terça-feira, 18 de fevereiro de 2020

O Brexit, expressão de nostalgia da Cristandade

Euforia diante do Parlamento: Grã-Bretanha caiu fora!
Euforia diante do Parlamento: Grã-Bretanha caiu fora!
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs






À meia-noite do dia 31 de janeiro, a população britânica reunida diante de Westminster entoou em uníssono o hino “Deus salve a rainha”.

Desafiando o frio e a garoa, exultavam de alegria por ter a Grã-Bretanha abandonado afinal a União Europeia (UE), três anos e meio após o referendo em que a maioria dos britânicos preferiu o Brexit, ou seja, a retirada.

Após três adiamentos e uma infinidade de manobras políticas, era o primeiro país-membro a deixar o bloco europeu, desde sua criação em 1958.

Numa atmosfera típica de réveillon, cercados por centenas de milhares de bandeiras pátrias, os felizes britânicos erguiam cartazes com os dizeres “dia da independência” e “nosso país de volta”.

Nosso país de volta!
Nosso país de volta!
As cores nacionais iluminavam residências simbólicas como a do primeiro-ministro, no nº 10 da Downing Street.

“A guerra acabou: ganhamos”, repetia Nigel Farage, o político que batalhou durante mais de 20 anos pelo Brexit.

Nesse mesmo momento, com ar fúnebre, arriava-se a Union Jack nas sedes da União Europeia em Bruxelas e Estrasburgo.

Alegria popular de um lado, acabrunhada burocracia comunitária do outro.

Com o seu entusiasmo pelas nações que constituíram a Cristandade nos séculos de Fé, o Prof. Plinio Corrêa de Oliveira provavelmente se associaria às alegrias do outro lado da Mancha.

Por ocasião de sua viagem à Europa em 1950, para contatos com representantes desse glorioso passado, ele teve um horrível choque com o que lhe confidenciou um nobre ligado a elevados eclesiásticos e príncipes reais, durante um almoço no Automóvel Clube de Paris:

“A Europa não caminha para uma dilaceração, mas para uma síntese.

“Está sendo preparada uma Europa unida, que deverá absorver todos os países; e no interior de cada país, todas as facções.

“Haverá um parlamento e um governo europeus, que farão desaparecer as diversidades nacionais.

“Vão ser eliminadas as fronteiras, e a Europa terá um só mercado consumidor, uma só indústria e um só comércio geral [...].

“Compor-se-ão desde o Partido Comunista até as correntes monarquistas mais intransigentes [...].

“As Casas Imperiais e Reais e a antiga nobreza vão mandar seus deputados para o Parlamento de Estrasburgo.

União Europeia tira a bandeira britânica em ambiente fúnebre sem apoio popular
União Europeia tira a bandeira britânica em ambiente fúnebre sem apoio popular
“Sentado ao lado do arquiduque Otto de Habsburgo estará o presidente de um sindicato.

“A Europa inteira, desde a sua mais antiga tradição carolíngia até a mais moderna extrema esquerda, caminhará no mesmo rumo”. (Extraído de Plinio Corrêa de Oliveira, Minha vida pública, Artpress, 2015, 827 págs., p. 394).

Nessa viagem de três meses, Dr. Plinio ouviu a repetição dessa mesma palavra de ordem, anunciando que tudo estava sendo planejado para pulverizar as últimas ruínas da Cristandade.

Mas não perdeu a esperança, nem mesmo quando a análise metódica do noticiário confirmava o plano que estava sendo implacavelmente urdido.

Em 1988, ano de sua última viagem à Europa, ele colheu impressões opostas sobre o que então acontecia, e designou uma comissão para estudar as mudanças.

Constatou que a União Europeia se arriscava ao insucesso, pois não havia conseguido convencer os europeus, mas apenas acostumá-los às benesses com que os inundava.

Afirmava ele que um imprevisto poderia derrubar o plano, e deu um exemplo: “Uma nação de dimensões pequenas mas de grande cultura, como a Dinamarca, pode recusar a UE e encrencar tudo.

