamento do nudismo era ditatorial integralmente tolerante para proibir e expulsar quem não estiver de acordo
O regulamento do nudismo era ditatorial se dizendo tolerante para proibir e expulsar quem não estiver de acordo
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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Durou pouco mais de um ano o imoral e prosaico projeto de um restaurante para nudistas em Paris, capital do bom gosto e da gastronomia do mais alto nível.

O'Naturel foi inaugurado em novembro de 2017 com toda a pompa com que a mídia e o jet set do dinheiro, do exibicionismo e da revolução cultural espalham sua imoralidade e debocham dos bons costumes em nome da modernidade e do futuro.

O primeiro estaurante nudista de Paris foi saudado como uma experiência única na Cidade Luz e foi frequentado por aqueles seletos da moda e das esquerdas que estadeiam a vulgaridade suma de andar sem roupas em praias e campings reservados, descreveu reportagem de Clarín de Buenos Aires.

O'Naturel encarnou no ponto mais ousado por agora a utopia da revolução hippie, Woodstock e Maio de 68 que sonhava com a plenitude frenética da libertação moral e sexual, o paraíso do “proibido proibir”.

Essa enganação utopista constituiu o faro que iluminava a caminhada das modas para a degradação total. Mas essa marcha dizia que ia rumo a um futuro inelutável e nela se engajaram os ávidos de exibição revolucionária “pra frente”.

Porrém as tendências atuais se inclinam mais num sentido conservador e por um retorno às normas morais e as formas culturais de compostura e bom gosto.

Foi assim que O'Naturel fechou por falta de clientes.

“Lamentavelmente, anunciamos o fechamento definitivo do restaurante O'Naturel no dia sábado 16 de fevereiro de 2019”, explicaram seus fundadores, os irmãos Mike e Stéphane Saada, na sua página web.

“Não temos suficientes clientes – admitiu Mike ao jornal “Le Figaro” –. Queremos sair desse projeto e dar uma oportunidade àqueles que queiram tenta-lo”.
Nos armários, os clientes deviam deixar até os celulares
Nos armários, os clientes deviam deixar até os celulares

O'Naturel se apresentava como um restaurante normal numa rua tranquila no leste da capital. Apenas uma densa cortina impedia ver o interior onde numas 20 mesas, quando ocupadas, as pessoas se exibiam como em certas “obras de arte” ou “performances” em museus e zoos contemporâneos.

No ingresso podia se ler o estrito regulamento que impunha o nudismo total. A regra sublinhava o caráter tolerante do local, mas advertia que quem não estivesse de acordo seria expulso.

Os clientes deixavam tudo num armário, incluído o celular, e sentavam inteiramente nus. Os garçons e empregados andavam vestidos por normas municipais para evitar contágios ou espalhar infecções alimentares.

O menu girava entre 39 e 49 euros e os pratos incluíam opções veganas e uma lauta carta de vinhos.

Por vezes, certos domingos nas ruas desérticas de bairros ricos se ve circular nostálgicos do hippismo assaz idosos sobre poderosas motos Harley-Davison, exibindo longas cabeleiras brancas, calcas boca-de-sino esfiapadas e jaquetas de couro com incrustações de metal, reimaginando interiormente a utopia de 68.

As fotos dos comensais de O'Naturel que não reproduzimos pelo atentado ao pudor evidente e pelo seu prosaísmo déplaisant, apresentam o mesmo perfil psicológico de frequentadores idosos querendo reviver um sonho danoso que morreu.