terça-feira, 15 de outubro de 2019

França: o retorno dos heróis

Santa Joana d'Arc, santuário de Bois Chenu, Lorena, Herois medievais
Santa Joana d'Arco, santuário do Bois Chenu, França
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs







Uma das mais sublimes manifestações do espírito humano parecia afogada pelo prazer materialista da vida. O heroísmo parecia enterrado para sempre, e no país dos heróis cristãos que é a França! deplorou Louis de Raguenel em “Valeurs Actuelles”.

Em 2005, a maioria das teses dos alunos da Escola Nacional de Administração francesa (ENA), célebre pela sua exigência, “constatavam ou lamentavam a decadência de uma sociedade cada vez mais individualista que torna difícil aparecer grandes homens”.

Alguns escritos achavam resignadamente que essa queda ficou fatal por causa da evolução da sociedade.

E constatavam que se foram os tempos em que os heróis podiam aparecer falando e agindo preto sobre branco.

A morte do oficial de gendarmaria Arnaud Beltrame num lance heroico contra o terrorismo chacoalhou a França adormecida pela mediocridade
A morte do oficial de gendarmaria Arnaud Beltrame num lance heroico
contra o terrorismo chacoalhou a França adormecida pela mediocridade
Porém a morte desafiando o perigo extremo do coronel Arnaud Beltrame, no dia 23 de março de 2018, em Trèbes e a dos comandos da marinha Cédric de Pierrepont e Alain Bertoncello, na noite de 9 para 10 de maio de 2019, soaram como bofetadas para a mentalidade moderna amolecida, escreveu Louis de Rague.

Houve pelo menos um punhado que rompeu com o presente timorato e decadente.

Os atentados islâmicos estão se reproduzindo sem cessar em Paris e na França toda pelo menos mais violentamente desde 2015.

E a sociedade moderna e progressista que se acreditava instalada na mediania para sempre se voltou então para a única e última realidade capaz de produzir os heróis que salvam o corpo social da desgraça: a fé religiosa.

E também para a instituição humana que pode lhe fornecer a tábua de salvação: o exército.

Sim: fé e exército unidos inspiram e movem o fabrico dos heróis prontos para partir ao sacrifício supremo por algo que vai além de valores medianos: a pátria, a França, a fé.

Pouco valorizadas durante décadas, com os orçamentos cada vez mais recortados, objeto de incompreensões e escárnios, as forças armadas conseguiram transmitir seus valores de geração em geração de cadetes e soldados, manter elevado seu nível moral e defender com panache sua categoria.

Foi um verdadeiro milagre, diz de Rague.

Até os políticos mudaram a linguagem e passaram a reconhecer o papel capital dos uniformados na defesa material do país e no rearmamento moral dos franceses.

General Henri Pinard Legry: “os franceses tomaram consciência do que é que é o heroísmo em ação”
General Henri Pinard Legry: “os franceses tomaram consciência
do que é que é o heroísmo em ação
O general Henri Pinard Legry, presidente da Associação de apoio ao exército escreveu: “os franceses tomaram consciência do que é que é o heroísmo em ação (...) a coragem e a abnegação […], de geração em geração só foram possíveis porque cada soldado aos 18 anos optou por servir até o sacrifício de sua vida se for necessário”.

Jamais neste século as armas francesas ficaram de tal maneira engajadas no “front” de combate interior e nos mais variados cenários de conflito no exterior. O inimigo invasor já não vem só de fora: ele está dentro, bem armado, organizado e fanatizado por uma religião assassina por natureza.

“Não se fabrica heróis, mas militares para servir o país”, explica o coronel Brulon, do estado maior do exército, “mas alguns acabam sendo-os, sem escolher as circunstâncias”.

O coronel Beltrame quis ser paraquedista para pular nas costas do adversário no Iraque, foi covardemente assassinado e post-mortem ganhou a Cruz ao Valor Militar.

Vendo os terroristas islâmicos na Franca quis se oferecer como refém para poupar simples cidadãos sequestrados e acabou sendo degolado.

Seu exemplo acordou a sociedade comodista. Diante de milhões de telas, a Franca chorou seu filho.

A França sentiu que jamais teve tanta necessidade de heróis.

De gente que escolhe estradas que estão fora da norma.

