segunda-feira, 18 de setembro de 2017

Vaticano promove migração que prepara anarquia universal

Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs





O Papa Francisco pleiteia “passar a segurança pessoal dos migrantes por cima da segurança nacional”, referiu alarmado Laurent Dandrieu, redator-chefe de Cultura da revista francesa “Valeurs Actuelles”, em entrevista ao jornal de Paris “Le Figaro”.

Dandrieu observa que esse apelo foi redigido para a Jornada Mundial do Migrante e do Refugiado de 2018 e vai mais longe do que as outras posições defendidas pelo pontífice.

“Em entrevista a uma rádio portuguesa em 14 de setembro de 2015 – lembra o jornalista –, o Papa reconhecia o risco de infiltração terrorista entre os migrantes, mas achava que ainda assim o refugiado devia ser acolhido devido a um mandamento da Bíblia”.

Mas em sua nova mensagem Francisco escreve que “o principio da centralidade da pessoa humana (…) obriga a colocar sempre a segurança pessoal acima da segurança nacional”.

Comenta Dandrieu: “Fazendo isso, ele cede a um idealismo desastroso e esquece que a segurança nacional é a garantia mais sólida da segurança pessoal. Não pode existir segurança pessoal fora dos contextos jurídicos e legais que são sua salvaguarda.

Jamais poderá haver segurança nacional se as nações ocidentais, em virtude do terrorismo ou de uma imigração incontrolável e impossível de administrar, se precipitarem na anarquia.

“Um segundo postulado estarrecedor contido na mesma mensagem é ‘a defesa dos direitos e da dignidade dos migrantes e dos refugiados, independente de seu estatuto migratório’ – explica Dandrieu.

“Isso equivale a dizer que ele reclama direitos iguais para os clandestinos e para os imigrantes legais...

“quer dizer, concretamente, que o Papa exige um direito de instalação prévio para todos, antes mesmo de se estudar o caso de cada um. Equivale a dar um prêmio à ilegalidade...

“e isso me parece um segundo atentado, e muito forte, contra os direitos das nações e da cidadania, porque a nação e a cidadania só existem baseadas num consenso sobre a legitimidade da lei.

“Se se postula que a lei é feita para ser driblada, não há mais bem comum possível”.

“O Papa Francisco deu uma espécie de cheque em branco à entrada maciça de populações de religião muçulmana e à aclimatação da religião muçulmana no continente europeu”.

Interrogado se a existência de fronteiras é justificável do ponto de vista teológico, Dandrieu respondeu:

“Evidentemente sim, pois é uma consequência lógica do Mandamento que manda honrar pai e mãe.

Santo Tomas de Aquino escreve que ‘faz parte da piedade render culto aos pais e à pátria’.

Ele segue a Santo Agostinho, que estipula que a caridade é devida antes de tudo aos nossos mais próximos pelos laços do sangue ou de cidadania.

“Leão XIII escreveu que ‘a lei natural nos ordena amar com um amor de predileção e com devotamento o país onde nascemos e onde fomos educados’.

“Pio XII ensina que ‘no exercício da caridade existe uma ordem estabelecida por Deus, segundo a qual é preciso amar mais intensamente e fazer o bem de preferência àqueles com quem estamos unidos por laços especiais’.

“O próprio Divino Mestre deu exemplo dessa preferência por sua terra e sua pátria chorando a iminente destruição da Cidade santa”.

Dandrieu reprovou o enviesado “multiculturalismo” que na prática torna impossível a integração.

“Sob a pressão da imigração de massa e da ideologia multiculturalista, as sociedades ocidentais vão ficando reduzidas cada vez mais a um quebra-cabeça de comunidades de culturas e religiões diferentes, que se olham com hostilidade.

“Elas não têm um ponto de referência comum além de conceitos abstratos como a ‘cultura do encontro’, à qual o Papa Francisco tende a reduzir a identidade europeia.

“O bem comum se contrai e acaba num apartheid de fato. Quer dizer, o contrário do objetivo enunciado, e dá numa catástrofe civilizacional de grande envergadura tanto para os povos europeus quanto para as populações imigrantes”.


Santo Tomás de Aquino:

Devemos aceitar ou rejeitar a imigração?



Santo Tomas de Aquino, catedral Notre Dame de Paris
Santo Tomas de Aquino, catedral Notre Dame de Paris
O problema da imigração não é novo. Já no século XIII Santo Tomás de Aquino tratou dele na sua célebre Suma Teológica (I-II, q. 105, a. 3).

Inspirando-se na doutrina da Sagrada Escritura acerca do povo judaico, o Doutor Angélico estabelece claramente os limites da hospitalidade devida aos estrangeiros.

Talvez também nós possamos retirar daqui alguns ensinamentos.