É a famosa metáfora do carro de boi puxado por muitas juntas. De repente um boi se deita na estrada, e tudo para” (Apontamentos de 27-12-1989).

Com efeito, em 2 de junho de 1992 a Dinamarca repeliu em referendo o Tratado fundacional de Maastricht, dando início a uma longa série de recusas plebiscitárias — deturpadas, aliás, por ardilosas manobras da UE —, até que em 12-12-2019 o Brexit foi ratificado por cômoda maioria, não deixando margem a dúvida.

Alegria patriótica e depressão europeísta pelo Brexit.
Alegria patriótica e depressão europeísta pelo Brexit.
“Amo a Europa, mas detesto a União Europeia. Eles querem nos controlar, fazer nossas leis, pegar nosso dinheiro”, disse Julie, educadora de Yorkshire, na festa do Brexit.

“Agora poderemos fazer o que quisermos, quando quisermos, porque todas as leis e regulamentações serão feitas aqui em Londres, e não na Europa”, comemorou Kevin Russell, de Milton Keynes.

Franceses comemoravam no “réveillon” um futuro “Frexit” (Folha de S.Paulo).

Nigel Farage, líder do Brexit, falou da saída como “a coisa mais importante desde que Henrique VIII nos tirou da Igreja de Roma”.

E vaticinou “uma batalha histórica” de nações como a Dinamarca, a Polônia ou a Itália, para deixar a UE, divulgou TSF Rádio Notícias.

Na sua despedida do Parlamento Europeu, os deputados britânicos desabafaram abruptamente os ressentimentos acumulados.

Nigel Farage repreendeu a presidente da sessão, Mairead McGuinness: “Vi a Constituição ser rejeitada pelos franceses em referendo.

“Eu a vi ser rejeitada pelos holandeses em outro referendo.

“Vi os senhores ignorá-los e trazer a Holanda de volta com o Tratado de Lisboa. [...] Cfr CATOLICISMO

“Os britânicos são grandes demais para se intimidar, [...] não precisamos de uma Comissão Europeia nem de um Tribunal Europeu. [...]

“A União Europeia é um projeto ruim, antidemocrático e inaceitável.

“Eu sei que os senhores querem banir nossas bandeiras nacionais, mas vamos dizer adeus”.

Eurodeputados pro-Brexit ao Parlamento europeu: Goodbye!
Eurodeputados pro-Brexit ao Parlamento europeu: Goodbye!
Nesse momento, os deputados pelo Brexit presentes no Parlamento fizeram tremular a bandeira britânica, exclamando Goodbye!

A presidente da sessão, em estilo “soviete supremo”, cortou-lhes o som e bradou: “Guardem suas bandeiras e levem-nas embora!”.

Os britânicos partiram alegres, enquanto alguns europeístas choravam (BBC News).

Extenuantes negociações devem logo ter início, para separar os bens nacionais dos comunitários.

Nessas disputas deve patentear-se a decadência da UE, similar à que Dr. Plinio assinalava sobre a decadência da Revolução iniciada com Lutero em 1517: “Ela perdeu a partida, dando um passo muito maior que suas pernas”.

O açodamento acarretará imprudências revolucionárias, como as que desfecharam no Brexit.

Por isso a humanidade irá se aproximando da situação final do filho pródigo: “Quando chegou às bolotas dos porcos, aí ele se lembrou da casa do pai”.

Na presente crise, os britânicos do Brexit e seus símiles tornar-se-ão cada vez mais saudosos da Cristandade que brilhou na Idade Média, deixando um legado de tradições, monumentos e instituições que ninguém pode extinguir.





terça-feira, 11 de fevereiro de 2020

Profanações sistemáticas apoiadas pelo Cardeal de Viena interpelam ao Papa Francisco

O Cardeal Schonborn, arcebispo de Viena empresta agradado a histórica catedral.
Mons Viganò “mais uma provocação blasfema”
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
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O cardeal Christoph Schönborn, arcebispo de Viena, capital da Áustria, vem há anos escandalizando seus fiéis com ardidos apoios à Revolução Cultural, ou LGBT. Porém, da última vez pareceu ultrapassar todas as medidas.

