terça-feira, 7 de janeiro de 2020

Sínodo chorou índios “exterminados” e ignorou os cristãos deveras massacrados

Chão da igreja copa de São Jorge encharcado de sangue cristão, Tant, Egito. Para eles não há Sínodo, escreve Meotti
Chão da igreja copa de São Jorge encharcado de sangue cristão, Tant, Egito.
Para eles não há Sínodo, escreve Meotti
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs







O Sínodo Pan-Amazônico de Roma tratou entre outras coisas, da “ameaça à vida”, da “inculturação e interculturalidade”, da destruição “extrativista” e dos “povos autóctones” ameaçados na sua cultura e até supervivência.

Mas, simultaneamente, grandes grupos de “povos autóctones” estavam tendo sua vida “ameaçada” de modo furioso e se defrontavam com a “destruição existencial física” sem que o Sínodo mostrasse interesse, denunciou Giulio Meotti, editor cultural do diário italiano “Il Foglio”.

Quem eram esses grupos e minorias vitimados?

São, nada mais e nada menos, como é bem conhecido, os cristãos perseguidos!

E o Vaticano não lhes dedica Sínodo algum.

“Mandaram-no negar Cristo, ao recusar deceparam sua mão direita, ao recusar novamente, deceparam o cotovelo.

“Firme na recusa, foi baleado na testa e no peito”: assim foi martirizado o pai do cristão nigeriano Enoch Yeohanna, em 2014.

Quem se importou em Roma, nos governos ou nas instituições internacionais?

Esse é um dos muitos exemplos que apresenta Meotti.

Em entrevista concedida ao jornal italiano La Stampa, o Papa Francisco salientou que um dos maiores desafios da região amazônica é a “ameaça à vida das populações e dos territórios que deriva dos interesses econômicos e políticos dos setores que dominam a sociedade.”

Esses argumentos se aplicam e com maior razão e com torrencial derramamento de sangue à “perseguição aos cristãos nos quatro cantos da terra, um dos grandes males do nosso tempo”, como define o padre Benedict Kiely, fundador da Nasarean.org, que se dedica a amenizar a perseguição aos cristãos.

“A grande mídia é incrivelmente silenciosa quando o assunto é o ataque contra cristãos.

“Na mesma semana do abominável ataque à mesquita em Christchurch, na Nova Zelândia, um crime hediondo e inescrupuloso ocorreu: mais de 200 cristãos foram mortos na Nigéria.

“Difícil foi encontrar algo a respeito do massacre desses cristãos no noticiário.

“Nada de passeatas em homenagem aos cristãos martirizados, nada de dobrar sinos a pedido de governos, nada de camisetas com 'Je suis Charlie', nem um mísero aceno de indignação popular”, acrescentou o sacerdote angustiado ante a injustiça.

Papa Francisco recebe a Raoni em propagandística e apoteótica gira na Europa previa ao Sínodo. Na mesma hora o sangue cristão corria na África e na Ásia impunemente.
Papa Francisco recebe a Raoni em propagandística e apoteótica gira na Europa previa ao Sínodo.
Na mesma hora o sangue cristão corria na África e na Ásia impunemente.
Houve mais casos. Terroristas do Boko Haram “capturaram as mulheres e as arrastaram até a periferia da cidade de Gagalari no distrito de Yagoua onde deceparam uma orelha de cada uma das vítimas” num ataque à noite na República dos Camarões, relatou a organização Barnabas Fund.

No mesmo país, dias depois, Angus Fung, tradutor da Bíblia, foi massacrado e a sua esposa teve um braço decepado.

E, prosseguindo na sinistra lista do assanhamento ignorado, o padre David Tanko foi assassinado na vizinha Nigéria, sendo seu corpo e carro incendiados.

Pouco depois, o Pe. Paul Offu, nigeriano, também foi chacinado.

Em 2018, dois padres e 13 fiéis foram massacrados num único ataque ainda na Nigéria.

Quatro cristãos de Burkina Faso foram martirizados há pouco por usarem cruzes:

“Os islamistas chegaram, forçaram todos a deitarem no chão de bruços”, relatou o bispo Laurent Birfuoré Dabiré, diocesano de Dori.