O soldado da elite da marinha Pierrepont era chefe de um grupo de comando quando caiu em Burquina-Faso combatendo o Estado Islâmico.

Bertoncello se especializou no contraterrorismo e na liberação de reféns.

Um coronel do Estado Maior ressaltou ser necessário apresentá-los à juventude como “dois modelos, duas encarnações da esperança”.

A França jamais teve tanta necessidade de heróis.
A França jamais teve tanta necessidade de heróis.
Um antigo chefe de regimento de forças especiais comentou: “Entre nós, se você cai, há 50 heróis que aparecem”.

O herói não se preocupa em ser herói. Ele quer o sentimento do dever cumprido.

Pertencer a unidades de elite é uma provação até para as famílias. Nelas, fala-se com veneração dos que deram até o último suspiro.

Voltar à vida de família pode parecer sem graça após ter vivido entre os perigos da missão.

Mas, todos escolheram essa vida voltada para os outros à procura do absoluto e da superação de si próprio, glosa o articulista.

Eles procuram em verdade uma vida mais intensamente humana. E esse é o ponto comum de todos os heróis inscrito no brasão dos paraquedistas: “Para além do possível”.

Ou como constata o escritor Sylvain Fort: “para o herói o absoluto passa por cima do relativo”.

Ele desfere um desmentido doloroso aos que só veem em torno de si realidades sem substância.

Porque o herói, militar ou santo, é o modelo exemplare de homem por excelência encravado no mais fundo do imaginário coletivo, conclui a reportagem.


terça-feira, 1 de outubro de 2019

Maioria de fiéis acredita em anjos e demônios, mas púlpitos silenciam. Por quê?

Anjo tira do pecado e leva a Nossa Senhora
Luis Dufaur
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Para 77% dos adultos americanos, a existência e atividade dos anjos em torno dos homens é uma verdade muito real.

Foi o que revelou uma enquête da Associated Press e da GfK, após ouvir 1.000 pessoas no mês de dezembro.

Anjo, protetor contra o demônio. Simone Martin
Para 88% dos consultados, a fonte dessa convicção é a religião cristã, noticiou há tempos a agência CNSNews.

Mas a crença nos anjos é compartilhada pela maioria dos não cristãos.

Inclusive mais de quatro de cada 10 americanos que jamais assistem a um serviço religioso acreditam na existência dos espíritos, celestes ou infernais.

Análoga sondagem feita em 2006 constatou que 81% acreditavam na existência e ação dos anjos na Terra.

A tendência para crer neles está aumentando.

Diabo: único beneficiado com o silêncio
Em maio de 2011, 92% dos adultos disseram ao Gallup que acreditavam em Deus.

Porém, 34% responderam a análoga sondagem da Associated Press e da Ipsos dizendo que também acreditavam nos fantasmas e nos discos voadores, aliás muitas vezes ligados aos anjos infernais.

Contudo, se a gente fosse calcular a proporção de pregações dos púlpitos católicos sobre tão fundamental questão, o resultado seria provavelmente decepcionante.

Essa omissão pode ter efeitos trágicos no discernimento dos fiéis quanto à influência dos anjos bons e dos demônios.

Nessa confusão só o pai da mentira tira proveito.



segunda-feira, 22 de julho de 2019

Pe. Amorth e exorcismo: como se defender do diabo

Padre Gabriele Amorth e demônio exorcizado,  detalhe da porta de bronze da catedral de Pisa
Padre Gabriele Amorth e demônio exorcizado,  detalhe da porta de bronze da catedral de Pisa
Luis Dufaur
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APONTAMENTOS COLHIDOS ENQUANTO ASSISTIA AO VÍDEO. NÃO SÃO AO PÉ DA LETRA, MAS TENTAM REGISTRAR OS CONSELHOS ESSENCIAIS.

Pergunta: O que é o diabo?

Pe. Gabriele Amorth: É um puro espírito criado por Deus. Foi submetido a uma prova porque Deus quis que todos os seres inteligentes chegassem à felicidade da visão beatifica com mérito pessoal, nunca pela força.

Os anjos foram submetidos a uma prova de humildade e obediência. Satanás que era o mais esplendoroso deles se rebelou contra Deus e convenceu uma grande quantidade de anjos a se opor.

Foi um ato de orgulho e rebelião feito com uma inteligência e com uma consciência de tal maneira perfeita que dele não se volta atrás.