Porém, como ele é muito próximo do Papa Francisco, parece nada temer, nem mesmo dos protestos airados e numerosos dos vienenses.

Foi precisamente ele, como apontou “Corrispondenza Romana”, que profanou a esplêndida Catedral dedicada a Santo Estêvão, organizando um concerto pró-LGBT de “caridade” intitulado obscenamente “O desejo dos anjos”, copatrocinado pelos Cavaleiros Austríacos de Malta.

Esse foi o principal evento de uma série de 15 shows, todos eles, pelo menos oficialmente, feitos com o objetivo de arrecadar fundos para projetos ligados à Aids.

Na realidade – prossegue a publicação romana –, o fim real foi uma propaganda ideológica da agenda LGBT, como ficou demonstrado pelos fatos.

A programação impressa anunciou com antecipação ao público em geral a presença de nomes “modernos” de deprimente reputação moral, como a drag queen austríaca Conchita Wurst, também conhecida como Thomas Neuwirth pelo seu nome de batismo, e que ganhou inglória notoriedade quando representou de modo blasfemo seu país no Eurovision Song Contest 2014.

Para agradecer ao Cardeal Schönborn pelo empréstimo da catedral e “pela confiança depositada em nós”, recompensou pecuniariamente o organizador do fund raising (coleta de fundos), o ativista LGBT Gery Keszler.

Os símbolos mais sagrados cristãos abusados em diversão da agenda LGBT
Os símbolos mais sagrados cristãos abusados em diversão da agenda LGBT
Este último promoveu em 1992 o “Life Ball”, outro evento de fund raising felizmente cancelado este ano pela perda de seus principais patrocinadores, informa ainda a publicação romana.

É a terceira vez que cardeal Schönborn cede a Catedral à associação “Life +”, que promove iniciativas “favoráveis aos LGBT”.

Em 1º de dezembro de 2017, por exemplo, permitiu que Conchita Wurst – sempre na Catedral e sempre por ocasião do Dia Mundial da Aids – discursasse durante uma reunião de oração, quase “totalmente consagrado” ao lobby LGBT.

Naquela a manifestação, a drag queen reclamou contra uma suposta “perseguição contra aqueles que vivem sua identidade de uma maneira diferente”.

Sua diatribe patenteou que a AIDS era usada apenas como pretexto para fazer uma vergonhosa campanha ideológica “amiga dos LGBT”.

Também naquela reunião, o cardeal deu as boas-vindas na entrada da histórica Catedral de Santo Estêvão ao co-organizador Keszler.

Este, por sua vez, “agradeceu” ao arcebispo de Viena declarando publicamente que durante um jantar privado o cardeal o teria “abençoado” juntamente com seu “parceiro”.

Em 2018, sempre na presença do cardeal, no altar-mor da Catedral de Viena, o ator Philipp Hochmair, conhecido por interpretar papéis homossexuais, exibiu-se de peito nu, acompanhado de vários extras disfarçados de demônios.

Catedral de Viena transformada em local de bacanal para reunir dinheiro para a agenda LGBT em 2018
Catedral de Viena transformada em local de bacanal para reunir dinheiro para a agenda LGBT em 2018
O concerto escandaloso, para dizer o mínimo, foi executado sob o efeito de luzes psicodélicas pelo grupo Elektrohand Gottes e teve como música de fundo rock e eletrônica.

Foi uma espécie de “adaptação” repugnante da ópera austríaca “Jedermann”, de Hugo von Hofmannsthal, apresentada pela primeira vez em 1911.

O texto original trata da conversão ao cristianismo de um homem rico, mas viciado, que percebeu nos últimos momentos da vida que nem amigos nem dinheiro o seguiriam até o túmulo.

A cumplicidade do cardeal levanta graves suspeitas por causa das repetidas violações do Catecismo da Igreja Católica (artigos 2357 e 2358 sobre homossexualidade), registrou “Corrispondenza Romana”.