“Havia quatro usando crucifixos. Assim sendo, todos foram mortos pelo fato de serem cristãos.

“Após os assassinatos, os islamistas avisaram todos os camponeses do vilarejo que se não se convertessem ao Islã eles também seriam mortos.”

Centenas de cristãos , incluindo 433 crianças, “correm o risco de serem atacados ou terão que fugir da desenfreada violência de extremistas islamistas no Mali.”

Nesse país, no mês de junho, cem homens, mulheres e crianças foram massacrados em Sobame Da, um vilarejo de maioria cristã.

David Curry, presidente da Open Doors, ONG americana que monitora a perseguição anticristã, voltou a sublinhar que os seguidores de Cristo “são o grupo mais perseguido do mundo”.

A opressão e mutilação a que eles são submetidos é devastadora.

Na Nigéria, o Boko Haram ainda mantém sequestrada a menina Leah Sharibu porque se recusou a renunciar à fé cristã.

É o que vem acontecendo recorrentemente no Egito, onde cristãs enfrentam uma “epidemia de sequestros, estupros, espancamentos e torturas”.

Mais um atentado suicida contra igreja cristã em Peshawar, Paquistão. A preocupação vaticana é por supostas chacinas na Amazônia.
Mais um atentado suicida contra igreja cristã em Peshawar, Paquistão.
A preocupação vaticana é por supostas chacinas na Amazônia.
No continente asiático repete-se o extermínio.

No Paquistão “todos os anos pelo menos mil meninas são sequestradas, estupradas e forçadas a se converterem ao Islã, são até forçadas a se casarem com seus torturadores” ressaltou Tabassum Yousaf, advogada católica ligada à ONG italiana San Egídio.

Asia Bibi, a mais famosa dessas cristãs perseguidas, ficou injustamente presa durante uma década numa prisão paquistanesa por “blasfêmia”, a maior parte do tempo no corredor da morte, antes de ser solta.
Em maio ela foi levada para o Canadá, onde reencontrou a família. De acordo com Bibi:

“Quando minhas irmãs me visitavam na prisão eu nunca chorava na frente delas, só quando elas já haviam saído do complexo penitenciário é que eu chorava sozinha, cheia de dor e angústia. Eu costumava pensar nelas o tempo todo, como era a vida delas”.

Os satélites da NASA captaram incêndios na Amazônia. O Vaticano e líderes mundiais caíram em cima do Brasil e dos países amazônicos sul-americanos por não protegerem a floresta amazônica.

Mas um sádico paradoxo percorre o mundo: queimar, mutilar e assassinar cristãos não é monitorado por satélites, seu sofrimento não é visto nas TVs nem nos jornais.

Inhabitação diabólica nas religiões 'originárias' amazônicas é deliberadamente ignorada.
Idêntico ao silêncio sobre o demônio incubado no Islã
Porém, se não há satélites para isso, temos uma torrente de denúncias que procedem das vítimas, das testemunhas presenciais, fatos fotografados, filmados, trazidos para Ocidente e para o Vaticano por missionários e sobretudo bispos diocesanos.

Mas, na realidade, no Vaticano e nos governos ocidentais é como se a perseguição aos cristãos não existisse.

Excetuadas algumas queixas ou “exigências” verbais que não mudam o andamento das tragédias e só servem para serem arquivadas entre muitas outras declarações sem efeito.

O Vaticano, o Papa Francisco e demais clérigos reunidos em Sínodo expressaram queixas verbalmente análogas para um imaginário e inexistente extermínio de silvícolas na Amazônia.

Mas, sublinha Meotti, corria o sangre das concretas chacinas de cristãos como se os ferozes islâmicos tivessem a certeza de que nada lhes acontecerá.

E até que poderão ser convidados a um alegrote festim ecumênico!, acrescentamos nós

O Pontífice e a mídia teriam uma opção: iluminar o mundo para o drama desses cristãos perseguidos, diz Meotti.

Do contrário chegará o dia em que deverão enfrentar a acusação de cegueira deliberada.



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