Pergunta: por que?

Pe. Gabriele Amorth: Uma vez perguntei a um demônio se eles são muitos. E respondeu: somos tantos que se fôssemos visíveis obscureceríamos o sol. Portanto a quantidade é enorme. A quantidade dos anjos é sem dúvida maior.

segunda-feira, 8 de julho de 2019

Milagre eucarístico de Alcalá de Henares, um ensinamento para a humanidade pecadora


Luis Dufaur
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Há mais de quatro séculos todo ano a cidade de Alcalá de Henares, perto da capital espanhola Madri, leva em solene procissão pelas ruas a Custodia das Santas Formas desde a paróquia de Santa Maria Mor, onde se conservam 24 hóstias, até a catedral, noticiou “Infocatólica”.

A belíssima Custódia tem uma forma peculiar. Pois foi feita para expor à piedade pública um grande número de hóstias de tamanho normal, como as destinadas à comunhão dos fiéis, e não uma grande hóstia.

Isso se deve ao milagre que comemora esta procissão.

No fim do traslado processional da custódia, o bispo diocesano celebra a Missa e depois preside uma vigília de oração com as Sagradas Formas expostas.

No domingo, após a celebração de vésperas na Catedral, se realiza uma nova procissão solene de retorno à capela das Santas Formas na igreja de Santa Maria Mor.

Ela culmina com a bênção do Santíssimo no pátio do Palácio Arcebispal.

segunda-feira, 24 de junho de 2019

Menos rede social melhora a sociabilidade!

Luis Dufaur
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As prestigiosas universidades de Stanford e Nova York elaboraram um dos mais exaustivos estudos já feitos até o presente sobre os efeitos do uso atual das redes sociais, informou “El Mundo” de Madri.

Uma conclusão inesperada é que abandonar o uso de redes como Facebook melhora a saúde mental, a sociabilidade e o estado de ânimo das pessoas.

O estúdio acompanhou mais de 2.800 pessoas recrutadas a través de anúncios nessa rede social.

A uma metade foi pedido desativar as contas de Facebook durante quatro semanas, enquanto que a outra metade serviu como “grupo de controle”.

Os participantes também se submeteram a diversificados testes a respeito da atualidade e descreveram suas rotinas diárias e seu estado de ânimo durante o experimento.

Os responsáveis do estudo tiveram licença para monitorar as contas dos voluntários para garantir que realmente permaneciam inativos.

segunda-feira, 17 de junho de 2019

Origem, história e signficado da festa de Corpus Christi

No século XIII nasceu um Movimento Eucarístico que deu origem à Exposição e Bênção do Santíssimo Sacramento

Luis Dufaur
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Neste ano a festa de Corpus Christi cai no dia 20 de junho. Nela se comemora a presença real de Jesus Cristo no Santíssimo Sacramento.



Na Idade Média, os homens tinham uma devoção enlevada pela pessoa de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Para libertar seu túmulo dos pagãos muçulmanos fizeram cruzadas.

A história da festa de Corpus Christi tem origem nessa devoção.

Pelo fim do século XIII, na Abadia de Cornillon, em Lieja, Bélgica, nasceu um Movimento Eucarístico que deu origem à Exposição e Bênção do Santíssimo Sacramento, o uso dos sinos na elevação na Missa e a própria festa do Corpus Christi.

A abadessa Santa Juliana de Mont Cornillon ardia em desejos de que o Santíssimo Sacramento tivesse uma festa especial.

segunda-feira, 10 de junho de 2019

Blasfêmia sistematizada na catedral de Innsbruck

Cristo desmembrado: seus divinos braços servem de ponteiros de relógio blasfemo na catedral
Cristo desmembrado: seus divinos braços servem de ponteiros de relógio blasfemo na catedral
Luis Dufaur
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Extravagâncias litúrgicas
do 'bispo-artista' Mons.Glettler.
Mons. Hermann Glettler, bispo da histórica diocese de Innsbruck, Áustria, coroou uma longa série de despautérios blasfemos, feitos sob pretexto de ‘arte moderna’, com espantosa profanação de uma imagem de Cristo crucificado, escreveu “Corrispondenza Romana”.

Diante do altar e pendurado do teto instalou um grande Crucificado cabeça para abaixo e que tem os braços arrancados para servirem de ponteiros de um banal, mas grande relógio.