O purpurado forjará sem dúvida escapatórias para tentar fugir do Catecismo no momento do aperto.

Mas o que torna ainda mais complicado o problema é o silêncio prolongado e inexplicável de Roma, que agora desistiu de cuidar de seu rebanho e de defender a doutrina, o exemplo e a vida de Jesus Cristo.


terça-feira, 4 de fevereiro de 2020

Três imagens que escaparam da destruição pelos pagãos em Nagasaki

A 'Virgem Milagrosa', ou Mater Boni Consilii, de Badoc, Filipinas, chegou boiando milagrosamente pelo ma num caixa
A 'Virgem Milagrosa', ou Mater Boni Consilii, de Badoc, Filipinas,
chegou boiando milagrosamente pelo mar numa caixa
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
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Imagens sagradas que resistem inexplicavelmente a terremotos, tsunamis, grandes e pequenos incêndios, ou atentados dolosos, vêm sendo publicadas por nós, na medida em que fontes idôneas fornecem informações sérias.

Não corremos atrás dessas informações, apenas publicamos aquelas que nos chegam pela sua repercussão ou efeito natural, e isso porque temos a certeza de que essas proteções milagrosas são muito mais comuns do que imaginamos.

A Divina Providência, Nosso Senhor, Nossa Senhora, santos e anjos, estão a todo momento protegendo, resguardando, salvando, fazendo maravilhas, talvez em muitas ocasiões sem serem percebidos pelos homens.

Recebemos meses atrás uma prova disso. Trata-se de um fato acontecido há mais de quatro séculos, e no longínquo Japão!

Nesse importante país do Oriente, a chegada de São Francisco Xavier, S.J., em 1549, abriu uma era de heroicas missões e numerosas conversões.

Infelizmente, essa época gloriosa foi interrompida em 27 de janeiro de 1614, quando o Tokugawa Shogun ordenou a expulsão de todos os missionários cristãos, além da destruição das igrejas já edificadas.

A descrição dos fatos a seguir foi extraída do blog Blessed Justo Takayama Ukon.

O Shogun era uma espécie de generalíssimo do exército imperial, que de fato exercia poderes de governo, pois o imperador não se ocupava disso.

O Beato Justo Takayama Ukon e 350 católicos deportados para as Filipinas. O Beato levava escondida a Nossa Senhora do Rosário
O Beato Justo Takayama Ukon e 350 católicos deportados para as Filipinas.
O Beato levava escondida a Nossa Senhora do Rosário
Aconteceu de a maioria dos daimyos católicos ter apostatado. Os daimyo eram senhores feudais de grandes extensões de terras e com enorme influência local, algo parecido aos senhores feudais medievais da Europa e aos “coronéis” no Brasil.

Esses daimyos renegados forçaram seus súditos a apostatar também, com exceções gloriosas, como a do nobre Beato Justo Ukon Takayama (1552-1615), e a do samurai Joan Tadatoshi Naitō (falecido em 1626), senhor do castelo de Yagi.

Porque eram nobres esses potentados não foram mortos, mas exilados nas Filipinas, onde faleceram.

O povo foi objeto de uma brutal campanha de extermínio, com milhares de pessoas martirizadas em Kyushu e outras partes do país, ademais de torturadas ou forçadas a renunciar à nossa religião.

Chega-se a se supor que os mártires japoneses nos séculos da perseguição superaram em número os mártires romanos.

Em 1614 o daimyo Beato Justo Ukon Takayama liderou o primeiro barco de 350 exilados para Manila, Filipinas.

O Shogun decretou a destruição de todos os locais de culto cristão e a expulsão de todos os missionários, estrangeiros ou nascidos no Japão.

Para tal mudança teriam influído muito as intrigas dos protestantes holandeses, que cobiçavam o monopólio comercial com o Império do Sol Nascente.

