terça-feira, 12 de outubro de 2021

Volta correndo ao escritório: o teletrabalho frustrou

Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs







Evan Gatehouse, sua mulher Diane Selkirk e sua filha Maia estão acostumados a viver nos 37 m2 de seu veleiro, o Ceilydh, em que viajaram por oito anos.

Mas foi distinto quando na pandemia os três tiveram que se fechar e fazer tudo num apartamento de 80 m2.

O relacionamento veio abaixo quando todos tinham que viver confinados em regime de teletrabalho fazendo serviços diversos ou incompatíveis enquanto a filha estudava, fazia exames e preenchia formulários para a faculdade.

Sem falar nos pets pulando na mesa ou no laptop.

Não só eles, mas as empresas também estão comemorando que acabe o experimento do trabalho em casa que os desnorteou durante a pandemia, segundo colheu reportagem do “La Nación”

As empresas, para o bem ou para o mal, aceleram seus planos de back-to-office.

Após se ufanarem de arranjos com o moderno trabalho remoto, agora aceleram a reativação dos escritórios.

Uma pesquisa da Groupon estimou que os casais “envelheceram quatro anos extras de casamento” com o teletrabalho.

Outros estudos descobriram que os casais ficaram tomados por sentimentos negativos em ebulição.

A psicóloga Camille Preston, fundadora e CEO da AIM Leadership, precisou de muita negociação com o marido para trabalhar, administrar a casa e cuidar dos pais harmoniosamente.

Ela anseia voltar logo às suas viagens diárias ao escritório mas seu marido só o fará em outubro e terá que cuidar da roupa suja, levar as crianças para o berçário e fazer as compras. “Como você arranja isso?” pergunta.

Ela acha que quando ele retorne ao escritório será uma benéfica mudança.

Em casa, a família não terá que usar tanto os fones de ouvido com cancelamento de ruído que o empregador comprou para eles. Eles terão mais tempo sem barulho.

A esposa de Michael Hammelburger, CEO do Bottom Line Group, empresa de consultoria financeira, foi trabalhar no porão da casa.

Mas quando alguém caminhava acima o barulho atrapalhava as “lives” com os clientes, brigava com o marido porque invadia “seu” espaço virtual e o mandava embora, com um beijo é claro.

Preston acha que se vier uma nova onda de mudança será preciso encontrar um melhor equilíbrio. “As coisas não vão funcionar para todos”, diz ele.


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