Santo Tomás de Aquino escreve: “O povo pode ter dois tipos de relações com os estrangeiros: na paz e na guerra. E a Lei incluía os preceitos necessários à regulamentação de uma e outra circunstância” (Suma Teológica I-II, q. 105, a. 3).

São Tomás afirma, portanto, que os imigrantes não são todos iguais, e que as relações com os estrangeiros também não são todas iguais: há relações que são pacíficas e outras que são bélicas.

Cada nação tem o direito de decidir que tipo de imigração pode ser considerada pacífica e, portanto, benéfica ao bem comum, e que tipo de imigração é, pelo contrário, hostil e portanto prejudicial.

Um Estado pode rejeitar, como medida de legítima defesa, elementos que considera serem prejudiciais ao bem comum da nação.

Um segundo ponto diz respeito às leis, quer divinas, quer humanas. Um Estado tem o direito de aplicar as suas leis quando elas são justas.

Migração Pacífica



O Doutor Angélico passa depois a analisar a imigração «pacífica».

Diz ele: “Em tempos de paz, os judeus tinham três oportunidades de se relacionarem com os estrangeiros:

em primeiro lugar, quando os estrangeiros atravessavam o seu país em viagem de um lugar para outro; ou quando havia estrangeiros que vinham de outro país para se instalarem em Israel na qualidade de imigrados.

Nestes dois casos, as prescrições legais têm um caráter humanitário e são máximas do
Êxodo: “Não usarás de violência contra o estrangeiro residente nem o oprimirás” (22, 20); e “Não oprimirás um estrangeiro residente” (23, 9).

Nesta passagem, Santo Tomás reconhece que pode haver estrangeiros que queiram visitar um país de forma pacífica e benéfica, ou viver nesse país durante certo período.

Estes estrangeiros devem ser tratados com caridade, respeito e cortesia, que é um dever de todas as pessoas de boa vontade.

Nesses casos, a lei deve proteger o estrangeiro de qualquer tipo de violência.

Santo Tomás de Aquino prossegue:

“O terceiro caso é o do estrangeiro que deseja ser recebido em plena comunidade de vida e de culto com o povo; relativamente a estas pessoas, eram observadas determinadas formalidades, e a sua admissão ao estado dos cidadãos não era imediata.

“Da mesma maneira, e segundo Aristóteles, algumas nações tinham por norma reservar a qualidade de cidadãos àqueles cujos antepassados, nomeadamente o trisavô, tinham residido na cidade.”



Condições para aceitar a migração pacífica



Santo Tomás menciona depois aqueles que pretendem instalar-se no país.

E aqui o Doutor Angélico apresenta, como primeira condição para serem aceitos, a vontade de se integrarem de forma perfeita na vida e na cultura do país de acolhimento.

Uma segunda condição é que o acolhimento não seja imediato.

A integração é um processo que leva tempo: as pessoas precisam se adaptar à nova cultura; e Santo Tomás cita Aristóteles, que afirma que este processo pode levar duas a três gerações.

O próprio Santo Tomás não estabelece um prazo ideal, afirmando apenas que este período poderá ser longo.

E explica por quê:

“O que se compreende, devido aos múltiplos inconvenientes ocasionados pela participação prematura dos estrangeiros na gestão dos assuntos públicos; com efeito, antes de se terem firmado no amor pelo povo, poderão empreender alguma coisa contra ele.”

Este ensinamento de Santo Tomás, que assenta no bom senso, é hoje politicamente incorreto; e, contudo, é perfeitamente lógico.

O Doutor Angélico mostra que viver num país diferente é uma coisa muito complexa; que é preciso tempo para conhecer seus hábitos e sua mentalidade e, consequentemente, para compreender os seus problemas.

E que só aqueles que nele vivem durante muito tempo, fazendo parte da cultura do país, estando em contato com a sua história, estão em condições de julgar as decisões de longo prazo mais convenientes para o bem comum.

É prejudicial e injusto colocar o futuro de um país nas mãos de pessoas acabadas de chegar.

Mesmo sem culpa própria, estas pessoas raramente estão em condições de compreender adequadamente o que se passa ou o que aconteceu no país que escolheram como sua nova pátria.

Santo Tomás de Aquino, igreja de St Dominic, Londres
E esse fato pode ter consequências desastrosas.

Para ilustrar este ponto, Santo Tomás observa que os judeus não tratavam toda a gente da mesma maneira.

Havia alguns povos que eram vizinhos e, portanto, facilmente assimiláveis; havia outros, porém, que eram mais longínquos, e mesmo hostis, pelo que os membros destes povos não podiam ser aceitos em Israel, tendo em consideração a sua inimizade pelo país.

Explica Santo Tomás de Aquino:

“É por isso que, de acordo com as disposições da lei, algumas nações mais ou menos ligadas aos judeus, como os egípcios, entre os quais eles tinham crescido, e os edomitas, que eram descendentes de Esaú, irmão de Jacó, eram acolhidos na comunidade do povo a partir da terceira geração.