A fúria assassina do Shogun visou especialmente a destruição de todas as igrejas em Nagasaki. Com os esforços evangélicos dos jesuítas (desde 1549), franciscanos (1593), dominicanos (1602) e agostinianos (1602), havia muitas comunidades católicas em Kyoto, Osaka, Sakai e na Península de Noto.

Nossa Senhora do Rosário, dita 'La Japona', salva pelo Beato Justo Takayama Ukon do ódio pagão
Nossa Senhora do Rosário, dita 'La Japona',
salva pelo Beato Justo Takayama Ukon do ódio pagão
Mas, o maior número se encontrava em Nagasaki, que em 1614 contava com 14 igrejas e santuários. Todos foram destruídos.

Na onda profanadora pagã resistiram, contudo, três imagens religiosas do maior valor que hoje se encontram nas Filipinas, de onde tinham sido levadas originariamente pelos missionários.

A primeira é a de Nossa Senhora do Santo Rosário, conhecida como “La Japona”, levada para Satsuma pelos dominicanos em 1602.

Esta imagem foi confiada ao daimyo Beato Justo Takayama que na hora de embarcar para o exílio a ocultou numa cabine que lhe foi reservada, enquanto os missionários deportados dormiam no convés, ao relento.

Ela provinha da Igreja de Santo Domingo de Nagasaki, e hoje se encontra na igreja de São Domingos, na cidade de Quezon.

A segunda delas é o Santo Cristo levado ao Japão por missionários agostinianos em 1612. A estátua de Santo Cristo é de um Nazareno Negro crucificado, semelhante a outro de origem mexicana que está na Basílica Menor do Nazareno Negro, em Quiapo, Manila.

A terceira imagem é a de Nossa Senhora do Bom Conselho (Mater boni Consilii), levada pelos agostinianos em 1612.

Essas duas tivessem foram postas numa caixa presumivelmente por dois mártires japoneses antes de caírem nas mãos dos pagãos.

A caixa foi impelida pela “corrente (marítima) do Japão” e resgatada por pescadores filipinos, felizmente católicos. Ao abrirem a caixa, ficaram surpresos diante da estátua de Jesus Nazareno, dito “Negro”, e uma imagem de Nossa Senhora segurando o Menino Jesus.

Imediatamente eles consideraram as estátuas como um sinal da Providência, verdadeiro presente do Céu. Aconteceu de os pescadores serem de cidades diversas: os de Sinait não conseguiam mover a estátua da Bem-Aventurada Virgem Maria, mas não tiveram dificuldade em mover a estátua do Nazareno Negro.

Santo Cristo de Sinait, igreja de San Nicolas de Tolentino, Ilocos Sur, Filipinas.
Chegou flutuando na mesma caixa da 'Virgem Milagrosaa'
Por sua vez, os pescadores de Badoc conseguiam mover a estátua da Bem-Aventurada Virgem Maria, Mãe do Bom Conselho com facilidade, mas não conseguiram mover a imagem do Nazareno Negro.

Por isso cada grupo levou a imagem que podia carregar para a sua respectiva cidade, onde se tornaram os santos padroeiros.

A imagem de Nossa Senhora do Bom Conselho, hoje mais conhecida como “A Virgem Milagrosa” se encontra na igreja da paróquia de São João Batista em Badoc, onde recebeu coroação canônica pelo episcopado e pelo Papa. A imagem estava na igreja de Santo Agostinho em Nagasaki até a fuga.

Pouco se sabe como ela foi parar no caixote, no mar, e, pela corrente marítima atingir as Filipinas. Sabe-se que o pároco da igreja, Pe. Fernando de São José e o catequista Andrew Yoshida foram decapitados em 1617.

Em Nagasaki continuou a prática do catolicismo, ainda que clandestino. Ali morreram mártires 24 frades cujos nomes são conhecidos; 57 membros da Ordem Terceira e 47 membros da Arquiconfraria da Cintura.

Talvez alguns agostinianos escondidos em “missões clandestinas”, que sentindo à morte, e não tendo onde guardar as imagens, as embalaram numa caixa e a colocaram no mar para que Deus as conduzisse a bom porto.