Monstruosas blasfêmias com frequência de significado infernal veem sendo hoje concebidas ou proferidas alegando falsamente um estilo “artístico contemporâneo”.

Pretextam que adotando a 'nova cultura', a Igreja se mostraria atenta aos “sinais dos tempos” e atrairia novos fiéis.

Mas, desta vez foi nada mais e nada menos que no interior da catedral de Santiago de Innsbruck e na histórica e belíssima igreja do Hospital da capital do Tirol do norte.

As ofensas que ficarão expostas durante a Quaresma foram confeccionadas pelo artista austríaco Manfred Erjautz por encomenda direta do bispo diocesano Mons. Hermann Glettler, pavoneado de “bispo-artista” e, encarregado da área “Arte e cultura” da Conferência Episcopal austríaca.

segunda-feira, 27 de maio de 2019

Modernização esvaziou Igreja Católica
de seminaristas, sacerdotes e frades

Convento da Conceição de Siguenza-Guadalajara, Espanha
Luis Dufaur
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No período “pós-conciliar” iniciado no século XX, foi assombroso o número das apostasias sacerdotais, dos mosteiros que esvaziaram seus claustros, dos seminários que fecharam.

A “caridade” é uma palavra que quase não quase não se pronuncia com o significado de outrora. Entraram outras vozes mais modernas tiradas da sociologia – da não marxista na melhor das hipóteses.

Na Espanha, mais recentemente se multiplicaram os esforços marqueteiros para preencher os imensos vazios abertos. Com golpes de propaganda pretendem apresentar uma imagem “simpática” e “moderna” da Igreja. Mas os vazios se agigantam. Viram abismos.

Entre esses esforços para mostrar a Igreja como Ela não é para “parar a sangria de vocações”, o jornal de Madri “El País” mencionou uma campanha de sensibilização voltada para os jovens cristãos sob o lema Responde sim ao sonho de Deus.

Os hábeis propagandistas jogam sedutores slogans para jovens que sentem o chamado de Deus e que procuram um seminário ou uma casa religiosa de acordo com a vocação divina.

terça-feira, 16 de abril de 2019

O rosto de Jesus Cristo impresso em Notre Dame

A Paixão de Cristo e a Paixão da Igreja em nossos dias
A Paixão de Cristo e a Paixão da Igreja em nossos dias
Luis Dufaur
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“Eu não posso me esquecer que uma das viagens que eu fiz a Paris, eu cheguei à noitinha. Jantei, e fui imediatamente ver a Catedral de Notre-Dame.

Era uma noite de verão, não extraordinariamente bonita, comum.

A Catedral estava iluminada, e o automóvel em que eu vinha passava da rive gauche para a ilha, e eu via a Catedral assim de lado, e numa focalização completamente fortuita.

Ela me pareceu desde logo, naquele ângulo tomado assim, se acaso existisse ‒ em algum sentido existe ‒ eu diria que é tomado ao acaso, eu olhei e achei tão belo que eu fiquei com vontade de dizer ao automóvel:

terça-feira, 29 de janeiro de 2019

Restaurante nudista de Paris fecha por falta de clientes

O regulamento do nudismo era ditatorial integralmente tolerante para proibir e expulsar quem não estiver de acordo
O regulamento do nudismo era ditatorial se dizendo tolerante para proibir e expulsar quem não estiver de acordo
Luis Dufaur
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Durou pouco mais de um ano o imoral e prosaico projeto de um restaurante para nudistas em Paris, capital do bom gosto e da gastronomia do mais alto nível.

O'Naturel foi inaugurado em novembro de 2017 com toda a pompa com que a mídia e o jet set do dinheiro, do exibicionismo e da revolução cultural espalham sua imoralidade e debocham dos bons costumes em nome da modernidade e do futuro.

O primeiro estaurante nudista de Paris foi saudado como uma experiência única na Cidade Luz e foi frequentado por aqueles seletos da moda e das esquerdas que estadeiam a vulgaridade suma de andar sem roupas em praias e campings reservados, descreveu reportagem de Clarín de Buenos Aires.

O'Naturel encarnou no ponto mais ousado por agora a utopia da revolução hippie, Woodstock e Maio de 68 que sonhava com a plenitude frenética da libertação moral e sexual, o paraíso do “proibido proibir”.