Outros, pelo contrário – como os descendentes de Amón e de Moab –, que tinham mostrado hostilidade para com os judeus, nunca chegavam a ser admitidos; e os amalecitas, que lhes tinham sido especialmente hostis e que não tinham qualquer grau de parentesco com eles, deviam ser tratados como inimigos para sempre.”

Mas as regras não devem ser rígidas, podendo admitir exceções:

É o que mostra Santo Tomás de Aquino: “Contudo, e por dispensa individual, um particular podia, em razão de um feito elevado, ser admitido no seio do povo. Lemos em Judite (14, 6) que o chefe dos amonitas, Aquior, foi incorporado no povo de Israel, ele e toda a sua posteridade; o mesmo aconteceu a Rute, a moabita, que era uma mulher de grande virtude.”

Podem, pois, admitir-se exceções em circunstâncias muito específicas. Contudo, estas exceções não são arbitrárias, pois têm de ter em vista o bem comum da nação.

O general Aquior, por exemplo, tinha intervindo junto de Holofernes a favor dos judeus, pondo em risco a própria vida e conquistando assim a eterna gratidão daquele povo, a despeito das suas origens amonitas.


A migração nunca pode visar a desintegração de um país



Eis, pois, alguns princípios sobre a imigração, que foram enunciados por Santo Tomás de Aquino há 700 anos. Destes ensinamentos podemos deduzir claramente que qualquer análise sobre a imigração deve ser orientada por duas ideias-chave: a integridade da nação e o seu bem comum.

A imigração deve visar sempre a integração, e nunca a desintegração nem a segregação, ou seja, a criação de pequenas “nações” em conflito dentro de um país.


Para além das vantagens que lhe são oferecidas na sua nova pátria, o imigrante tem também de assumir os correspondentes deveres, ou seja, a responsabilidade pelo bem comum e a participação na vida política, econômica, social, cultural e religiosa.

Ao tornar-se cidadão, o imigrante torna-se membro de uma grande família, com uma alma, uma história e um futuro comuns, não sendo, portanto, apenas uma espécie de acionista de uma sociedade, a quem apenas interessam os lucros e as vantagens que dela advenham.

Santo Tomás ensina depois que a imigração deve visar sempre o bem comum; que não pode destruir nem abusar da nação.

É isso que explica por que tantos europeus exibem sentimentos de mal-estar e de apreensão perante a imigração maciça e desproporcionada dos últimos anos.

Este fluxo de estrangeiros originários de culturas muito distantes e mesmo hostis gera situações que destroem os elementos de unidade psicológica e cultural da nação, pondo em causa a capacidade de a sociedade absorver novos elementos de forma orgânica.

Neste caso, estamos claramente perante um atentado ao bem comum.

Um aspecto secundário, mas muito importante, é o econômico. Confrontada com a sua maior crise econômica de várias décadas, poderá a Europa permitir-se tomar a seu cargo milhões de imigrados sem pôr em risco o bem comum dos seus cidadãos?

A imigração orgânica e proporcionada sempre foi um fator de saúde e fortalecimento das sociedades, às quais leva um novo sopro de vida e novos talentos.

Quando, porém, ela se torna desmedida e descontrolada, pondo em risco os fundamentos da sociedade e do Estado, torna-se prejudicial ao bem comum.

Isto é particularmente verdade quando se trata de uma imigração pelo menos potencialmente hostil, de acordo com as categorias propostas por São Tomás.

É o caso, por exemplo, dos muçulmanos, representantes de povos que durante séculos estiveram em guerra com a Europa, visando a sua destruição.


A Europa faria bem em seguir os sábios conselhos do Doutor Angélico.

É certo que um país tem de aplicar a justiça e a caridade no tratamento com os imigrantes; mas é preciso conservar sobretudo a harmonia e o bem comum, sem os quais um país não consegue sobreviver durante muito tempo.

Já sem falar da fé cristã, que é a mais profunda pedra fundadora da nossa civilização.


(Fonte: Newsletter da Associação Tradizione Famiglia Proprietà, Setembro de 2015 (www.atpf.it)

Um comentário:

  1. Veja o que Brigitte Bardot disse ao Papa Francisco! Ela mencionou a questão da imigração, juntamente com outras questões.

    "Você aborda a miséria humana favorecendo estranhamente a migração muçulmana em detrimento dos cristãos do Oriente Médio, porém, mais miserável do que o destino destes seres humanos, é o dos animais, que não se beneficiam de nenhum apoio e são um mundo infinito de dores sem voz", escreve Bardot na carta.

    Fonte: https://br.yahoo.com/noticias/brigitte-bardot-critica-papa-falta-miseric%C3%B3rdia-animais-143249348.html

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