Até hoje, anualmente, a imagem da Mãe do Bom Conselho é conduzida em procissão até o local onde o caixote foi resgatado.



terça-feira, 21 de janeiro de 2020

“A entrada do inferno”:
o que diz o poço mais fundo jamais cavado

“A entrada do inferno”, ou superpoço soviético de Kola foi selado com formigão.
“A entrada do inferno”, ou superpoço soviético de Kola foi selado com formigão.
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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Na península de Kola, quase Círculo Polar Ártico há uma estação científica soviética abandonada. Ali, uma pesada tampa de metal está lacrada num piso de concreto por um anel de ferrolhos grossos e enferrujados.

Para muitos, essa é a entrada do inferno, segundo pormenorizada reportagem da BBC News.

Trata-se do Poço Superprofundo de Kola, o que mais se internou nas entranhas secretas da Terra cavado pelo homem.

Ele desce até 12,2 km e moradores locais juram que nele se podem ouvir os gritos das almas torturadas no inferno.

Os soviéticos levaram quase 20 anos para conclui-lo, mas nem de longe puderam atingir o manto da Terra que era seu objetivo. O projeto foi interrompido na Rússia pós-soviética.

“A perfuração começou na época da Cortina de Ferro”, conta Uli Harms, do Programa Internacional de Perfuração Continental Científica (ICDP, na sigla em inglês).

Portanto, no auge do ateísmo de Estado russo.

Harms trabalhou na “rival alemã” do Poço Superprofundo de Kola.

“Os russos simplesmente não revelavam nada sobre o que faziam. Quando eles começaram a perfurar, alegaram que haviam encontrado água livre e a maioria cientistas não acreditava nisso”.

“O objetivo final é obter amostras reais do manto tal qual ele existe agora”, diz Sean Toczko, gerente de programa da Agência Japonesa para Ciências da Terra Marinha.

“É a diferença entre ter um dinossauro vivo e um osso de dinossauro fossilizado”, compara.

Em outras palavras, diz a BBC News: se a Terra for como uma cebola, então a crosta onde vive se disputa a humanidade toda é como a pele fina da cebola. Tem apenas 40 km de espessura.

Para além dali, há um manto com 3.000 km de profundidade. Abaixo dele, o núcleo da Terra.

As amostras de rocha que esses furos poderiam fornecer eram tão importantes para a ciência quanto qualquer coisa que a Nasa, a agência espacial americana, trouxe da Lua. Sem excluir não confessados e tremendos usos militares.

Os EUA foram os primeiros a tentar pela famosa American Miscellaneous Society, no final dos anos 1950. Foi o projeto Mohole que decidiu fazer um atalho pelo Oceano Pacífico a partir de Guadalupe, no México. Ali a crosta terrestre é mais fina.

Os soviéticos começaram pelo Círculo Polar Ártico em 1970. Os alemães começaram na Baviera e só perfuraram até 9 km.

A base da 'entrada ao inferno' ficou como casa assombrada
A base da 'entrada ao inferno' ficou como casa assombrada
Todas essas expedições com suas diversas tecnologias foram frustras. As altas temperaturas do subterrâneo profundo, o custo e a política interromperam os sonhos dos cientistas.

No Poço Superprofundo de Kola a perfuração foi abandonada em 1992, quando a temperatura chegou a 180°C, o dobro do esperado. Não era mais possível prosseguir. O poço alemão achou os mesmos impedimentos.

A corrida foi uma versão atualizada do famoso livro Viagem ao Centro da Terra, de Jules Verne.

Hoje, “M2M-MoHole to Mantle” é um dos projetos ativos mais importantes do Programa Internacional para a Descoberta dos Oceanos (IODP). Ele planeja perfurar o fundo do mar, onde a crosta tem 6 km de profundidade.

Em 2013, a artista holandesa Lotte Geevan decidiu fazer um experimento.

Ela levou para baixo um microfone protegido por um escudo térmico, captando um som profundo e estrondoso que os cientistas não conseguiram explicar.

