quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Excesso digital torna homens “ratos de laboratório”, diz editorialista


O assedio de estímulos digitais transformou-nos em “ratos de laboratório” que ansiosamente apertam teclas ou telas de computadores e telefones para obter gratificações incessantes, escreveu Nicholas Carr, ex-editor executivo da Harvard Business Review, noticiou “The Telegraph” de Londres.

Isto produz um “engarrafamento” mental que bloqueia raciocínios profundos, danifica a capacidade de desenvolver o pensamento num rumo com significado e gera dependência à tecnologia, segundo ele.

Carr é autor de livros como Os superficiais. O que a Internet está fazendo com nossos cérebros, e explica que o email e as redes sociais exploram o instinto básico humano de procurar novas sensações gratificantes, e o tornam adicto a elas.

Dessa maneira, esses instrumentos nos levam a regredir a um estado não mais sofisticado que o de um rato num laboratório, escreveu.

Recente inquérito mostrou que os funcionários de colarinho branco na Inglaterra conferem suas caixas de email pelo menos 30 vezes por hora.

Segundo Carr, cada nova informação que chega a nosso cérebro provoca a liberação de uma dose de dopamina que produz prazer e está ligada com as condutas aditivas.

Carr declarou à revista Esquire: “uma das coisas que torna mais imperioso consultar as mensagens digitais é a incerteza. Sempre há a possibilidade de haver algo importante na nossa caixa de entrada, embora na realidade na maior parte dos casos sejam coisas triviais”.

Eric Schmidt, chefe executivo de Google, manifestou sua preocupação com o impacto dos equipamentos instantâneos sobre o processo mental, acrescentou “The Telegraph”.

‒ “Temo que o nível de interrupção do processo, a esmagadora rapidez da informação – e especialmente da informação estressante – de fato afete a cognição e o pensamento profundo”.

Carr acrescenta: “quando recebemos dados demais e rápido demais, como quando surfamos, nossa memória ativa fica afogada. Nós sofremos o que os cientistas do cérebro chamam de “cognitive overload” ou “sobrecarga cognitiva.”

Isto resulta em que nós só podemos reter muita pouca informação e fracassamos na tentativa de relacioná-la com nossas lembranças de experiências passadas armazenadas na memória, diz Carr.

O que quer dizer, em última análise, que nossos pensamentos ficam “inconsistentes e dispersivos”, conclui.



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