terça-feira, 10 de março de 2026

IA e redes sociais favorecem o ‘apodrecimento cerebral’

IA, redes sociais e ‘apodrecimento  cerebral’
IA, redes sociais e ‘apodrecimento  cerebral’
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs






Shiri Melumad, professora da Universidade da Pensilvânia, deu uma tarefa de redação simples a 250 pessoas: dar conselhos de vida saudável.

Alguns recorreriam a Google, e outros à inteligência artificial (IA).

Os primeiros deram conselhos mais sutis sobre saúde física, mental e emocional.

Os segundos ficaram em obviedades maiormente inúteis.

Conclusão: a IA deteriora o estado mental já afetados pelos conteúdos de baixa qualidade na internet.

O Oxford English Dictionary escolheu “apodrecimento cerebral” como a palavra do ano 2024, para definir os adictos às redes sociais com “os cérebros em mingau”. Cfr.

Em 2008, muitos anos antes da chegada da IA, a revista “The Atlantic” publicou um ensaio intitulado “O Google está nos tornando burros?”.

Embora essas preocupações fossem exageradas, a crescente desconfiança da academia em relação ao impacto da IA na aprendizagem é uma notícia preocupante para os EUA.

Nesse país o desempenho em compreensão da leitura já está em declínio acentuado.

Em 2025, as notas em leitura das crianças, incluindo alunos do oitavo ano e do último ano do ensino médio, atingiram novos mínimos.

A Avaliação Nacional do Progresso Educacional, há muito considerada o exame mais confiável dos EUA, apontou que desde que a pandemia da covid-19 interrompeu a educação e aumentou o tempo de tela entre os jovens trazendo preocupantes quedas na intelecção das crianças.

Para os pesquisadores cada vez há mais evidências de uma forte ligação entre o baixo desempenho cognitivo e a IA e as redes sociais.

Um novo estudo liderado por pediatras descobriu que o uso das redes sociais estava associado a um desempenho inferior entre crianças que faziam testes de leitura, memória e linguagem.

Apodrecimento  cerebral (brain rot) a palavra do ano 2024
O estudo mais importante de 2025 sobre os efeitos da IA no cérebro foi realizado pelo célebre MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts).

Seus pesquisadores procuraram entender como ferramentas como o ChatGPT, da OpenAI, poderiam afetar a forma como as pessoas escrevem.

O estudo envolveu 54 estudantes universitários, e os resultados levantaram questões importantes sobre se a IA poderia prejudicar a capacidade de aprendizagem das pessoas.

Os estudantes foram solicitados a escrever uma redação de 500 a mil palavras e foram divididos em diferentes grupos: o primeiro podia escrever com a ajuda do ChatGPT, o segundo podia pesquisar com o recurso tradicional do Google e, o terceiro, podia contar apenas com seus cérebros.

Os alunos usavam sensores que mediam a atividade elétrica em seus cérebros.

Os usuários do ChatGPT apresentaram a menor atividade cerebral, o que não foi surpreendente.

Um minuto após concluírem suas redações, os alunos foram solicitados a citar qualquer parte de suas delas. A grande maioria dos usuários do ChatGPT (83%) não conseguiu se lembrar de uma única frase.

EOs alunos que recorreram a Google conseguiram citar algumas partes, e os alunos que não usaram nenhuma tecnologia não só recitavam várias frases, mas até reproduziam quase toda sua redação.

“Já se passou um minuto e você realmente não consegue dizer nada?” sinal de ‘apodrecimento cerebral’, perguntava espantada Nataliya Kosmyna, cientista pesquisadora do MIT Media Lab que liderou o grupo dos usuários do ChatGPT. “Se você não se lembra do que escreveu, não sente propriedade. Você ao menos se importa?”

A cientista Kosmyna diz que se preocupa com as consequências para as pessoas que usam chatbots de IA em áreas onde a retenção é essencial.

Tal seria o caso do aluno que estuda para piloto e não lembra do que lhe foi ensinado!.

Estados como Nova York, Indiana, Louisiana e Flórida correram para proibir celulares nas salas de aula.

A revista médica JAMA publicou um estudo conduzido pela Universidade da Califórnia, em São Francisco. O Dr. Jason Nagata, pediatra que liderou o estudo, e seus colegas analisaram dados do ABCD (Adolescent Brain Cognitive Development, Desenvolvimento Cognitivo do Cérebro Adolescente), projeto que acompanhou mais de 6.500 jovens de 9 a 13 anos de idade, entre 2016 e 2018.

Médicos alertam contra o Apodrecimento  cerebral (brain rot)
Médicos alertam contra o Apodrecimento  cerebral (brain rot) 
Os resultados mostraram que as crianças que usavam poucas redes sociais (uma hora por dia) até muitas (pelo menos três horas por dia) tiveram notas significativamente mais baixas nos testes de leitura, memória e vocabulário do que aquelas que não usavam redes sociais.

TikTok e Instagram prejudicariam as notas dos testes.

Ficou certo que cada hora que uma criança passa navegando pelos aplicativos tira tempo de atividades mais enriquecedoras, como ler e dormir, disse o Dr. Nagata.

O Dr. Nagata sugeriu que os pais imponham zonas livres de telas, proibindo o uso do telefone no quarto e na mesa de jantar.

Por fim, os grupos desse estudo trocaram de papéis: os que dependiam apenas de seus cérebros para passar a usar o ChatGPT, e as pessoas que dependiam do ChatGPT nunca ficaram no mesmo nível do primeiro grupo usando apenas seus cérebros.

As pessoas que querem aprender a escrever deveriam iniciar o processo usando seus cérebros antes de recorrer às ferramentas de IA. Tanto o Google quanto a OpenAI se recusaram a comentar.



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