Nas palavras dela, o som “me fez sentir muito pequena; foi a primeira vez na minha vida que essa grande bola em que vivemos veio à vida e parece assombrosa.

“Algumas pessoas achavam que soava como o inferno. Outras, que podiam ouvir o planeta respirar”.

Mas, ela e seus colega ambientalistas não foram os primeiros a achar essa esquisitice.

Em pleno ateísmo soviético, fizeram furor os rumores que espalhava a população ignara de Kola.

Ainda perduram nas redes sociais. No Youtube por exemplo o vídeo “Voces del infierno (lamentos, gritos, lloro, sufrimiento)” atingiu mais de cinco milhões de visualizações.

Estas versões – nas quais não acreditamos – afirmam que os geólogos soviéticos perfurando o solo da Sibéria atingiram a profundeza acima mencionada.

E teriam ouvido, segundo um cientista apresentado como Dr. Azzacov, “berros e lamentações interpretados como os gritos dos condenados no inferno”. Cfr. Verbete “Pozo del infierno”.

Åge Rendalen, um professor na Noruega, exagerou a história para ridiculizá-la. Acrescentou que não acreditando nela foi ler um “relatório verídico” que registrava as vozes no poço.

E que do mesmo buraco tinha emergido um ser com asas de morcego que escreveu no céu siberiano a exclamação “Venci!”. Id. Ibid.

Nada pode tirar do espírito humano a noção de que o inferno existe e está no fundo da terra
Nada pode tirar do espírito humano a noção de que o inferno existe e está no fundo da terra
O horror teria tomado aos ateus comunistas, mas o “Dr. Azzacov” teria providenciado microfones e registrado “vozes humanas berrando de dor”. Essas seriam bem perceptíveis sobre um fundo de milhares de outras também clamando aterradoramente com grande sofrimento.

Tais “berros e lamentações” são fantasiosas, porém são reveladoras de quanto está encravado no espírito humano a percepção de que o inferno existe deveras e está no fundo da terra.

Foi só aparecerem boatos com alguma aparência de científicos que milhões de pessoas os acharam verossímeis.

Alguns podem ter caído no conto, mas a existência dos abismos infernais embaixo da superfície terrestre não só é uma verdade de fé revelada nas Escrituras, mas é uma exigência da ordem do universo.

Refletindo racionalmente, a necessidade de um prêmio às boas ações e um castigo às gravemente más, exige que na arquitetura da criação exista um Céu e um inferno.

Nem o Papa Francisco consegue remover essa percepção encravada nas almas e que é pedida pela ordem do universo.

Como tampouco consegue-se apagar a intuição de que a Rússia soviética fosse a pioneira na entrada em contato com os antros infernais.

Assim quando apareceram os boatos ligados ao superpoço soviético as versões pareceram naturais.

A certeza da existência do inferno não provem de superpoço algum, mas da Fé.


terça-feira, 7 de janeiro de 2020

Sínodo chorou índios “exterminados” e ignorou os cristãos deveras massacrados

Chão da igreja copa de São Jorge encharcado de sangue cristão, Tant, Egito. Para eles não há Sínodo, escreve Meotti
Chão da igreja copa de São Jorge encharcado de sangue cristão, Tant, Egito.
Para eles não há Sínodo, escreve Meotti
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
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O Sínodo Pan-Amazônico de Roma tratou entre outras coisas, da “ameaça à vida”, da “inculturação e interculturalidade”, da destruição “extrativista” e dos “povos autóctones” ameaçados na sua cultura e até supervivência.

Mas, simultaneamente, grandes grupos de “povos autóctones” estavam tendo sua vida “ameaçada” de modo furioso e se defrontavam com a “destruição existencial física” sem que o Sínodo mostrasse interesse, denunciou Giulio Meotti, editor cultural do diário italiano “Il Foglio”.

Quem eram esses grupos e minorias vitimados?

São, nada mais e nada menos, como é bem conhecido, os cristãos perseguidos!

E o Vaticano não lhes dedica Sínodo algum.