quarta-feira, 22 de junho de 2016

Ler em dispositivos virtuais diminui a intelecção

 Ler em dispositivos virtuais diminui a intelecção.
Ler em dispositivos virtuais diminui a intelecção.
Luis Dufaur
Escritor, jornalista,
conferencista de
política internacional,
sócio do IPCO,
webmaster de
diversos blogs



A procura da saúde e do peso ideal do corpo inspira constantes preocupações, regimes alimentares, exercícios de fitness, etc.

E a saúde da inteligência? Ela existe e é bem mais complicada e importante que a do corpo.

Na poluída – também mentalmente – vida moderna, ela requer cuidados, que são fáceis e instintivos se agirmos bem.

Uma dos mais importantes elementos da vida intelectual é a capacidade de abstração. Afinal, é o que distingue os seres humanos: transformar aquilo que nossos sentidos captam em ideias que residem na alma e que constituem o ponto de partida da cultura e da própria atividade humana.

A leitura só faz sentido para quem é capaz de abstrair, de passar do escrito material à ideia que está contida no escrito.

Porém, as pessoas que leem em plataformas digitais como tablets, smartphones, e até em PCs e notebooks, ficam prejudicadas na sua capacidade de interpretar a informação, isto é, na abstração.



A constatação foi apresentada na ACM CHI 2016, a conferência top mundial sobre a Interação Homem-Computador, acontecida em maio de 2016, em São José, Califórnia.

Vários grupos de especialistas apresentaram suas conclusões, segundo informou o jornal espanhol “El Mundo”.

O laboratório Tiltfactor, departamento interdisciplinar da Universidade de Dartmouth, New Hampshire, apontou que os leitores que usam assiduamente equipamentos virtuais para ler, têm uma forte tendência a se deterem nos detalhes materiais do escrito, mas perdem a capacidade de entender o seu significado.

Geoff Kaufman, principal investigador e professor auxiliar da Universidade Carnegie Mellon, explicou que a capacidade de passar do concreto ao abstrato é decisiva para a autoestima da pessoa e sua habilidade para atingir as metas.

O mais inteligente, que abstraiu mais, vê mais longe, concebe o meio para alcançar seu objetivo, consegue chegar até ele, triunfa e fica satisfeito. Obviamente, aquele que não abstraiu, não vê longe, não define o que quer, não consegue atingir algo que preste, fracassa, às vezes totalmente, e se sente frustrado.

O Prof. Kaufman sublinhou que “é crucial reconhecer o papel que a digitalização da informação teve neste aspecto da cognição”.

“O pensamento abstrato gera mais capacidade de compreender os demais, mais criatividade, enquanto quem fica no concreto cai em generalizações negativas e frustrantes porque recusou o aspecto mais profundo das experiências. O ideal é adquirir flexibilidade entre o raciocínio abstrato e o concreto”, acrescentou o Prof. Kaufman.

O trabalho procurou detectar as diferenças entre a leitura via digital e a leitura analógica, aquela que fazemos com um livro ou, por exemplo, “lendo” os vitrais de uma catedral.

Os especialistas ofereceram às pessoas testadas material de leitura com idêntico tamanho de letra e formato. Só que uns em equipamentos virtuais e outros em analógicos.

Participaram da experiência um total aproximado de 400 pessoas, 300 das quais entre 20 e 24 anos.

O texto narrava uma história breve. No fim, as pessoas foram convidadas a escrever com caneta no papel aquilo que tinham lido, e responder às perguntas sobre a leitura que tinham feito.

As que haviam escolhido a leitura não digital tiveram uma nota 66% acima da média. As que utilizaram o meio digital só acertaram 48%. Porém, nas perguntas sobre aspectos concretos da leitura, os “digitais” acertaram 73% e os não digitais 58%.


Um comentário:

  1. Cada um ganhou de um lado, porém, o concreto é de menos-valia.
    Realmente imagens e vídeos distraem muito ainda que ajudem na memorização.
    Só o pensamento abstrato leva longe, ao profundo, a novas descobertas.

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